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Ásia 2017 – Dia 02 – Dubai

Este foi um daqueles dias bons de uma viagem, onde se faz muito e quase tudo sai bem. Acordar relativamente cedo e ver que lá fora está um solinho bom.

Pelas dez e meia estamos na rua. Caminhamos com calma junto ao canal, vamos tentar chegar a pé ao Dubai Mall, devem ser uns 3 km. O tempo está agradável e o passeio será uma das boas memórias destes poucos dias no Dubai. De repente estamos lá, junto ao enorme edifício, o mais alto do mundo, mesmo junto ao centro comercial.

Vou fazer hoje tudo o que o Ashraf recomendou na véspera, começando por uma vista à loja da Columbia, que está em saldos. As botas que trouxe de Portugal – Quechua – estão a matar-me os pés. Não lhes dei rodagem porque nunca precisei de o fazer com esta marca, mas com o modelo que comprei poucos dias antes da partida as coisas estão a correr mal.

Na Columbia havia alguns modelos de “ténis” a preços agradáveis e com um design bonito, mas nenhum me caía mesmo bem nos pés e acabei por sair sem nada.

Depois foi ver o aquário gigante que existe no shopping. Passear um pouco, meter o nariz em algumas lojas. Sair para a rua, passear por ali por perto, o coração da terra da ostentação.

Tempo de caminhar até ao metro, rumo ao núcleo histórico do Dubai, hoje uma espécie de cidade museu, onde todas as casas foram restauradas e modernizadas, para depois serem adaptadas a novas funções: restaurantes, pequenos museus, centros de cultura.

Para lá chegar saímos na estação de metro de Al Fahidi e deu-me fome. Como não, aquilo estava cheio de restaurantes. Não foram precisos 100 metros para me render e entrar no Mezbaan. Que maravilha de refeição. Com uns 8 EUR enchi-me de delícias da cozinha paquistanesa, empurradas por um lassi de manga delicioso. Foi uma almoçarada que me deixou satisfeito durante horas. Só comi de novo ao serão.

Depois, descer a rua até Bastakiya. É uma área interessante, genuína, afastada da floresta de enormes torres a que as pessoas geralmente associam o Dubai. Mas do tal centro histórico, onde se chega depois de uns 650 metros, não gostei. Muito pouco natural, 200% turístico, não é a minha onda.

 

Seguiu-se o souk, que estava basicamente encerrado aquela hora, com apenas algumas lojas abertas. E depois, o Museu do Dubai, instalado num antigo forte e prisão. O bilhete é simbólico. Que dizer deste museu… visita-se! A qualidade da exposição não é grande coisa, mas dá para entreter e fica a curiosidade de visitar a fortaleza por dentro.

A ideia era passar pela Heritage Village, mas depois de um passeio que nos levou pela margem do vasto canal, junto às estações de barcos usados pela multidão de trabalhadores que mantêm a cidade do Dubai a funcionar, descobrimos que a “village” estava encerrada para remodelação. Tinha chegado a hora de meter as botas no saco e calçar as Havaianas que tinha comprado no shopping por um preço fabuloso.

O dia já ia avançado mas estava pronto para mais aventuras. Vamos lá então atravessar o canal. Os barquitos são cada vez mais, agora que a hora de ponta se aproxima e os trabalhadores regressam aos seus alojamentos. São mão-de-obra barata, gente do Paquistão, do Sri Lanka, da Índia. Os barquitos chegam, enchem rapidamente com pessoas que se sentam de um lado e de outro do banco corrido e logo se dirigem para a margem oposta, para uma das diversas estações existentes. O trajecto custa apenas 1 Dirham, cerca de 0,25 Eur.

O canal fervilha de movimento, todo o tipo de embarcações sulca aquelas águas, um enxame de motores e cascos que se movimenta. É um ambiente fabuloso, cuja vivência se recomenda em qualquer viagem ao Dubai.

Do outro lado esticamos um pouco as pernas (como se já não tivessem sido bastante esticadas…) e vamos espreitar o amontoado de barcos de transporte tradicionais que se encontra no cais. Um exército de estivadores carrega-os com as mais diversas mercadorias. Vê-se de tudo e fico a matutar para onde irão aqueles bens. É um cenário pitoresco, que não deve ser perdido.

Numa das estações dos “nossos” barquitos, um par de polícias à paisana faz uma verificação de identidade aos passageiros que desembarca. Procuram certamente trabalhadores ilegais, emigrantes sem documentação em conformidade. Ficamos uns minutos a ver aquilo. Até que decidimos iniciar o regresso.

A viagem de regresso traz-nos já quase de noite. Já na margem certa do canal ainda cirandamos, até porque entretanto o mercado já funciona a todo o vapor. Aquilo é claramente uma zona de residentes indianos. Paramos para um chá masala, delicioso, barato, num café muito local. E de seguida, toca a andar rua acima, para o metro que nos há-de levar ao Dubai Shopping. Falta acertar as contas com mais uma das coisas que o Ashraf nos tinha recomendado: o espectáculo de repuxos da fonte.

Compro um cartão de memória para a câmara. 128 Gb por 30 Eur, muito bom preço. E depois, tomar posições para o espectáculo, que sendo bonito decepcionou um pouco. Que raios, afinal estamos no Dubai! A enorme multidão que se acumula em continuidade para assistir aos espectáculos que se sucedem de meia em meia hora parece ter gostado bastante.

É agora hora de regressar a casa, muito cansados, mas mesmo assim a caminhada de 3 km faz-se bem. A noite está agradável, é um passeio que até sabe bem. Para outro serão de futebol com o Ashraf.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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