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Bits & Viagens: Dormir no Aeroporto

O alegre caos de uma noite passada no terminal
O alegre caos de uma noite passada no terminal

Para os mais conservadores uma referência a uma noite passada num aeroporto significa apenas uma coisa: problemas com o vôo. Ou foi uma greve, ou o mau tempo ou a malvada da aeronave que não estava em condições. Mas para a nova geração de viajantes as dormidas nos terminais tornaram-se quase um culto. A “culpa” é das companhias low cost, com as suas ramificações de vôos económicos que levam os passageiros a saltitar de um aeroporto para o outro, em escalas sem fim para chegar ao destino. Aqui este vosso amigo, em Janeiro de 2011, para passar uns dias nas Canárias, fez três viagens para cada lado. Faro-Porto-Madrid-Lanzarote e, depois, Fuerteventura-Madrid-Porto-Faro. Tudo bem planeado deu para umas pernoitas nas cidades de escala sem recurso aos bancos do aeroporto. Foi melhor assim. Deu para revisitar amigos e relaxar. Mas na maioria dos casos este estilo de viajar, a baixo custo e agarrando o que se pode arranjar, implica longas horas de espera nos pontos de escala. Depois, claro está, há a “mania” destas empresas de baixo custo de usarem os slots mais baratos dos aeroportos, que são precisamente os mais madrugadores e os mais tardios, o que costuma resultar numa noite fora.

Gostaria de escrever um artigo sobre a melhor forma de passar a noite no aeroporto, mas existe um “ligeiro” problema: cada terminal tem as suas manhas. Claro que há principios gerais, mas esses não são mais do que senso comum: os primeiros a chegar ficam com os locais mais confortáveis; o chão pode parecer óptimo de início, mas à medida que a noite avança torna-se assustadoramente duro e frio; é bom dormir sobre os nossos bens mais preciosos. Mas fora isto, tudo muda. Uns têm internet wi-fi gratuita, noutros é a pagar e em alguns não existe de todo; por vezes há onde comprar comida noite adentro, mas também pode suceder que feche tudo; há cadeiras mais confortáveis mas por vezes só mesmo o chão oferece uma posição horizontal razoável. Em suma, as variantes são muitas, e há mesmo a possibilidade do aeroporto encerrar durante a noite!

Mas não desesperem os leitores. Há uma forma de recolherem toda a informação sobre o terminal que vos servirá de hospedaria naquela viagem que se aproxima. E mais que isso, há onde ler sobre os principios gerais das dormidas nos aeroportos e sobre as aventuras e desventuras de outros viajantes. Trata-se do  The Guide to Sleep in Airports e é um website que me tem valido em inúmeras ocasiões. Este excelente projecto é basicamente uma base de dados de testemunhos de viajantes que descrevem a sua pernoita nos vários aeroportos do mundo, classificando-os de 1 a 5. Cada aeroporto tem uma ficha de apresentação com dados factuais relevantes, e depois, os relatos dos que já os experimentaram. A sua leitura recomenda-se, porque há muito a aprender, com destaque para as melhores localizações para se aconhegar para o tal repouso.

The Guide to Sleep in Airports
The Guide to Sleep in Airports

Mas o website tem muito mais: aventuras loucas, hóteis de aeroporto (para os que se podem dar ao luxo), galerias de imagens, rankings de piores e melhores terminais para dormir, recortes de imprensa sobre a pernoita nestes locais. Enfim… se vai ser a sua primeira vez, recomenda-se. Se não, seja daqueles que se encosta numa cadeira ou dos que traz um pequeno quarto móvel para armar… recomenda-se também. Grande página, desconhecida por muitos mais do que eu pensava!

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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