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Balcãs 2010. Dia 7. Sofia.

Odómetro pedestre diário: 15 km

Odómetro pedestre total: 118,5 km

As manhãs têm sido brilhantes. Desta vez, ainda estava a esfregar os olhos e já estava a ser sentado à mesa, onde me foi servida uma refeição… duradoura. Às 17:00 a fome ainda não tinha chegado [adenda: a fome só chegou pelas 23:00], isto para se ter uma idea de quão substancial pode ser um prato com uma base de humus caseiro, coberto de carne picada, grão e amêndoas torradas, acompanhado com pão oriental. Comi pelas 11:00, e parece que os meus anfitriões estiveram a trabalhar na cozinha desde as 6 horas da manhã. São vantagens de estar numa casa mista, bulgaro-palestiniana. Num dia, pequeno-almoço balcânico, no outro, petisco arábico (e que petisco!!).

Depois, de pança bem cheia, sai. Andei até encontrar uma cache escondida perto de uma igreja, episódio este sem grande história, para além de me ter levado por ruas que me mostraram uma outra Sofia, mais decrépita da que é mostrada na zona histórica. Gente estranha, toxicodependentes, pessoas da rua. De novo, uma outra Sofia.

Concluida esta etapa, rumei ao Museu Militar. Como sempre, este tipo de museus encontra-se na minha lista de prioridades a visitar. Mas desta vez não estava muito convencido. Chateia-me pagar valores injustos, e 7,5 Eur para um museu militar na Europa de Leste, só podendo mesmo assim fotografar as áreas exteriores parece-me um exagero. O diacho do Museu Militar de Sofia não é propriamente o Coliseu de Roma! Mas pronto… passo sim passo não a minha ideia alternava entre pagar e não pagar, e a verdade é que lá cheguei. Ora para grande surpresa entrei para um primeiro páteo sem ser interpelado, e pronto, foi um sinal do destino. Fiz o gosto aos olhos e ao dedo, fotografei à brava, e se bem que ainda tivesse estado à porta do edíficio principal com o dinheiro na mão, acabei por lhe virar as costas. Sai da área com fotografias interessantes (para mim, aficionado de história militar) e com o meus preciosos Levs no bolso. Tarde em cheio.

Vim andando, parque dentro, com muita calma, sentindo o pulsar do povo que por ali se passeava, usufruindo de um Domingo nebuloso, mas cuja chuva caiu toda antes de eu sair de casa. E assim cheguei a um café com um ambiente interessante que tinha referenciado no meu caminho de ida para o Museu, e onde agora me encontro a escrever estas linhas.

Uma coisa que me surpreendeu no primeiro dia em Sofia e que se tem confirmado é uma ausência gritante de estrangeiros. Apesar de ser uma capital europeia, a Europa parece estar de costas viradas com Sofia. Tenho cruzado constantemente o coração da cidade, mas não ouvi falar qualquer outra língua que o búlgaro mais que meia dúzia de vezes.

Bem… agora já escrevo no dia seguinte, para retomar a história no tal café onde beberiquei uma boa cerveja búlgara, bem fresquinha, enquanto batia as linhas do blog. Depois, terminada a bateria do netbook, aprestei-me para me dirigir para o local de encontro com outros couchsurfers. Na véspera tinha colocado um “post” no grupo Sofia, perguntando se alguém quereria beber uns canecos e bater um paleio, e, em adição, se poderia aspirar a ter companhia para ir ao monte Vitosha na 2ª Feira. A resposta foi positiva em ambos os casos! Assim, depois de vaguear alegremente pelo centro da cidade, apreciando pela enésima vez o carácter deliciosamente provinciano daquele diminuto centro, onde o palácio do rei se parece com uma residência nobre de província do nosso burgo, começou a chuviscar. Pela primeira vez, nestes sete dias, senti chuva! Os deuses do tempo decididamente têm estado comigo. Ora bem, assim como assim, já estava perto da catedral onde era suposto nos encontrarmos, de forma que me fui lá meter a abrigo da chuvinha, lendo um livro enquanto havia luz natural. E chegada a hora, ali estávamos: um polaco, uma búlgara, uma maltesa e um italiano que… eu conhecia perfeitamente de outras andanças! De novo, uma prova das reduzidas dimensões deste nosso mundo. E eu até teria jurado que o tinha visto no dia anterior… e afinal, era mesmo ele. Bem, lá ficámos à conversa sobre tudo e sobre nada à chuva, antes de tentarmos um primeiro bar que estava para abrir daí a 10 minutos e que, como volvidos 20 minutos continuava  encerrado, nos fez migrar para outra porta. Já tinha lido sobre o The Apartment mas só lá dentro me apercebi que lá estava. E que tal um bar, com toques de casa de chá e um ambiente algo alternativo, instalado num apartamento, grande, mas mesmo assim, nada mais que um apartamento. O atendimento faz-se na cozinha, uma cozinha comum de apartamento. A casa de banho, de novo, comum, com chuveiro e tudo… e depois, é explorar… a cada porta que se entra parece que se está a penetrar no mundo privado dos que já lá estão: como é natural olham para nós, com ose olharia para alguém que entra numa sala em qualquer bar… só que a decoração e o ambiente personalizado nos faz sentir como intrusos, o que não é mau, bem pelo contrário, é essa peculariedade que fez do local um sucesso, mesmo com os preços elevados praticados (2,50 Eur por uma cerveja importada). Esgotado o nosso tempo no The Apartment, saimos, ainda os levei a um restaurante jeitoso que conhecia, e depois segui para encontrar o meu anfitrião, recolher dois pedaços de pizza à laia de jantar tardio (lá está, o humus estava finalmente despachado) e foi tempo de recolher.

Tabela de Despesas:

0,75 Eur Cerveja
2,50 Eur Cerveja
1,80 Eur Pizza

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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