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Balcãs 2010. Dia 18. Ruse.

Não sei se já tinha mencionado isto, mas o meu anfitrião tirou um dia de férias para me mostrar tudo e mais alguma coisa em Ruse. Como combinado, acordei às 9:00. Lá fora, um dia cinzentão, pouco convidativo. Na cozinha já o pequeno-almoço me esperava. Depois, foi sair, em direcção ao exterior da cidade. Inesperadamente, tornou-se possível visitar locais sobre os quais tinha lido mas que não contava ter hipótese de ver, porque sem carro seria complicado. Visitámos as igrejas escavadas na pedra da região de Ivanovo, apreciámos as belas vistas sobre o Rusinski Lom, um vale feito parque natural, pontuado por dezenas daquelas igrejas e onde um rio serpenteia.

Talvez o ponto alto do dia tenha sido a visita a Cherven. É o nome de uma aldeia que se estende por um par de quilómetros ao longo da estrada, mas também de uma imponente fortaleza medieval, como tantas outras na Bulgária arrasada no decorrer das inúmeras guerras por aqui travadas. Hoje em dia sobrevivem algumas muralhas e as fundações dos muitos edíficios que se erguiam nas suas ruas. Existem cartazes ricamente ilustrados, que mostram uma recriação do local nos seus tempos aúreos. Gostei especialmente de espreitar a escada talhada na rocha, por onde os habitantes da fortaleza se esgueiravam para vir recolher água do rio.

Mas se a fortaleza é uma referência incontornável na região, não gostei menos de atravessar a aldeia propriamente dita, ficando apenas o amargo de boca de não ter tempo de a percorrer a pé, fotografando todos os detalhes que podem ser avistados numa castiça e genuína aldeia búlgara.

Depois, já cansados da chuva persistente que caia, viemos para Ruse, onde o Alexander se esmerou a mostrar-me tudo o que conseguiu. Carro parqueado, uma pequena volta pela baixa, com as devidas explicações. Encontrámos um restaurante altamente recomendável, do qual infelizmente não recordo o nome, com um ambiente fantástico… coisa que em Portugal seria já para o carote, mas sendo em Ruse, a conta ficou-se pelos 4 Eur, incluindo pão de queijo, pimentos recheados com carne, um pudim flan e uma generosa porção de bolo “ecclair”, tudo acompanhado por cerveja.

Foi então tempo de dar um salto a uma loja de produtos russos onde encontrámos o precioso leite condensado que eu precisava para a sobremesa do jantar. Seguidamente, fomos a um parque na ponta da cidade, junto ao Danúbio, que se noutros tempos será azul, hoje, coberto com aquele céu tristonho, era de um verde barrento nada interessante. Ali encostado, o museu que tem o pomposo nome de Museu Nacional dos Transportes, mas que na realidade apenas tem na sua colecção algum material ferroviário circulante; é certo que algumas peças são interessantes, como o vagão do rei Boris III, mas pouco para tanta gala. Ao longe, a ponte, a única ponte sobre o rio a partir do território búlgaro. Tem 1,5 km, e ir e vir custa em portagem cerca de 16 Eur. Nada mau num país onde o ordenado mínimo é de 120 Eur e onde um programador com mestrado arrecada 500 Eur por mês.

 

 

Antes de fazer as compras para a jantarada e regressar a casa, houve ainda tempo de passar por um outro parque, mais selvagem, mais natural. Estou convencido que teria sido um dia extraordinário se o clima ajudasse, mas assim, com chuva constante, foi uma experiência positiva mas demasiado desgastante.

O serão passou-se na cozinha, onde preparei de novo uma feijoada e um arroz doce. Conversámos, comemos, bebemos, ouvimos música, mas o pessoal recolheu-se cedo. Creio que nunca no decorrer desta viagem adormeci tão cedo. Eram 23:00.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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