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Argélia 2018 – Dia 6

Foi preciso acordar muito cedo, ainda de noite. O pobre do Abdou, claro, tinha-se prontificado a assegurar o transporte para o aeroporto e apareceu lá em casa num estado que metia pena. Enquanto saíamos e não saíamos adormeceu no sofá.

Bem, lá fomos, a despedida, com um abraço sentido e mais uma vez um voo à hora e sem problemas com a Air Algeria que nos deixou no terminal doméstico de Argel com algum tempo para gastar até à ligação para Constantine.

Estes voos foram uma benção. São muito baratos, a rondar os 25 Euros, e poupam imensas horas na estrada ou na ferrovia, horas que numa viagem curta como esta são preciosas.

O terminal doméstico é agradável, com lojas diversas e um café na pequena área junto às portas de embarque. Passou-se bem o tempo e logo se estava a voar para Constantine, de novo, e pela terceira vez, um voo a cumprir horários mas com um pequeno problema: como fui dos últimos passageiros a entrar não encontrei lugar para a mochila e mandaram-na lá para baixo, com todos os bens preciosos… stress… não sei como é na Argélia, mas numa situação assim noutros países é certo que resulta em roubo.

Vou o voo todo a recriminar-me por me ter deixado levar assim, porque na altura deram a entender que a iam arrumar no fundo da cabine e afinal, foi lá para baixo… bem, não houve crise… aterrámos, fui para o terminal e lá veio a minha mochila. Já eu estava na companhia do próximo anfitrião, o Bilal. Pois é, os aeroportos na Argélia são um bocado liberais… ele já tinha entrado para a área da recepção de bagagens, com a pequena filha dele.

Estava lá tudo. Os 300 Euros em dinheiro, a Nikon e o computador. Menos mal. Vamos então no carro dele. Primeiro deixaremos a menina na aula de natação e depois teremos direito a uma visita guiada, sumária e motorizada, pela periferia de Constantine, ficando o centro para o dia seguinte.

Infelizmente, ou talvez não, algo correu mal: após aterrarmos na cidade numa encantadora tarde de Primavera plena de sol, caiu subitamente uma tempestade sobre Constantine, e a chuva que se precipitava sobre o carro era verdadeiramente apocalíptica.

Então este périplo fez-se com saídas fugazes do carro entre picos de tempestade, o que não foi muito conveniente para ver as vistas mas trouxe um ambiente de aventura e de experiência única para o passeio.

Fomos vendo as famosas pontes de Constantine e o desfiladeiro que cerca a cidade e que faria dela um formidável desafio para qualquer exército que a ousasse atacar. Havia também que recolher outro couchsurfer que estava a ficar com o Bilal, um alemão, de quem não gostei muito no primeiro contacto mas que no fim ficou meu amigo e se revelou um tipo bem porreiro com quem partilharia vários momentos de viagem.

Entre saraivadas de chuva e períodos de chuvisco lá fomos vendo umas coisas, o Bilal a dar-nos noções básicas da geografia da cidade, indicado locais e vias para a visita do dia seguinte.

Lá parámos o carro, o Bilal foi à procura do alemão, coitado, sob pesada chuva, e passado um bocado regressaram os dois ao carro. Agora iríamos recolher e pequenita da aula de natação e depois visitaríamos a mesquita grande de Constantine.

Entretanto a noite ia chegando e quando entrámos no recinto da mesquita já as luzes se acendiam. Estava um ambiente fantástico. A chuva tinha limpo a atmosfera e agora que tinha parado as nuvens criavam fantasias brancas lá em cima, enquanto que o amarelo das lâmpadas que envolviam o templo criavam um contraste de temperatura de cor muito curioso.

Entrámos na mesquita. Na Argélia, e ao contrário do que sucede em alguns países muçulmanos como Marrocos, todos são bem-vindos ao interior das mesquitas, sem distinção de religião. É um amplo espaço, muito sossegado aquela hora. Algumas pessoas encontram-se em reflexão no seu interior.

Já cá fora, tirei umas dezenas de fotografias. A luz estava perfeita e o edifício revelava-se fotogénico. Criou-se um daqueles momentos em que não consigo parar de clickar. Foto! Foto! Foto!

Bem, por fim metemo-nos no carro. Iríamos para casa e na realidade já era quase de noite. A caminho fizemos uma paragem para observar o pôr-de-sol. Estava fantástico, com o céu já a limpar e o laranja daquela última luz do dia a ser muito forte, vendo-se os minaretes da grande mesquita, lá ao longe, recortados contra o céu.

Chegámos a casa. Um apartamento novo, muito limpo, localizado numa urbanização nova nos subúrbios de Constantine. Passámos o serão a conversa, o Bilal ofereceu-nos jantar, foi muito agradável. Com aquela coisa cultural de ser estranho a mulher dele não tomar a refeição connosco.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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