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Alojamento: Alugar um Apartamento

Viajar em ficar em hoteis é um pouco como correr em tapete. É muito cómodo mas retira todo o sabor à experiência. É artificial e não se recomenda aos verdadeiros apreciadores. Pessoalmente, nunca fico em hóteis. Aquele modelo de cubículos uniformizados e aqueles olhos que seguem quem entra e sai do edíficio, não são para mim. Então como é que me arranjo? Ou uso o sistema de Couchsurfing, ou fico num hostel, ou em casa de algum local com que trave conhecimento e seja generoso ao ponto de me convidar.  Ou – e é disso que trato neste artigo – alugo um apartamentozinho. Em princípio esta é uma solução de recurso, a que lanço mão se as primeiras escolhas não estão disponíveis, se viajo com um pequeno grupo ou se há aquele apartamento que me enche mesmo as medidas. E como procedo? Vamos ver…

Apartamento em Fezalugado através do Holiday Rentals
Apartamento em Fez (2010)

Fase I – Selecção

  1. O primeiro passo é uma visita a um website global de aluguer de apartamentos. O Holiday Rentals, ou, como se chama desde há um par de anos, ou Home Away, é um peso-pesado destas coisas. A eficiência da empresa que gere o website é altamente duvidosa, como me diz a experiência enquanto proprietário de imóveis para alugar, mas do ponto de vista do viajante isso torna-se irrelevante. Vamos imaginar que pretendemos passar uma semana no Chipre. Um pequeno mapa da Europa, logo na página de entrada do website, permite-nos selecionar o país destino. Ficamos logo a saber que na pequena ilha existem 1.791 propriedades para alugar. Claro que podemos restringir os critérios de pesquisa, através do ajuste de uma infinidade de parâmetros, que incluem o preço que estamos dispostos a pagar e a existência de Internet disponível para os clientes. O website oferece um sistema de feedbacks que oferece algum conforto aos mais desconfiados, e um interface agradável, que permite uma fácil consulta das propriedades existentes.
  2. Por descargo de consciência verifico mais uns quantos websites: o Owners Direct, é da mesma categoria que o anterior, mas um pouco mais pequeno. O Homelidays é mais popular nos países francófonos. O Booking e o Hostelworld estão mais vocacionados, respectivamente, para hóteis e hosteis, mas incluem alguns apartamentos para alugar.
  3. Evito pesquisas directas no Google, porque creio que este tipo de procuras se limita a debitar websites de interesse duvidoso que de uma forma ou de outra conseguem controlar o mecanismo de busca e os resultados debitados. Mas, quando se torna conveniente, posso procurar portais de turismo local ou regional, que geralmente oferecem listagens de alojamento – incluindo propriedades para alugar – na zona.
  4. Os guias turísticos, se adquiriu um para o ajudar a preparar a viagem, podem ter alguma utilidade, apesar de procurar evitar os seus conselhos sobre estabelecimentos comerciais. Simplesmente tenho fortes suspeitas sobre os mecanismos que levam um negócio a estar mencionado num guia deste tipo.

Fase II – Escolha Final

  1. Há dois factores que considero determinantes para escolher o meu apartamento: preço e localização. Aliás, localização é uma palavra-chave em quase todos os meus actos enquanto viajante. A vida é curta, o tempo para a usufruir ainda mais limitado, e então, quando viajo, o que não quero mesmo é perder tempo cumulativamente, numa caminhada diária para o centro de uma cidade ou dentro de autocarros – metro – comboios. É portanto esta a primeira coisa que estudo na ficha de uma propriedade. Vejo a localização no mapa, meço distâncias, considero onde ficam os locais que pretendo visitar, procuro “googlar” opiniões sobre a zona onde se encontra a propriedade. E depois, vejo se o preço é aceitável, se estou disposto a pagar pela localização proposta.
  2. Fora o exposto no ponto anterior, todos temos as nossas exigências pessoais. No meu caso a disponibilização de Internet é importante, quase vital. Mas para muita gente não terá qualquer valor. A definição de critérios é um acto individual. Sugiro que estabeleça os seus antes de começar a pesquisa.
  3. Um conselho: antes de fazer uma reserva, mesmo que não tenha nenhuma questão a colocar ao proprietário, invente um par delas. Considero muito importante o estabelecimento de uma comunicação prévia, para sentir o pulso a quem está do outro lado. A boa comunicação é essencial numa situação destas, e muitas vezes a honestidade e a boa-vontade conseguem medir-se através da troca de alguns e-mails.

Fase III – Fechar Negócio

  1. A maioria das propriedades é gerida e negociada directamente com o proprietário, que tem todo o interesse em fechar negócio. Talvez se possa aproveitar disso – desde que com moderação – para negociar qualquer benesse adicional. Por exemplo, se receia perder-se, pode dizer que está disposto a fechar o negócio se se puderem encontrar num ponto central.
  2. Em princípio é necessário proceder a parte do pagamento no momento da reserva. É normal. Ponha-se na posição do proprietário e não terá dificuldades em o compreender. Os métodos de pagamento variarão segundo o website que usou para encontrar o seu pouso de viagem. Sobre transferência bancária não há muito a dizer. Apenas que esteja atento às taxas que o seu banco cobra por transferências internacionais. Se situação para pagar com cartão de crédito e tem receio de o usar na Internet, se calhar vai sendo altura de arranjar um pré-pago, com o qual poderá reduzir a quase nadas os riscos de desfalque em caso de azar.
  3. Se for necessário deixar uma caução… bem… não se surpreenda. É um costume em práctica nalguns países (em Portugal, por exemplo). Compreendo que do ponto de vista de quem aluga seja desagradável, mas do outro lado há um proprietário que também tem as suas preocupações. Goste ou não goste, sugiro que não seja rude se lhe for pedido atempadamente um depósito de segurança. Pode sempre recusar e procurar uma propriedade sem esta exigência.
  4. Guarde os contactos do proprietário e/ou do gerente do imóvel em mais do que um sítio. Se viajar com mais pessoas, peça a um dos companheiros para manter estes dados. A última coisa que quer é chegar a uma cidade, quem sabe já pela noitinha, e descobrir que não consegue contactar quem espera um telefonema seu para lhe entregar umas chaves.
Apartamento em Budapeste (2006)
Apartamento em Budapeste (2006)

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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2 comentários

  1. Excelente artigo!
    Além dos sempre importantes conselhos deu-me a descobrir sites que não conhecia.. E pelo que vi tem apartamentos bem interessantes.
    Obrigado!

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