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Do Báltico ao Mar Negro, dia 11 – Varsóvia e Przemysl

10 de Maio

 

Estar na rua às 7:30 com carga completa não é uma coisa agradável, sabendo que o meu comboio só parte às 12:50. Vai-se fazer o possível para encher a manhã e, depois, chegado à estação central, gostei de pensar que o possível foi até bastante. Posso dizer que a cidade acorda cedo. Aquela hora o sol já ia alto e a multidão de hora de ponta movia-se de um lado para o outro.

Tirei algum tempo para observar atentamente a torre da Cultura e Tecnologia, quiçá o marco mais característico da cidade, erguido no auge do período comunista, com uma arquitectura muito específica, que pode ser observada em estruturas semelhantes, apesar de mais pequenas, em Riga e até edestinom Praga.


Depois, foi andar, sem destino, ao sabor da vontade de ocasião, para sul. Vi muitas coisas, algumas interessantes, outras, simplesmente peculiares. Gostei da manhã, muito diversificada, incrivelmente quente para a época do ano e para a hora do dia. Mas foi fisicamente exigente. Parecendo que não acrescentei 12 km aos cerca de 60 dos dois dias anteriores, e desta vez com carga total no lombo. Por isso foi com grande prazer que esbarrei sem dar por isso na estação central, pelo meio-dia. Não me quis mexer mais. Tinha pensado trocar alguns Euros, mas decidi adiar. Precisava mesmo de pousar o peso e repousar.

O embarque foi feito sem problemas. O comboio afinal era óptimo. Não pude dispôr de um compartimento só para mim, um luxo a que me fui habituando nestas viagens, mas a companhia era educada e silenciosa, e dei por mim a usufruir da viagem. A paisagem decepcionou. Monótona. Campos e mais campos. A maioria lavrados, outros, nem por isso. Mas estar ali de pé, à janela, no corredor, levando aquele ventinho refrescante na cara, e recebendo os raios de sol ao mesmo tempo, foi simplesmente delicioso.

Chegar a um local à noite causa-me sempre alguma ansiedade. Vou-me imaginando a dormir num canto, enregelado, com medo. Nunca sucedeu, mas já estive próximo. E há-de chegar o dia. Bom, mas não foi em Przemysl. Como combinado, lá estava o meu anfitrião, Dariusz, outro Dariusz, que tratarei por Darek. Deste companheiro haveria muito a dizer, mas afinal de contas estes escritos são mais sobre as viagens. Caminhada rápida até casa. Vou partilhar o quarto com ele, ou melhor, ele vai partilhar o quarto. O chão será a minha cama para esta noite. Mas antes, umas cervejas. Algumas, suficientes para que, chegada a hora de dormir, regressados a casa, o chão duro parecesse o melhor dos colchões. Batemos as capelinhas da praça central. Em Przemysl o hábito polaco de recolher cedo a casa confirma-se, mas para uma cidade pequena (sensivelmente a população de Faro), a animação até era boa, se comparar com Varsóvia.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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