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Do Báltico ao Mar Negro, dia 15 – Lviv

14 de Maio

Este foi um dia de descobertas casuais. Lviv é imensamente interessante mas não é uma grande cidade. E com isto, num dia apenas ficam vistas as principais atracções turísticas e o centro. Mas a sua virtude é a infinidade de detalhes que se encontram a cada passo, e isto estende-se por quilómetros a partir da praça central da cidade antiga!

Caminhei em direcção a um parque que queria visitar. Encontrei uma roda panorâmica abandonada, enfiada entre blocos de betão, característica construção habitacional comunista. E, depois, o tal parque, muito agradável, com árvores altíssimas, refrescantes, com uma imensa quietude em toda a sua extensão.

Sai para a avenida que ladeia esta mancha verde e caminhei um pouco mais. E é então que tenho a primeira grande surpresa: um espectacular monumento comunista, com figuras esculpidas, em quatro blocos. Não faltava o símbolo da “república” ucraniana, no quadro da URSS, e as coroas de flores ali depositadas atestavam a actividade dos saudosistas desses tempos idos.

Do outro lado da rua, uma base militar, com algumas peças em exposição, à laia de museu ao ar livre, que me sinto tentado em fotografar, mas a chegada de um autocarro do exército faz-me desistir da ideia. Da viatura sai uma multidão de jovens militares, que dispersam de imediato, obviamente dispensados dos seus deveres, pelo menos para o resto daquele dia. Avenida abaixo seguem meninas-soldado, cabelos soltos, de todas as cores.

Visito ainda uma igreja e um parque, antes de regressar ao centro. Encontro-me com o Oleg em casa, e preparamo-nos para uma noite especial: naquele dia há serão de tango, que ele dança com entusiasmo. Divirto-me imensamente. Sou bem recebido pelos amigos dele que sabem inglês, e sento-me a observar os pares que evoluem na pista. Antes de lá chegar tenho direito a uma pequena visita guiada de Lviv “by night”. O Oleg mostra-me recantos que até então me tinham escapado. Indica-me o primeiro posto de correios da cidade e a primeira farmácia, ainda em actividade mas agora albergando também um pequeno museu.

O espaço onde os amantes do tanto se reúnem, alugado por eles para as noites de Segunda-feira, é interessante. Um pólo de cultura, onde em cada dia da semana acontece algo diferente. É curioso ver aquelas pessoas, tão diferentes entre si, em termos sociais e de idade, unidas por aquele gosto comum, trocando de pares, dançando avidamente noite dentro. Foi um serão em grande, definitivamente diferente. Uma noite de tango em Lviv.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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