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Budapeste. 3 de Maio. Dia 8.

Mais um dia fraquito, vítima de cansaço acumulado. Já não há a frescura dos primeiros dias. Passei a manhã a descansar. Sai para procurar alguns DVD’s de filmes húngaros, numa missão parcialmente cumprida, uma vez que encontrei dois dos quatro títulos que procurava. Já pouco antes do meio-dia chegou a confirmação de um almoço com um grupo de “couchsurfers” vegetarianos. Boa! Vamos conhecer mais gente! Arrancamos para o restaurante seguindo as indicações precisas do organizador do evento. Chega-se lá sem grandes precalços, e pelo caminho recebemos um cheirinho da avenida Andrassy, uma das mais emblemáticas vias da capital húngara onde ainda não tinhamos estado. Somos os primeiros a chegar, mas pouco depois já éramos dez. A conversa não sai muito fluida. Há ali muita timidez, apenas alguns se esforçam para manter acessa a chama do diálogo. É sempre agradável travar novos conhecimentos, mas fica uma sensação amarga, de frustração. É como se a química dos convivas não funcionasse em conjunto. Mesmo assim, entre trechos mais animados e silêncios relativamente prolongados, deixamo-nos estar. Já estamos a meio da tarde, e o programa que tinhamos delineado para o dia começa a ficar ameaçado. Não que me importe especialmente. Estou exausto, basta-me de canseiras. São cerca de quatro da tarde quando nos despedimos. Tinhamos a ideia de visitar o Museu do Terror, localizado na tal rua Andrassy, no edíficio que serviu de quartel-general das mílicias de extra-direita antes e durante a II Guerra Mundial, e que depois os comunistas aproveitaram para instalar a sua polícia de terror. Mas desistimos. O preço é algo exagerado, mas o que me faz efectivamente recuar é a proibição de tirar fotografias. Fico-me com as do exterior.

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Caminhamos até ao Parque da Cidade, passando pela Praça dos Heróis. E damos mais uma volta no parque, onde encontramos um surpreendente complexo de edíficios, cheios de belos detalhes. Passamos ainda pelos banhos que funcionam naquele grande espaço, antes de descermos a Andrassy, mas desta feita de metro, que o dia vai avançado e está chegada a altura de poupar as escassas energias restantes.

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Caminhámos pela margem do Danúbio, para procurar uma estranha homenagem de que nos tinham falado: os sapatos. Trata-se de uma alusão aos sapatos deixados pelas pessoas assassinadas naquele local quando as milícias de extrema-direita procuraram e encontraram os judeus escondidos em diversas casas de Budapeste. Depois de serem abatidos, foram lançados ao rio, que contudo não era mais do que um tabuleiro de gelo por essa altura. Para trás ficaram apenas os seus sapatos.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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