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América Latina 2016 – Dia 43 – Da Cidade de Belize a Cartagena

Este foi um dia com uma história relativamente curta. O meu anfitrião saiu para o trabalho. Basicamente não falámos durante o período que passei com ele. Um sujeito estranho. Eu fiquei. Fiquei mais um bocado, a descansar e a fazer tempo. Depois saí, segui as suas indicações e cheguei ao centro da Cidade de Belize sem problemas.

Passeei um pouco pelas ruas e a impressão que trazia dos poucos dias já passados no país manteve-se, uma impressão única, o Belize é um lugar especial, diferente. É ainda o toque caribenho britânico, mas aqui é temperado com um perfume hispânico ao contrário de locais como a Jamaica.

Por onde andei fiquei com a memória de uma cidade pobre onde não sei se me sentiria muito bem a vaguear depois do sol posto. Mas gostei, é disto que são feitas as viagens. Fui conhecer um pouco de mundo.

Fui até um pequeno porto de onde saem embarcações com turistas. Comi por lá. Foi uma maravilhosa refeição indiana, como eu adoro, por um pequeno valor. Era quase o único cliente e foi um momento para recordar.  Ali mesmo, no recinto do terminal, consegui resolver um problema premente: imprimir o cartão de embarque para o voo da tarde.

Continuei a passear, parei numa padaria para comprar algo para comer mais tarde. Afinal iria chegar tarde a Cartagena e não teria tempo para mais nada.

Acabei por chegar à estação de autocarros e ò meus senhores, se aquilo não é um pedaço de faroeste! As personagens que por ali gravitam variam ligeiramente entre o sinistro e o bizarro, com incursões no burlesco.

E que bem que sabe estar num país onde falo a língua das pessoas, tão simples de recolher informação, perguntar qual o autocarro certo para onde eu preciso de ir. Para o aeroporto não há, já sabia, mas fica lá perto, deixa-me a um pouco mais de 1 km do terminal, o que serve perfeitamente apesar de que nesta terra nunca se sabe quando o céu desaba numa chuva de proporções épicas.

Tinha falado em burlesco? O melhor estava para vir. Entro no autocarro que me indicaram e o condutor é uma personagem única, um homem negro com mais de setenta anos, barbicha, que olha para mim com um golpe de vista sagaz enquanto me confirma que sim, que me deixa aquela distância do aeroporto.

Sento-me. Espero. Passado um bocado entram mais pessoas. Atrás de mim instalam-se duas senhoras que falam inglês à Jamaica, o que me faz sorrir por diversas vezes.

Por fim arrancamos e quando o fazemos o avôzinho do volante acende um grande charro que enche o autocarro daquele aroma que sabemos. A história não acaba aqui. Vem o cobrador. E quem é o cobrador? A esposa do condutor, claro. Com os mesmos setenta anos ou mais e uma barbicha quase tão forte como o marido. Que loucura, que forma de encerrar a minha viagem pela América Central! Em grande!

Quando saltei do autocarro, em andamento, como mandam os preceitos locais, vinha com um grande sorriso na face. Caminhei satisfeito para o terminal, sem chuva, com algum suor. E estava a caminho da Colômbia.

Não sei se já tinha explicado como é que a Colômbia foi incluída numa viagem a América Central. A verdade é que descobri por acaso e, acrescentaria, por milagre, que depois de chegar  à ponta oposta da região, me sairia um pouco mais barato voar para a Colômbia e de lá para o Panamá, do que directamente para o Panamá. Foi uma benção. Adicionei a Colômbia ao plano e ainda poupei uns Euros.

Voei com a VivaColombia, uma espécie de Ryanair colombiana, rasca e barata mas sem problemas. Problema foi em Cartagena. Depois de conseguir um taxista menos desonesto, acordo monetário feito, não consegui que ele percebesse a morada do meu hostel, que era relativamente próximo do aeroporto. A culpa não era dele, do taxista. A morada era ambígua, como vim a descobrir. É que há várias ruas com o mesmo nome, distinguível pelo bairro. E o pobre do motorista só me perguntava que bairro e eu não sabia dizer.

Felizmente tinha aquilo no GPS, mas com pouca certeza. Lá parámos onde eu disse e a seguir novo drama, porque o hostel parecia fechado há meses e nem traços de vida. Toquei à porta, bati. E aí o taxista revelou uma honestidade que não estava à espera: recusou-se a deixar-me ali sozinho, mesmo depois de eu lhe dizer que já tinha feito a sua parte e que me desenrascaria. E depois de muita insistência, dele ligar com o seu telefone, lá veio alguém abrir a porta. Não gostei de nada ali. Felizmente foi só por uma noite, que passei sozinho num pequeno dorm.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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