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Ásia 2017 – Dia 06 – Nizwa, Omã

O carro esperava à porta para o início da aventura. O Majeed tinha providenciado tenda, um edredon quentinho e um saco cama extra. Este seria um dia de adaptação, nas calmas, em direcção a Nizwa, mas deixando a chegada para a manhã seguinte.

A primeira paragem da rota foi em Fanja, onde fomos encontrar o núcleo histórico da localidade em ruínas. Um padrão que se repetiu ao longo da viagem no Omã. As pessoas simplesmente abandonaram as casas antigas. Não deixaram a aldeia, criaram uma nova, ao lado. Para nós o pior mesmo foi a dificuldade repetida em encontrar estas aldeias fantasmas, sempre em locais pouco evidentes, escondidos.

A de Fanja encontrámos, quase por acaso. As indicações do The Rough Guide to Oman foram basicamente inúteis. Mas lá chegámos. O que não encontrámos foi o castelo e o falaj de Fanja, um dos cinco que, colectivamente, constituem um local classificado da UNESCO.

A situação repetiu-se em Bidbid, Sumail, Izki e Birkat Al Mawz. Castelos e aldeias abandonadas. Um desafio para os encontrar. Fez-se assim o primeiro dia na estrada e tenho que dizer que não foi a mais excitante das jornadas.

Certo, aquelas aldeias deixadas para trás, feitas de edifícios de adobe tinham que ser interessantes para quem como eu adora locais abandonados. Mas a similaridade entre elas e as dificuldades em as encontrar, as rondas pelas localidades, que se estendem muitas vezes por quilómetros, com passagens apertadas, um carro todo finório a que não estava habituado a conduzir, trouxeram uma nota negativa a este primeiro dia. Se naquela altura soubesse o que sei hoje, teria ido direito a Nizwa, sem estas paragens. Teria usado o dia para depois explorar um pouco a costa oceânica e as suas aldeias de pescadores.

Em Bidbid visitámos – gratuitamente – o nosso primeiro forte omanita. O primeiro de vários, até que às tantas era mais um e nem olhávamos quando passávamos por ele. Este foi engraçado. Aparentemente tinha sido acabado de restaurar – assim o parecia e o guia dizia que se encontrava ainda encerrado. As salas estavam referenciadas com cartazes que indicavam as suas funções, mas nuas no interior. Além disso o forte encerrava às duas e só tinha vinte minutos para lá estar… foi a correr que subi às torres que se elevam a meia colina, e pronto, foi o tempo certo para sair, despedindo-me do guarda.

Entretanto o dia cinzento retirava-me mais um pouco da alegria de viajar, especialmente por locais onde o sol faz falta, é parte do cenário, do imaginário, ingrediente vital para a fotografia.

E passou-se assim. Chegava o fim da tarde, e era hora de encontrar um local para acampar. Uma estrada de asfalto com pouco movimento que saía do eixo primcipal para Nizwa prometia ser um bom começo. E de facto, passado algo como um quilómetro, havia caminhos de terra batida, deserto dentro. Encontrámos um cantinho com alguma privacidade, com uma árvore por perto e de facto desde aquele momento até à meia-noite, apenas duas viaturas passaram ali perto.

Foi uma boa escolha, a primeira experiência de campismo e tudo correu bem. Agradável jantarinho com a última luz do dia e depois fazer o que a escuridão permite: ler no Kindle e dormir.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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