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Balcãs ’11 – Dia 29 – Sarajevo

27 de Outubro

 


 

No penúltimo dia em Sarajevo sinto que já vi tudo o que podia ou queria ver. A estadia foi assim planeada porque tinha várias coisas em mente que não se concretizaram: uma subida até às aldeias de montanha, remotas, isoladas, algumas mantendo um tecido sócio-económico que em nada difere do que lá se encontrava centenas de anos atrás; mas o tempo está já demasiado invernoso para essa expedição, e isso deixou-me um dia livre. Depois, havia a “tour da guerra”, que não se realizou por indisponibilidade do guia, e de qualquer modo, ainda bem, porque acho que encontrei o suficiente por mim, e acabei por poupar 25 preciosos Euros. E depois, os passeios que estavam ao meu alcance se tivesse o GPS a funcionar, mas que sem esse fiel amigo me sinto algo desconfortável em tentar. O museu do túnel, do outro lado do aeroporto, é talvez o principal sacrificado neste contexto. Não me apetece caminhar às cegas, apenas com vagas ideias sobre onde me dirigir. Compreendo a importância que aquela maquineta ganhou na minha vida de viajante. Sem GPS as coisas não funcionam da mesma forma, e se para alguns assim tem um outro sabor, para mim o prazer de viajar fica diminuido.

 

Assim passei um dia agradável mas de baixa intensidade, regressando a locais conhecidos. Refiz a caminhada da manhã de ontem, decidido a ver as coisas sem o palrar constante do Peter. Depois, fui dar uma vista de olhos aos velhotes que continuamente jogam xadrez com peças gigantes num pequeno parque do coração do Sarajevo, e ali tirei algumas fotografias deliciosas. Saciei a minha fome de Internet com 2 ou 3 horas no Havana, com um chá em cima da mesa e muita descontração. E voltei ao palácio que ontem me frustrou, decidido a trepar pelo maldito portão, apenas para de novo ver as minhas pretensões recusadas. Desta vez, não só se encontrava trancado a cadeado, tal como na véspera, mas no primeiro páteo podia observar um carro parqueado. Portanto, aquilo não está assim tão abandonado, e assim sendo é melhor manter-me afastado de sarilhos.


 

Fiz compras. Hoje o jantar será por minha conta, e a feijoada, tal como em Trebinje, saiu deliciosa. Há alguma coisa de muito bom com os ingredientes nesta parte do mundo. Esta minha especialidade sai muito favorecida. E a velocidade a que os meus amigos devoraram os seus pratos isita cheios foi significativa.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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