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Balcãs 2010. Dia 8. Sofia.

 

Pela primeira vez na Bulgária precisei de colocar despertador. Hoje o dia foi dedicado a Vitosha, a montanha que se ergue, imponente, a Sul de Sofia. E com guia privado! A Vladimira gentilmente aprestou-se para me mostrar os seus trilhos. E ainda para mais com transporte particular, de porta a porta. Que luxo! E assim foi… acordei, vesti-me… o William, irmão do Emile, mosttou-me uma loja de bolos e pão magnífica, com tudo acabadinho de fazer, e com que variedade… ! Ali comprei pequeno almoço e o que pensava ser a merenda necessária para merendar (não podia estar mais errado, como se veria). Lá cheguei ao ponto de encontro com a Vlady. E lá estava ela, no seu carr encarnado, uns minutos depois. Seguimos para o sopé do Vitosha, onde ela vive (sim a coitada atravessou a cidade practicamente em hora de ponta apenas para me ir buscar e retornar ao ponto de partida). Depois, deixámos o carro, fomos monte acima, em busca de uma cache que existia nas redondezas e que encontrámos após uns momentos de procura.

E de seguida calcorreamos trilhos, a fazer lembrar alguns dos melhores percursos checos. O dia estava cinzento, e nas primeiras horas chovia. Clima acrescido, com espectros de nevoeiro a tempos. Conversa boa, ininterrupta, boa adaptação de parte a parte. Fiquei vagamente decepcionado porque pensei que iriamos ao topo da montanha, a 2290 metros. Mas não, e, claro, nem tugi nem mugi. Mesmo assim foi muito agradável. Fizémos um percurso que por descuido não medi, mas estimo que uns 4 km por trilhos. E depois, já havia fome de parte a parte, e como ainda por cima caminhar abre o apetite fomos a um local por ali perto, de novo, a fazer lembrar a cultura checa de “hospoda”. A escolha não poderia ter sido melhor… entre a minha simpática guia e a gorduxa cozinheira, que espantosamente falava inglês, fui empaturrado até à medula de especialidades búlgaras. Primeiro, a abrir, uma iguaria feita de vários tipos de feijões, semi-esmagados. Depois, um bifinho delicioso de porco, muito bem grelhado, cuidadosamente temperado com ervas misteriosas que lhe conferiam um sabor exótico, e, por fim, como acompanhamento, uma terrina enorme de pimentos cozinhados, mergulhados num molho de tomate natural onde se encontrava uma generosa fatia de queijo búlgaro, o afamado cirene, aparentado do “feta”. Tudo isto e mais uma cerveja de meio litro pela fabulosa quantia de 5 Eur, incluindo razoável gorjeta por toda a simpatia.

Depois da faustosa refeição ainda ficámos à conversa um bom bocado até que decidimos que se faziam horas e ela me levou… ainda não sabia era onde, porque entretanto o Roberto, meu amigo italiano, a meio do percurso, me enviou um SMS desafiando para um jantar indiano por ele próprio confecionado. E a Vlady lá me deixou na morada por ele fornecida… só que ainda faltava hora e meia, e cheirou-me a caches, mesmo ali ao lado, no chamado Parque Sul. “Big mistake”. Quando dei por mim estava do lado oposto do parque, era noite, não havia iluminação, estava cansado, sujo e enlameado… e acabei por pedir desculpa ao Roberto e por caminhar até casa.

Despeço-me hoje de Sofia. Não ficará no meu coração ao nível da paixão intensa de outros amores, mas a memória que perdurará será a de um caso passageiro que deixou um doce perfume. Adeus Sofia, cidade de província, bela na sua simplicidade, simpática na sua multidão, com um povo acolhedor que se derrete quando se lhes fala em inglês (e que mais gente do que se esperaria torna possível usar esta língua). Gostei. Gostei muito de conhecer Sofia. Depois da relação amorosa, fica a amizade, por assim dizer. Serena, sem sobressaltos. Vou sentir saudades dos meus dias de Sofia, das passeatas avenida acima, avenida abaixo, passando vezes sem conta nos mesmos sítios, sem desprezar as “expedições” mais ousadas para fora do centro.

Tabela de Despesas:

02,00 Eur Pequeno-almoço
05,00 Eur Almoço
01,50 Eur Chá e Chocolate quente


About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Um comentário

  1. Será sempre uma mais valia para a tua bagagem esta passagem por Sofia…e as fotografias…lindas!..Faltou reportagem de cemitério…

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