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Coreia do Norte e China. Dia 10. Pequim. Outubro de 2019

Último dia completo na Ásia. Acordei relativamente cedo, pouco depois das sete horas. Sem uma urgência em me levantar ainda esperei por uma segunda vaga de sono, mas não veio e decidi sair.

O dia lá fora estava bonito, conseguia perceber isso da cama. Desta vez ia tentar chegar à praça Tianamen, e a pé. São pouco mais de 2 km, e logo me apercebi que de caminho passaria por um dos locais que queria visitar em Pequim, o bairro das delegações estrangeiras, um vestígio da semi-colonização da China na passagem do século XIX para o século XX. Foi nesta área da cidade que se instalaram as poderosas embaixadas ocidentais e alguns dos edifícios chegaram até aos dias de hoje, sendo usados de diversas formas. O interessante Museu da Polícia é precisamente um deles. Não cheguei até ele contudo: a rua principal, o eixo desta zona, estava bloqueada pela polícia. Deu para ver um par de edifícios, nomeadamente o antigo posto de correios francês.

Agora não fazia ideia se conseguiria chegar à grande praça. Consegui. Por alguma razão apenas por aquela rua não se podia passar.

Encontrei um par de tours de turistas chineses e assumindo que os seus guias saberiam mais ou menos o que estavam a fazer, seguia-as. Foi uma boa ideia, porque logo estava a passar a verificação de segurança para entrar na grande praça.

Não me impressionou. Gostei de ver com os meus olhos um local tão mítico mas foi algo decepcionante. Observei os principais edifícios que rodeiam o espaço: Mausoléu de Mao, Museu Nacional, Grande Salão do Povo (que certamente não é do povo, já que as pessoas não se podem aproximar dele). Ao fundo, os portões de acesso à Cidade Proibida.

A multidão, mesmo a uma Segunda-feira e às 8 da manhã é imensa. Grupos de escolas, excursões, cidadãos individuais. Creio que não vi um só ocidental.

Fiquei sem saber o que fazer a seguir. Certamente não visitaria a Cidade Proibida, considerando o número de pessoas que afluía. Descobri a entrada para um parque lateral, chamado Zhongshan e aproveitei mais uma borla para o visitar. Algumas partes bastante agradáveis e pouca gente. Sem maravilhar foi uma boa opção.

Saí para a rua do seu lado ocidental. A rua Nachang, que aconselho. É ladeadas de casas tradicionais, estendendo-se até às entradas dos famosos parques de Beihai e Shouhuang. Há lojas, algumas mais modernas, outras bastante castiças. Restaurantes muito locais, pastelarias igualmente locais.

Até um templo, apesar de fechado, ali encontrei. E chegando ao fim da rua, tive que decidir entre um dos parques. Pareceu-me que caminhava mais gente em direcção ao de Behai e optei pelo de Shouhuang.

Gostei do preço do bilhete: 2 CNY. Não gostei foi da concentração de pessoas que já se encontravam lá dentro, especialmente junto dos pavilhões existentes no alto da colina, de onde se observa ali mesmo em baixo uma boa parte da Cidade Proibida. Comecei a sentir a tal urticaria que me ataca em locais muito turísticos e comecei a preparar a retirada. Não sem antes me sentar num lugar sossegado a comer, como se dizia dantes, a minha bucha da manhã.

Andei mais um bocado por ali, vendo o que se atravessava à frente. Detive-me para usufruir de um momento mágico, ouvindo a música que dois idosos extraiam dos seus instrumentos musicais, enquanto uma senhora um pouco mais nova dançava graciosamente.

Apesar de serem apenas umas 10 da manhã já me sentia cansado. Isto cheira-me a esturro, pressinto a gripe da ordem, a incontornável gripe de viagem a chegar. Ou pode ser apenas cansaço acumulado, mas não me parece.

Chego à estação de metro mais próxima seguindo por uma encantadora rua onde contacto com a essência da cultura do hutong, esses bairros tradicionais que resistem ainda à modernização deste espaço urbano.

É muito fácil chegar ao hostel. Sem o saber estou pertíssimo. Deixo-me ficar na cama sem fazer nada quase o resto do dia. Apenas a meio da tarde saio para uma visita ao McDonalds da rua Wangfujing, uma via pedonal onde o comércio fervilha e que será de visita indispensável para quem quer que passe por Beijing.

Para lá o passeio foi agradável. Cerca de 1 km, com uma tarde perfeita de céu azul. Apesar de ser Segunda-feira há uma atmosfera de fim-de-semana no ar.O passeio da ampla avenida está cheio de pessoas. É uma zona com prédios moderníssimos e centros comerciais muito finos. Ainda não conhecia.

Chego rapidamente ao McDonald e confirmo que é um velho conhecido, já aqui tinha jantado antes de ir à Coreia do Norte. É barato. 26 CNY. Uns 3 Euros.

Ando um pouco na rua pedonal mas não estou mesmo no meu melhor. Começo a caminhar para casa. Paro no 7Eleven para abastecimentos e quando chego à cama estou mesmo de rastos. Meto um paracetamol que me faz sentir melhor e vou outra vez à loja buscar dois garrafões de 4 l de água. Tenho que limpar esta porcaria do meu sistema, que a minha vida não é isto.

Passo a última parte do serão no super agradável espaço comum do hostel. Falo um pouco com um viajante inglês que vai a caminho do Tibete.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Um começar bem matutino para estar na DMZ, a fronteira entre as duas Coreias ao abrir do lugar aos turistas. Depois visitou-se Kaeson, a cidade mais próxima da linha e onde existe um conjunto de vestígios históricos classificados como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. De regresso a Pyongyang ainda deu para viajar no metro e visitar um monumento grandioso.

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