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Ásia 2017 – Dia 50 – Singapura

Este foi um dia daqueles que às vezes acontecem em viagem, especialmente quando há muitos dos bons em sucessão. Vamos lá ver, por um lado, depois de um par de dias com um clima ideal, os dois dias finais em Singapura não foram tão simpáticos. E por outro lado, estava exausto depois das muito longas caminhadas, a totalizarem cerca de 50 km feitos a pé nos dois dias iniciais. Então o quarto e último dia foi para relaxar. Não que já tivesse esgotado a cidade, porque não foi isso que aconteceu. Tinha feito uma lista e ainda havia uma mão cheia de locais que eu gostaria de ver, mas a cidade esgotou-me a mim, isso sim. No bom sentido.

De manhã fiquei em casa. Chuva, muita chuva. Sem problema, soube-me bem. Estava fisicamente cansado e acho que foi melhor assim. Se tivesse um dia lindo, não lhe poderia dar o uso merecido. E é preciso não esquecer que em Singapura está sempre calor, muito calor, tropical. Que desgasta, claro.

A Felicia desafiou-me para um brunch com a cadela dela. O que eu não sabia era que isto seria de forma literal. Depois de uma caminhada com mais chuva em cima, chegámos a uma espécie de restaurante que aceitava animais. Mas não só os aceitava como os servia. Um menu para as pessoas e outro para os peludos. Os preços eram, enfim… para cima. E foi assim que me fiquei com um crepe com banana, gelado e chocolate quente, por uns 9 Euros. Era basicamente a coisa mais barata do menu, mas devo reconhecer que estava delicioso e servido numa quantidade generosa. A cadela, sorveu em 30 segundos um pitéu de 12 Euros. Isto fez-me confusão. A assimetria. Pensar que pela maior parte do mundo há pessoas que podia alimentar-se dias ou semanas com 12 Euros e não o fazem, passam fome, e em Singapura um cão devora em 30 segundos este valor numa comida que para ele não faria diferença se fosse de ração barata.

À tarde fui dar uma volta. Nada de especial, queria despedir-me desta cidade que tanto me encantou e comer de novo em Little India, naquele restaurante barato e com comida deliciosa. Entretanto o meu grande amigo KB Lim, que me deu abrigo em São Tomé e Príncipe já por duas vezes, e por duas semanas cada, estava de visita à sua família e neste dia seria possível um encontro. A ideia era ele ir ter comigo a Little India mas atrasou-se e deixou-me a almoçar (ou algo assim, porque eram umas quatro da tarde) sozinho. Tudo bem, ficou adiado. Ele iria ter ao bairro da Felicia.

Passei de novo pela loja de Tofufa, comprei para mim, para ele e para mim, para o pequeno-almoço do dia seguinte. Já apetrechado com a sobremesa encontrei o KB na “minha” estação de metro. Comi ali qualquer coisa, porque ele iria jantar num restaurante chinês e isso é coisa que não é para mim. Foi um serão muito agradável, onde tivemos conversa de qualidade, tempo de qualidade, de amigo para amigo. Um bom bocado, culminado por um tour do bairro por quem, sabe, porque o KB Lim, para além de ser de Singapura andou no liceu mesmo ali ao pé.

Quem diria (bem a Felicia já tinha dito e sugerido uma visita) que ao fim da rua dela, por assim dizer, era uma zona de “ataque” de meninas vietnamitas? Então ali estava eu e o KB, a passear naquele ambiente um pouco louco. E ainda por cima, é uma zona histórica da cidade, o que também vem como uma surpresa, considerando que está relativamente afastada do centro. Foi interessante e uma excelente forma de encerrar a minha passagem por Singapura, a ouvir memórias da juventude deste tipo que tem exactamente a minha idade, falhando apenas por uns poucos de dias.

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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