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Ásia 2017 – Dia 59 – Lombok (Sengigi e Tetebatu)

O transporte da Perama Bus deveria recolher-me no hostel pelas 9:45. Acordei, foi espreitar a praia uma última vez à falta de melhor para fazer, fiz um desvio até ao supermercado para comprar alguns abastecimentos de emergência e fui tomar o meu pequeno-almoço gratuito.

O amigo egípcio decidiu acompanhar-me. Apareceu um pouco em cima da hora e fomos os dois ao escritório da Perama, onde a situação se resolveu sem nenhum problema. Ironicamente quanto voltámos já o carro estava à espera.

O condutor era o funcionário com que tinha tratado de tudo. Um tipo esclarecido, com uma visão do mundo muito lúcida e muitas histórias para contar. Foi uma viagem agradável, de cerca de duas horas, onde aprendi imensa coisa sobre a Indonésia, especialmente Lombok e Flores, de onde ele é originário.

As matérias mais interessantes relacionavam-se com os procedimentos de casamento… por exemplo, por aqui é normal as raparigas terem diversos namorados ao mesmo tempo.

A paisagem depois de passarmos por Mataran tornou-se deslumbrante, com os arrozais, bem verdinhos, de um lado e do outro da estrada. Fomos ganhando altitude, aproximando-nos da base da montanha onde se encontra Tetebatu, talvez a última aldeia antes do enorme vulcão.

A recepção foi um pouco estranha, não gostei muito do anfitrião… de resto, apesar de ter passado aqui algum bom tempo, não me agradou totalmente a opção de alojamento, que vem classificada com um espectacular 9,2 nos ratings dos utilizadores do Booking.com: sem um cantinho confortável para descansar, quase sempre com muito barulho, raramente me senti ali bem. E foram três noites. Nem a Wi-Fi funcionava como deve ser, o que seria OK se o fosse por razões técnicas, mas não, basicamente desligavam aquilo a toda a hora, era sempre preciso estar a pedir para nos darem Internet. Mas é boa gente, isso é. No fundo é mais importante.

Fomos dar um passeio, passámos pelo meio da aldeia. Algumas pessoas muito simpáticas e outras nem por isso. O céu ia-se carregando e a determinada altura era evidente que iamos levar com uma carga de água em cima. Em frente a uma casa um cidadão já com uma idade considerável avisou-nos para isso, mas continuámos a passeata. Aquilo era pitoresco, uma boa mudança depois do banho de turismo de massas que tínhamos levado. E a paisagem era bonito, com os tais arrozais que marcam esta região.

E depois começou. Depressa engrossou, chuva tropical, devastadora. Decidi que queria regressar, mais a pensar na chatice de outra gripe do que incomodado com as gotas de água. O velhote e a senhora que estava com ele riram-se e bem, claro, ao ver-nos passar totalmente ensopados.

O resto do dia foi passado na cabaninha, a chuva a bater lá fora, som agradável, amigo da leitura e da escrita.

A comida teria sempre que ser no alojamento. Aqui não há restaurantes, não há opções. Jantámos com os homens da família, ou pelo menos com alguns deles, sentados em esteiras no chão. A comida é agradável mas acaba por se tornar repetitiva.

Ficámos à conversa com eles um bocado depois da refeição mas o ambiente estava esquisito, todos com ar de sono e tédio e dei o passo de acabar com aquilo anunciando que me ia retirar. E fui.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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