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Ásia 2017 – Dia 17 – Tissamaharama, Hambantota

Último dia em Tissa, que seria essencialmente de repouso. Pequeno-almoço tomado nas calmas no “hotel” e depois de uma passagem pelas obrigações de trabalho, para a rua, em busca de um autocarro para Hambantota, uma povoação pesqueira por onde passámos a caminho de Tissa, cerca de 20 km antes.

O percurso foi feito de forma rápida e logo chegámos à estação de autocarros de Hambantota, bem no centro da cidade. O porto de pesca é mesmo ali, logo após o mercado do peixe. Por lá encontram-se umas dúzias de embarcações, não muito diferentes das que se avistam nas cidades pesqueiras portuguesas.

O pessoal é simpático. Muitos fazem questão de cumprimentar, de trocar algumas palavras. Falei um pouco mais com o Sharif, o jovem proprietário de uma embarcação, que estava lá com a sua tripulação. Trabalhou uns anos no Dubai, amealhou o dinheiro para comprar o barco e agora explora este negócio. Não se faz ao mar, diz que vomitaria logo tudo. Dá-me o seu número de telefone, sublinhando que se tiver em apuros no Sri Lanka que lhe deverei telefonar. Oferece uma ida ao mar para observar a faina, com a simpática tripulação. Tentador mas… hum… não.

Andamos por ali um pouco, a ver as actividades e a apreciar o colorido do porto e das embarcações. E depois saimos, seguindo as indicações do Sharif, que me disse como encontrar as antigas casas coloniais inglesas, algumas delas deixadas ao abandono. Uma não está, aquela onde viveu o irmão de Virgina Woolf, logo antes do museu, que se encontrava fechado.

Exploramos uma enorme casa abandonada, vamos espreitando outras coisas, como um pequeno aquartelamento dos Engenheiros Reais, também deixado sem uso. Logo a seguir descobrimos um faro e um forte circular, e logo um militar e um civil surgem para nos abrir a porta do forte e nos convidar a visitar.

Entretanto o céu torna-se escuro. Vamos andando para baixo quando uma loja de frutas nos chama a atenção. E que tal um sumo? Boa ideia. Sentamo-nos na única mesa do estabelecimento. Primeiro vem um sumo de papaya. E a 0,40 Eur por cada copo logo peço outro, desta vez de banana. Começa a chover a sério. Que seja, venha mais um, outro de banana que o último estava excelente. Um belo momento.

Em frente fica a estação de correios e apesar da chuva diluviana as pessoas continuam a chegar e a partir. Um tuk-tuk para e uma menina de uniforme escolar sai de lá e abriga-se na loja. A filha da senhora, se calhar. Uma cabra tenta abrigar-se também mas é impedida pelo senhor mais velho. Uma velhota com um enorme sorrido, vestida de forma tradicional chega e pede uma moeda. Dou. O sorriso mantém-se, a senhora é um dínamo de energia positiva e de boa disposição. Nunca vi um pedinte com uma atitude assim. Compra uma peça de fruta e vai-se, sempre toda sorrisos. Deve ser mesmo especial, porque as pessoas que estavam lá na loja ficam também a sorrir e a comentar.

Entretanto a chuva pára. É o sinal para nos pormos a caminho. Perto da estação, vimos uma loja de computadores que faz o que eu preciso: impressões e digitalizações. Ali conhecemos o Zahir, que nos dá uma boa ajuda com o seu bom inglês e nos passa informações úteis. Quando nos despachamos convida-nos para um chá na loja do lado, do seu melhor amigo. Conta-nos a sua história. E depois leva-nos ao estabelecimento de outro amigo, na praia, onde há Wi-Fi que eu preciso mesmo para concluir uma delicada tarefa de trabalho.

Um bom passeio por um bairro habitacional de Hambantota, a terminar no café da praia onde também se alugam quartos, numa excelente posição. No areal um barco larga redes, que são puxada por uma vasta equipa. Ao contrário do que acontecia em Galle aqui não há turistas, só os homens do mar.

Quero regressar a Tissa porque preciso de trabalhar um pouco. O Sahir caminha connosco, leva-nos aos autocarros, certifica-se que apanhamos o certo, que está de saída. Há-de nos deixar praticamente à porta de casa. O resto do dia passo a despachar trabalho e a descansar, com o belo caril para o jantar. O Riverside Cabana deixará saudade e recomenda-se.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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