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Balcãs 2010. Dia 5. Sofia.

 

Dormi que nem um anjo. Tinha chegado ontem à noite, já madrugada, depois de um atraso notável de cerca de duas horas provocado pelo congestionamento de tráfego no aeroporto de Barajas. O pobre Emile esperou todo esse tempo por mim nas “chegadas” de Sofia e, depois, táxi. A mãe do meu anfitrião, coitada, ainda estava à nossa espera, para me dar as boas vindas. Ainda ficámos um pouco à conversa antes do sono nos vencer, já iam as 3 da matina bem avançadas.

Hoje acordei e senti de imediato a luz divina que entrava pela janela do quarto. Um bonito céu azul fazia-se assim anunciar, e desde esse momento não parei de apressar o pobre Emile que tinha acordado apenas há uns minutos. Queria muito sair para a rua, aproveitar a benção de um dia radioso.

O meu amigo já me tinha dito mas eu não acreditei: Sofia vê-se, e bem, num só dia. E, note-se, pessoalmente até tendo a evitar esta contagem de dias “necessários” para se ver um local, que se torna comum na conversa de viajantes, mas na qual não costumo encontrar grande sentido. Contudo, aqui, subscrevo. A capital da Bulgária, apesar dos seus dois milhões de habitantes, é uma cidade pequena, e para além do centro histórico os motivos de interesse diluem-se. Será preciso considerar que se trata de uma cidade que foi promovida a capital do país quando era pouco mais que uma aldeia. Apesar de um passado longo, com alguns períodos de sucesso, Sofia foi escolhida para capital da terceira nação búlgara por duas razões: era facilmente defensável em caso de guerra e ocupava uma posição central. Ora se olharmos para o mapa da Bulgária ficaremos confusos com esta “centralidade”. Mas é preciso considerar que em 1878, quando o país conseguiu libertar-se do jugo turco, a união com a Macedónia era considerada eminente, e, apesar de nunca ter chegado a acontecer, tal arranjo político deixaria de facto Sofia no centro dessa “grande” Bulgária.

Portanto, saimos de casa, entrámos na avenida Vitosha, artéria comercial por excelência, uma espécie de rua Augusta de Sofia e chegámos ao centro da cidade antiga. Ali, passámos pelo palácio presidencial, espreitámos o Edíficio do Partido, as grandes igrejas e catedrais… enfim, o roteiro turístico seguido à regra… que se esgotou em cerca de uma hora. Depois, olhem, depois lá foi a geocachada da ordem. Fomos direitos ao complexo desportivo onde, em dois estádios separados por pouco mais de uma centena de metros, actuam o Levski de Sofia e o CSKA de Sofia, ironicamente ambos batidos ontem por equipas portuguesas para a Taça Europa (o primeiro, esmagado pelo Sporting por 5-0, e o segundo, jogando em casa, derrotado pelo FC Porto por 0-1). Depois, internámo-nos no grande parque de Sofia, o Borisova Gradina. Apesar de ter posto bastantes quilómetros nas pernas nos últimos dias, soube-me bem esta caminhada. O parque tem muito do sabor dos espaços existentes em Praga: algumas artérias em terra batida, e muitos trilhozinhos que entram pela floresta, de árvores altas, onde saltitam alegremente esquilos pretos.

Depois desta larga volta eu e o Emile separámo-nos. Parece que ele tem visitas lá em casa, e eu, claro, não achei muita piada à ideia de sociabilizar. Andei pela avenida Vitosha… para baixo… depois, para cima. Sentei-me, peguei no meu guia Rough Guide. E escolhi um local chamado Dani’s para relaxar, comer, e, eventualmente, usar Internet. Todos os três objectivos foram alcançados, e é aliás de lá que escrevo neste momento. Às 20:00, daqui a um nadinha, vou-me encontrar de novo com o Emile, mas até lá fica esta narrativa e umas impressões gerais… que aqui vão:

  1. Os búlgaros são fisicamente parecidos com os portugueses. Claro, não é uma semelhança extrema, mas o suficiente para eu passar bem por búlgaro nas minhas rondas pelas ruas de Sofia. Aliás, ainda estava em Madrid e já um tipo se dirigia a mim em búlgaro, pedindo desculpa quando se apercebeu do erro e explicando que me tinha tomado por conterrâneo.
  2. As ruas de Sofia são “anormalmente” calmas. Passei pela avenida Vitosha em ambas as horas de ponta: de manhã, quando me dirigi ao centro da cidade, e de novo ao final da tarde, à procura de pouso para dar descanso às pernas. E apesar de haver pessoas a andar por ali, não era uma multidão, nem nada que se parecesse. E a mesma impressão recolhi em outras ruas… movimento sim, mas moderado, com um toque a um dia Domingo de Lisboa.

O serão foi interessante. Encontrei-me com um Emile bem mais bem-disposto (por vezes este meu amigo é um bocado depressivo, sobretudo no que toca à sua relação com a Bulgária), e passeámos por ai, sem destino. O ambiente em Sofia ao serão é calmo. Sente-se segurança no ar, e as ruas, sem estarem muito animadas têm mesmo assim uma boa quantidade de gente. De resto, a noite estava agradável, convidando ao passeio. Acabámos por jantar num restaurante bastante popular – quando saimos havia fila para apanhar mesa – e não admira: o ambiente assusta, pensa-se que a factura vai ser pesada, mas acabei comendo umas boas quatro fatias de carne de porco assada, coberta com um molho suculento e puré de batata… acompanhado com uma cerveja local de meio litro e todo o manjar custou-me 4,5 Euros.

Tabela de Despesas

01,75 Eur Supermercado
08,00 Eur Lanche
06,00 Eur Jantar

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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