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Ásia 2017 – Dia 22 – Kandy

Este foi um grande dia! Tinha encontrado para aqui no Geocaching uma ideia gira para passar pelo menos parte de um dia nos arredores de Kandy, caminhando e vendo uns templos menos conhecidos e a ideia agradou-me.

O autocarro para Embekke apanha-se na estação de camionagem principal de Kandy. Não foi difícil de encontrar. Como sempre no Sri Lanka, basta perguntar, perguntar… há sempre alguém para indicar, para sorrir, para facilitar o que poderia ser complicado. Embekke. Autocarro. Sim, este, não? Aquele? Obrigado, obrigado. E e bordo, para o primeiro templo do dia, pela manhã, que vai prometendo.

O céu está bem azul, calor, claro, isto é o Sri Lanka, há sempre, mas hoje nem por alem. Óptimo mesmo. A bordo do autocarro uma atmosfera suburbana feliz, muito cheio, à pinha. Temos lugares sentados mas o corredor vai-se enchendo. São as pessoas que voltam à aldeia depois de virem a Kandy trabalhar ou tratar de algum assunto ou que vão simplesmente visitar alguém nos lugares dos arredores. Mais sorrisos, sempre aqueles bonitos sorrisos. Estrangeiros, aqui, uma visão rara, que desperta interesse. Já vão metendo conversa, toda a gente quer ajudar, ter a certeza que não nos perdemos, que chegamos de forma certinha ao destino.

O “picas” pensa o mesmo e nem é preciso explicar-lhe onde vamos. Já sabe que quem vindo de fora se mete no seu autocarro naquela rota quer ir para o templo de Embekke, formalmente Embekka Devalaya. Quando chega a paragem certa, chama-nos, diz que chegámos. Confiamos, até o GPS que levo pendurado ao peito concorda, estamos perto. Mas ainda é preciso andar um pouco.

Aquilo transpira serenidade. Vamos andando, encontramos uma oficina de um talhador de madeira que nos mostra o seu trabalho. É mesmo ao pé dos restos de um templo milenar, mas ao contrário do que pensamos não é aquilo ao que vimos. Não, o Embekka Devalaya é mais à frente e até é preciso comprar bilhete. O valor é quase simbólico, já nem me lembro, talvez 1 Euro, em moeda do Sri Lanka. Por ali sim, existem outros estrangeiros, que chegaram de carros particulares ou mesmo em pequenos tours.

O que este templo do século XIV tem mesmo de especial são os pilares dos seus três recintos principais, que apresentam maravilhosos trabalhos de talha na madeira com um detalhe incrível. Dá vontade de fotografar cada centímetro!

Saímos por fim. As casas que rodeiam o templo mostram que mesmo ali, num ponto que nos pareceu tão remoto, o turismo no Sri Lanka é activo. Mas também é verdade que muitos dos visitantes são cingaleses que aproveitam o fim-de-semana para visitar estes locais sagrados.

E agora, façamo-nos ao caminho, que são uns poucos quilómetros até ao próximo dos três templos que trazemos em carteira para visitar hoje. Uma primeira subida faz-nos lembrar que estamos num clima tropical, já dá para suar um pouco, mas logo as árvores altas trazem-nos a tão desejada sombra. Passamos por pequenas aldeias, num postal ilustrado contínuo da vida local por estas paragens. Lojinhas, algumas fechadas porque é fim-de-semana, outras abertas. Crianças que brincam ou andam de bicicleta, pessoas que nos olham por um instante, curiosas.

Fazemos uma pausa numas destas pequenas lojas, onde uma senhora está com o seu filho. Esvaziamos o conteúdo do coco que nos vende ali sentados, num muro, bem à sombra. Com calma, como o exige o ambiente. À nossa frente um autocarro descansa também, a sua tripulação tirando uma soneca no interior.

Prosseguimos, deliciados com tudo aquilo. As árvores frondosas dão lugar a campos de arrozais, ao longe passa um tuk-tuk, a caminho de casa de alguém, por um caminho estreito entre os campos verdes. Estamos a chegar ao segundo templo, este é diferente, é mais um mosteiro, menos histórico, mais espiritual: Lankatilake. Cá em baixo ao pé da estrada um senhor come fruta e oferece-nos pedaços de manga.

Agora há que subir, passando primeiro por uma área onde os monges vivem, e chegando lá acima, ao templo mosteiro. A vista é grandiosa. Há pessoas por ali e, surpresa das surpresas, encontramos o nosso amigo polaco, que seguiu a dica que lhe tinha dado sobre esta rota dos mosteiros. Lá ficamos um pouco à conversa, até se fazerem horas de prosseguir para o terceiro e último.

Também este se encontra no alto. Chama-se Gadaladenyia e de certa forma parece-se com o anterior: foi construído num alto e tem uma atmosfera de mosteiro. Mas é claramente mais importante, há muita gente e de um lado, oposto aquele em que entramos, há acesso de estrada mesmo até aos portões. Veem-se autocarros e viaturas. Há um pequeno lago com nenúfares e lá somos capturados para o pagamento do bilhete. Neste terceiro e no anterior, como entrámos pelo caminho menos provável, não encontrámos uma bilheteira, mas eles encontram-nos.

E pronto. Está visto. Foi, como disse no início, um dia em grande e agora restava regressar a Kandy e ao barulho do hostel. Foi simples, descer uma rua que conduzia a um dos acessos principais à cidade. A confusão é imensa lá em baixo. Vendedeiras, trânsito, pessoas que circulam. É como se toda a cidade se tivesse ali concentrado naquele momento. Lá perguntámos onde era a paragem de autocarros, que encontrámos depois de algum esforço. Logo passou um, que nos transportou até ao centro.

 

O dia estava a acabar mas ainda havia mais para acontecer: deu-me um desejo súbito de comida ocidental depois de ver um pacote vazio do Burger King, mas encontrar o respectivo restaurante foi mais difícil do que poderia imaginar. Informações contraditórias, vai daqui, vai dali. Calor, sim, mesmo ao fim do dia, calor, suor, cansaço, mas sonho com um hambúrguer e batatas fritas. Custou mas foi, encontrámos, dentro de um centro comercial obscuro, numa rua obscura. A questão é que com todas aquelas voltas descobrimos uma Kandy que não sabíamos existir, com edifícios clássicos, coloniais. Quase que íamos perdendo esta parte da cidade… é verdade que é uma pequena parte, mas aquela passeio apressado ao fim de um dia que se tornava noite soube bem e foi uma excelente forma de nos nos despedir.

O jantar foi no pequeno restaurante ao pé do hostel, já nosso conhecido. Um jantar simples e económico, num ambiente familiar, de vizinhos que ali vão buscar algo para comer, quase todos para levar para casa.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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