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Balcãs 2010. Dia 17. Ruse.

 

Adeus Veliko Turnovo. Acordar, tratar das rotinas, fazer a mala e sair, depois de uma boa despedida do Hristo. Apanhei um táxi para a estação, que desconfio que me engrupiu, dando uma volta desnecessária. Paguei pouco menos de 2 Eur pelo serviço e fui comprar o bilhete para o comboio. Foi-me dito que este estava 40 minutos atrasado. Muito bem. Sentei-me a ler um livrinho… e pelo sim pelo não, confirmei com uma senhora que a tempos aparecia na plataforma com ares de chefe de estação. Confirmou-me que o comboio para Ruse passaria ali, naquela linha… depois desapareceu para os confins do edíficio e voltou passado uns minutos com um papel onde tinha escrito a hora a que a composição era esperada.

 

 

E esperei, e esperei… e vi um comboio que saiu à hora que eu esperaria, na direcção correcta… e comecei a ficar preocupado. Mas pouco depois apareceu um outro comboio… confirmei que era aquele e entrei. A “picas” apareceu-me logo, e quando perguntei se era directo, confirmou. Bem, parece que apanhei um comboio fantasma: não estava nos horários do website dos caminhos-de-ferro búlgaros, não estava nos placards de partida da estação. Mas que passou, passou. E era directo, ao contrário do esperado.

 

 

A carruagem era velha, velhinha, mas a viagem decorreu que foi uma maravilha. O comboio, que vinha de Istanbul e se dirigia a Bucareste, vinha quase vazio e, claro, fiquei com um compartimento só para mim. Em determinada estação, houve uma rendição da guarnição. Creio que passaram a ser romenos. A verdade é que vieram até mim, e o que se me dirigiu olhou para mim e pediu o bilhete internacional. Fiquei sem palavras. Sabia lá eu o que era isso. Eu só queria ir de uma cidade búlgara para outra. E ela dizia: “This is Bulgaria ticket. Where’s the international ticket?”. Bem, lá se explicou que eu ia de Veliko Turnovo para Ruse e ele ficou descansado. Por alguma razão assumiu, com bastante segurança, que eu queria ir para Bucareste. Mas quando percebeu que não despediu-se com um: “Ruse, finish”. Sim, sim, eu em Ruse saio, Não tem nada com que se preocupar. Ainda sorriu para a minha Nikon, apontou, e disse: “This camera, very good pictures”.

 

 

E pronto… vai-se a ver e a verdade é que passei maior parte do dia num comboio ou à espera deste. Cheguei a Ruse cerca de 16:00. Andei até ao centro, vagueei por ali, falhei o achamento de duas caches e encontrei uma outra. Compreendi o cosmopolitanismo saudoso da cidade, a quinta em população da Bulgária. Quando Sofia se tornou capital do país, Ruse tinha mais habitantes, mais bancos, mais comércio, mais consulados. Depois, decresceu. E agora, apesar de alguns dos belos edíficios do século XIX estarem totalmente renovados, muitos outros pouco mais são que uma ruina.

Às 17:00 mandei um SMS ao meu anfitrião, Alexander, dizendo que estava ali, no centro. Pelo que percebi depois, ele tinha acabado de chegar a casa vindo precisamente daquela área. Coitado! E que simpatia que o rapaz é! Do melhor que se pode encontrar. Estragou-me com mimos. Chegou ao ponto de me abrir a porta do carro de cada vez que entrei. Cozinhou para mim e para a namorada, que entretanto teve que ir buscar, voltando de novo ao centro. Disponibilizou-me a máquina de lavar roupa, o que me soube a luxo, depois de duas semanas com uma lavagem mal amanhada. Pôs tudo ao meu dispôr, fez-me a cama, deu-me o comando do ar condicionado para eu regular a temperatura a meu gosto. Melhor será impossível.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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