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Ásia 2017 – Dia 15 – Tissamaharama

Pela segunda vez ficou sem efeito o plano de acordar com o sol para visitar o forte de Galle sem a maré de turistas, de carros e de tuk-tuk. Ontem tinha sido a chuva, hoje, apenas o sono… acordei já passava das nove e quando olhei pela janela só vi um azul sem fim lá em cima.

Assim sendo, foi o tempo para sair sem grande pressa. Vamos a pé para a estação de autocarros, em busca do transporte para Tissa. Chegados à área a coisa começou por não correr bem, Ninguém indicava com precisão onde encontrar o autocarro certo. Aqui, ali, ali, acolá. E nada de autocarro para Tissa. Por fim um jovem condutor de tuk-tuk apontou o autocarro certo, sem margem de dúvidas… aquele ali, o vermelho, com o tipo vestido de azul. Não tem nada que saber.

E era mesmo! Ainda por cima estava de saída, foi sorte, porque é uma ligação que sai para ai uma vez por hora. No caso, foi o tempo de atravessar a estrada para comprar um saquinho de manga cortada às tiras para comer à laia de pequeno-almoço e logo nos fizemos à estrada.

Fica a dica para quem precisar, o autocarro encontra-se do lado da lá da estrada, oposta à estação, como quem vai para o forte, logo no início, do lado direito. O bilhete foi 189 Rupias

Em linha recta são 117 km, mas ao fim de uma hora de caminho ainda faltavam 114 km. De resto o total da viagem foi de três horas e pouco, bem longe dos relatos de cinco horas que tinha encontrado na Internet.

Uma viagem assim é difícil de colocar em prosa. É rolar e ver. Ver polícias de uniforme caqui a fazer de sinaleiros e outros em operações stop, pescadores na faina, pescado em mercados, barraquinhas de fruta, casas coloniais decrépitas, traços do tsunami, autocarros suicidas que se cruzam, templos budistas e mesquitas, senhoras de saris coloridos, salinas, arrozais verdes verdinhos e palmeiras, selva e comboios que passam paralelos à estrada, meninas de uniforme escolar, cidades movimentadas, fortes holandesas, praias e turistas branquelos, portos de pesca, aves exóticas, senhoras que estendem a roupa. É muita coisa que se vê, mas pouca coisa para dizer. E o ambiente muda, cada vez há menos turistas à vista à medida que nos afastamos da costa.

Chegamos a Tissa e saimos antes da estação, bem mais perto do Cabana Riverside. É um instantinho, são 850 m mas está muito calor, o céu continua azul mas como por magia acabou de cair uma chuvada, a atmosfera está super húmida e suo a bem suar.

Chegamos e gostamos. Houve umas confusões com as marcações e recebemos um alojamento bem melhor, uma cabana elevada, metida dentro da selva, com vista para o riacho que dá o nome ao estabelecimento. Muito bom e altamente recomendado. Vamos sair, aproveitar para dar uma vista de olhos na localidade e levantar dinheiro.

É um passeio muito agradável. Muitissimo. A temperatura desceu e está agora ideal para passear. Pela estrada vamos, vendo de perto as pequenas lojas e as pessoas nas suas lides diárias. Vamos andando, compramos uns bolos numa padaria, bebemos uma água de côco numa venda de beira de estrada. Chegamos ao lago, um lago artificial quase milenar, o ambiente é fabuloso, as pessoas da Tissa andam por ali, é um ponto de reunião social, de descontracção. Familias inteiras fazem piqueniques e banham-se naquelas águas. Senhores de ar respeitável fazem o mesmo e até se ensaboam. Há mesas à disposição de quem quiser parar para uma refeição. Árvores majestosas criam ilhas, ao longe as montanhas recortam-se contra o céu. No asfalto está um crocodilo espalmado. Ratinhos e sapos assim prensados é coisa para meninos. Em Tissa é mesmo com crocodilos.

Seguimos caminho, passamos junto a um enorme monumento budista onde se dirigem bastantes pessoas. Tudo rodeado de arrozais. Agora entramos no centro, temos problemas para levantar dinheiro, com o VISA Electron não vai dar, tem de ser com o VISA normal. Missão cumprida. É preciso este capital para o safari de amanhã que nos fará levantar às quatro da manhã.

Negociar um tuk-tuk para regressar, que se faz tarde e o cansaço não perdoa. Vai ser tempo para relaxar, tomar um duche e jantar. Lá for a um exército de macacos enche de vida as árvores em frente da varanda da cabana. Quanto ao jantar, será um sortido de caris, são uns 6 ou 8, com muito arroz, e um copo de sumo de ananás, e a refeição custa apenas 3 Euros. Depois é preparar para dormir, porque a noite vai ser curta.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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