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Copenhaga, 1 de Maio de 2010

 

Para o Primeiro de Maio, as nuvens adensaram-se, mostrando-se ameaçadoras à laia de bons-dias. Se havia planos, dissiparam-se. E assim como assim, as infindáveis andanças das vésperas tinham deixado mazelas, um corpo cansado. Ora chovia ora não chovia. E então tudo se resumiu a uma solução de compromisso: visitar Holte e o seu lago. Este plano B não teria grandes hipóteses de ser concretizado, não tivesse sido a intervenção dos elementos. Havia outras opções, mais garridas, apesar de ter sempre mantido o interesse nesta volta mais “doméstica”.

A Aase deu-nos umas dicas, indicou-nos o seu local favorito (que, como se veio a verificar, hospedava uma “cache”) e lá fomos. Depressa se tornou evidente que Holte é um local de residência para classe média alta e alta. As casas ao longo da estrada transpiram opulência, e algumas, sobre as águas do lago, têm embarcadouros para os barcos particulares. Os carros parqueados reforçam a ideia.

 


 

Depois, deixámos o asfalto e passámos a andar num trilho intimista, que se aproximava da água, deixando para trás a fiada de residências que continuava, fielmente, a seguir a estrada, que se afastava, noutra direcção. Em nosso redor, o bosque, essa figura mítica tão rara em Portugal, abraçava-nos. Vegetação verdejante, muita folha caída, apesar do Outono ir já tão distante, separado de nós por um longo Inverno. E o silêncio, apenas entrecortado pela passarada, que, excitada com a chegada da sua estação de grandes festas, chilreava por ali.

 

 

Detivémo-nos um pouco no tal local da Aase, um pequeno “corno” que segue água adentro, deixando-nos como que numa ilha em miniatura, enriquecida com uns bancos que convidariam a horas de leitura, não estivéssemos nós de passagem e com um dia cinzentão.Mais à frente, um restaurante com vistas privilegiadas sobre as águas; dá para perceber que em dias de bom tempo as esplanadas hoje desmanteladas se enchem de gente. Mas para já é apenas no interior que alguns clientes experimentam as especialidades da casa, embalados com o calorzinho que a espiral de fumo da chaminé faz pressentir. O edíficio, esse, é por si um ponto de interesse. Claramente respeita o conceito tradicional de construção.

Acabámos o passeio num cabeção, que forma uma pequena península, e que é dominado por um palacete. A área é propriedade privada, mas os visitantes não são desencorajados de por ali andar. Iniciámos o caminho de regresso, que decorreu sem mais notas dignas de destaque. A tarde foi passada em casa, a relaxar, pondo as coisas em dia. Quando a Aase chegou, dedicou-se à confecção dos deliciosos pãezinhos que nos alimentaram por alguns dias.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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