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Ásia 2017 – Dia 51 – Yogyakarta

Acordei, a Felicia ainda dormia. O tempo continuava chuvoso. Tomei o pequeno-almoço, as duas doses de tofufa que tinha comprado a mais na véspera. A minha amiga levantou-se para se despedir de mim. Estava na hora de deixar para trás este local onde fui tão feliz durante estes dias. Maravilhosa Singapura, ao contrário de todas as previsões, sobretudo de outras pessoas, adorei passar por aqui. Gostei de tudo. Do oásis de organização e salubridade a meio de uma viagem asiática de quase três meses, do cruzamento de culturas, da facilidade com que tudo acontece, e mesmo dos preços, dos famosos preços de Singapura que afinal não são assim tão maus.

Caminhei pela última vez para o Metro. Ficou aquela saudade antecipada de se ver pela última vez um local onde se esteve tão bem. Fiz o caminho da chegada, hoje de forma invertida. Mudar de metro, fazer o último troço, que funciona como um ramal, até ao aeroporto. O voo para Yogyakarta seria uma coisa simples, uma travessia directa que demoraria pouco mais de uma hora.

E a chegada, um novo país, sempre aquela emoção irracional que sinto quando entro num novo país. Uma fronteira fácil, não é necessário visto para a Indonésia, apenas o passaporte e receber o tal carimbo e de repente estou na rua, a enfrentar o calor, talvez mais intenso do que em Singapura. Continuo a gostar da Air Asia, uma companhia low cost simpática e descomplicada, com políticas agradáveis e aviões com interiores de qualidade.

Foi um pequeno drama para encontrar a paragem de autocarro à saída do terminal. Talvez porque não sendo longe, não é bem no terminal. É preciso sair um pouco, mas está logo ali. Para quem a vê. No meu caso, fui dar uma volta enorme, literalmente, caminhei em círculo e depois de uns 500 metros, estava a entrar na zona outra vez, graças a um autocarro que vi entrar e que segui. Suava, tanto, que me podia afogar em suor. Calor, hora de máximo calor, carga máxima às costas e aquelas andanças com uma pontinha de stress. Quase que uma “tempestade perfeita”.

Lá cheguei e aquilo não era bem uma paragem no sentido que geralmente entendemos. Era mais uma plataforma elevada, com uma cancela, como uma micro estação de metro. Paga-se ao entrar e depois espera-se lá dentro que chegue o autocarro que queremos. Que no caso de Yogyakarta também não é bem um autocarro, mais uma carrinha grande. Com a ajuda do pessoal de serviço, meti-me na que me convinha, que passava na Maliboro, a avenida principal da cidade e perto da qual vou ficar num hostel.

Foi simples encontrá-lo, depois de quase ter sido enganado, o que não é muito fácil. Nada de especial, uma treta que pretende angariar turistas para locais onde se vendem quadros e decidos estampados com uma técnica geralmente conhecida como Batik. E a conversa é que há uma exposição de artistas, que a entrada é livre, e que hoje é o último dia… cria-se uma sensação de urgência na pessoa que acaba por ir com quem o aborda. Não é uma burla nem nada disso, mas tem que se levar com a tentativa de venda. Estive quase a engolir, mas pressenti algo na insistência e baldei-me.

Gostei logo do hostel, perto mas numa rua sossegada. Gostei do ambiente, da decoração, do dormitório. Escolhi bem! Vou passar aqui uns dias, tirei-os para abrandar um pouco e ainda bem. Comprei uma cerveja bem gelada de meio litro, que é cara. A cerveja é cara na Indonésia. Custou 3 Euros. Mas valeu cada cêntimo. Descontraí, recuperei. Saí para a rua, a chuva ameaçava, caía de vez em quando.

Não fui muito longe, desci a avenida até ao fim, dei meia-volta, tornei a percorrê-la, até ao topo, visitei a estação de comboios, ali perto, só porque sim. Pelo caminho aventurei-me num mercado que estava a fechar, já com muito poucos vendedores, e negociei alguma fruta, uma variedade cujo nome não sei e que é relativamente comum nesta parte do mundo. Há quem lhe chame “olhos de gato”.

A noite estava a cair. A rua Maliboro cheia de gente. Artistas de rua. Turistas nacionais, pessoas que saem do trabalho. Um ambiente louco. Foi das melhores memórias que guardei da cidade, este fervilhar. Quando regressei já era de noite. Mas ainda houve tempo para uma experiência memorável, que conto em detalhe aqui. Em “casa” petisquei alguns mantimentos que ainda tinha e parte da fruta que comprei, até porque não tinha encontrado nenhum sítio onde pudesse comprar mais comida a meu gosto.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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