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Budapeste. 24 de Abril. Preliminares.

Faltam dois dias,  o entusiasmo escasseia. Esta coisa de viagens é como tudo o resto. Cria-se o hábito, vem a rotina, logo, um certo desinteresse de coisa adquirida. Já lá vão os tempos em que uma aproximação destas significava noites mal dormidas de excitação, um esquadrinhar sem fim de mapas e guias turísticos e muito sonhar acordar. 

Amanhã é feriado. Feriados são bichos maus, caem-me do nada, nesta rotina de quem trabalha para si, sem olhar a Domingos e afins. São inesperados, arruinam planos. E este, não podia ser pior. Não só se precipitou com a violência usual no meu mundo bem estruturado, como chegou em vésperas de partida, quando tudo tem que funcionar como um relógio suiço, afinado, alinhado, imperetível. E assim, medida a coisa por dias úteis, é hoje, já não há mais, até à madrugada cruel, que todas são cruéis quando servem para acordar a meio da noite.

A postos estará já o “nosso” apartamento, propriedade de um cidadão inglês já com certa idade, casado com uma senhora húngara. Vai-nos receber ao aeroporto. Como é estranho estar do outro lado da barricada, ser recebido em vez de receber. Todos os procedimentos são idênticos, apenas se trocam de posições. Muito bem. Para já a previsão metereológica é de primeira apanha, mas depois de uma semana inteira na Irlanda, em pleno Inverno, sem uma gota de chuva, já dou como adquirido que tenho um passaporte diplomático do Reino dos Céus, que me confere esta deliciosa imunidada climatérica.

Já outros aúgurios não serão tão agradáveis, e certamente não têm criado  um estado de espírito nada propício. Há dois dias o meu servidor foi utilizado num ataque cibernético, coisa que não é nada agradável e tem um rol de consequências que não interessa estar por aqui a descrever; hoje, neste único dia, já tive duas desgraças: uma vista de olhos ao extracto bancário, a revelar o nível mais baixo dos últimos oito anos, e um dente partido com uma pedra assassina, dissimulada num excelente bolo de côco. Esperemos para ver se o amanhã se encarrega de confirmar esta maré de má sorte ou se sinais positivos surgem algures. Não me interessa que sejam trevos de quatro folhas, aranhas a construir teias ou uma ave de bons aúgurios. É preciso é que eles venham, e não mais dentes ou outras partes corporais quebradas.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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