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Copenhaga, 28 de Abril de 2010

A ideia de visitar Copenhaga nasceu uns meses antes, quando conheci uma senhora dinamarquesa numa reunião de Couchsurfing em Praga. Na altura ficou o convite, e o projecto manteve-se em maturação durante todo o Inverno, período em que apenas para um tipo de visita muito… congelante… é boa ideia viajar-se para estas paragens.

Para Copenhaga voei de Praga. Não foi especialmente barato, segundo a escala Ryanair, mas a sensação de sair de casa e uma hora e meia depois estar no exterior do terminal do aeroporto de Copenhaga é algo de bizarro, inovador. A chegada foi já a meio da tarde, numa altura do ano em que a noite chega cedo. Este primeiro dia resumiu-se à prática de algum Geocaching no complexo aeroportuário, antes de prosseguirmos ao encontro da nossa anfitriã, que vivia numa cidade satélite de Copenhaga, Holte, a cerca de 20 km em direcção a norte.

A opção de ficar com a Aase tinha esta característica, encarada por vezes como inconveniente: certamente não nos deixava numa posição central para explorar a capital da Dinamarca, e as deslocações diárias fizeram o mítico custo dos transportes dinamarqueses chamou a si a larga fatia do orçamento preparado para esta viagem: só para ir à cidade e voltar eram cerca de 14 Eur. Mas a vida na cidadezinha de Holte trouxe vantagens que hoje reconheço terem tornado positiva a decisão de aceitar a hospitalidade da simpática Aase. Se tivéssemos ficado no centro de Copenhaga teríamos perdido os grandes momentos do Museu Etnográfico ao ar livre, do passeio pelo parque dos veados e até da despreocupada voltinha em redor do lago, ali mesmo, junto a Holte. Depois, a generosidade prática da nossa anfitrião permitiu amenizar a enorme despesa dos comboios diários: não houve dia em que não nos oferecesse quantidades generosa de comida de todos os géneros, insistindo para que de manhã lhe saqueássemos o frigorífico e preparássemos a nossa merenda para a jornada. Tentámos não abusar, mas era complicado: que ela sabia bem como as coisas eram caras na Dinamarca para quem vinha de fora, que era evidente que para nós os transportes eram um balúrdio, e que para ela contribuir com um lanchinho não era nada… e todos os dias era esta ladainha, de forma que às tantas começámos mesmo a embrulhar qualquer coisa para trincar e a levar conosco na mochila. Mas isto não foi nada comparado com os mimos que recebiamos em casa: um dia foram pãezinhos caseiros, que duraram quase até ao fim da estadia… outro dia foi um jantar completo… mas nós também retribuimos, cozinhando para elas (a Aase alugava um dos quartos do apartamento a uma jovem eslovaca).

Em suma, louvado o dia em que cometi a loucura de aceitar ficar aquela distância de Copenhaga. As férias saíram espantosamente baratas (acho que no total se gastou 100 Eur para uma semana inteira) e o balanço geográfico, a meio caminho entre as actividades campestres e a grande urbe foi determinante no enorme sucesso desta incursão por terras dinamarquesas.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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