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Balcãs 2010. Dia 6. Sofia.

Odómetro pedestre diário: 23,5 km

Odómetro pedestre total: 103,5 km

Hoje pela manhã fui brindado com um pequeno-almoço local. Uma espécie de fatias douradas sem açucar, e doces caseiros para barrar, assim como queijo búlgaro. Uma delícia inesperada que me fez sorrir antes de sair de casa.

Depois, uma longa caminhada para chegar a um mercado muito especial: ali, entre búlgaros rudes, predominantemente homens, transacionam-se animais e produtos para bichos de estimação. Um centro para todos os que têm hobbies relacionados. Vi de tudo: fauna de capoeira, cachorros, hamsters, muitos peixes, porcos-espinho, furões. Um ambiente extraordinário, daqueles que só se descobrem com a ajuda de amigos locais.

Terminada a visita de tão inusitado local, foi uma voltinha pelas atracções turísticas: na praça das quatro religiões (nome oficioso dado pelos habitantes da cidade) encontra-se uma mesquita, uma sinagoga, uma igreja ortodoxa e uma igreja catolica, e, nas suas imediações, a casa de banhos de Sofia e a água termal que jorra de dezenas de chafarizes, onde os mais necessitados recolhem água gratuitamente com uma infinidade de garrafões.

Numa praça bem central, mesmo em frente ao edíficio do Parlamento, o trânsito está cortado. Aparentemente desenrola-se ali uma prova de perícia automóvel, com trajectos a serem fetos em “slalon”. Estranhei a presença exagerada de elementos das forças policiais, mas logo fui elucidadado: a “festa” era mesmo do corpo de polícia. Pode-se dizer que a rapaziada de farda, fez a festa, mandou os foguetes e deitou as canas, porque, por assim dizer, os únicos espectadores eram os próprios agentes.

Pouco depois separei-me do meu cicerone. Já sem a tensão de ter alguém sempre à espera, sentindo-me livre de voar, voguei pelas ruas, passei pelo mercado de rua diário, conhecido como “mercado das mulheres” (onde comi um folhadinho delicoso, com massa aparentada à dos nossos travesseiros de Sintra, mas mais compacta, mais pesada, e recheado com uma compota que não consegui identificar, feita assim de uma coisa entre a abóbora gila e o marmelo) e acabei por chegar à estação de comboios. Ia atrás de uma cache, mas aproveitei para reconhecer o terreno, porque planeio partir de lá para Plovdiv dentro de dois dias. Seguidamente, procurei chegar a um dos pontos da minha lista de afazeres: o cemitério central, pois claro. Já se sabe que não consigo visitar uma cidade sem marcar presença nestes locais que tanto me inspiram. Já ia um pouco cansado, e assim a exploração não se prolongou. Uma volta simplificada e marchei de regresso ao centro da cidade. A bandeirinha da Bulgária para a minha colecção já tinha sido comprada de manhã, mas passei pelo supermercado Billa para um lanchinho e alguns produtos de higiene. Depois, abanquei-me num parque simpático que tinha marcado durante as andanças com o Emile. Ali comi com gosto, partilhando o queijo com um gatinho simpático que se aproximou, farejando, atraido pelo perfume do “roquefort”. Antes, tinha passado, por acaso, defronte da “igreja russa”, que conclui ser o edíficio mais bonito da cidade. Sem a grandiosidade da grande catedral, é mais colorida e cheias de detalhes deliciosos.

Estando a refeição completa, de pancinha saciada, aproximei-me do palácio presidencial. Queria ver o render da guarda, outra das coisas que constava da listinha. A distância que me separava do local era menor do que calculara, e assim cheguei adiantado. Ainda bem que tinha comigo o livro que me entretém nestes dias (Trafalgar, Bernard Cornwell), e sentei-me num murozito a fazer tempo. E ainda bem. A cerimónia, se bem que curta, é bem colorida. Gostei. Deu-me um prazer simples, que me deu forças para me afastar, ainda em busca de outra cache antes de me (re)encontrar com o Emile.

Sucede que essa outra cache se encontra dentro de um salão de chá, de forma que lá me sentei, enquanto me era trazida a ementa e a arca do tesouro. Encomendei um chá de cereja, e esperei pela bebida enquanto preenchia o “logbook”. Li ainda mais umas páginas do livro, que me estava a saber bem aquela pausa nas andanças, e, por assim dizer, terminou desta forma o dia, que decidi encurtar para tentar uma certa recuperação física. As pernas levam 100 km caminhados desde o início da jornada, e muitos mais se adivinham.

Tabela de Despesas

02,25 Eur “Badge” da Bulgária
00,45 Eur Bolo
06,50 Eur Supermercado
01,90 Eur Chá
01,90 Eur Loja 24 Horas

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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