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Do Báltico ao Mar Negro, dia 4 – Vilnius e Kaunas

3 de Maio

Passada a última noite no apartamento onde tão bem dormi desde a chegada à Lituânia. Comboio às 14:43 para Kaunas, a segunda cidade do país, apenas a 90 km da capital, também ela um destino Ryanair.  A viagem leva apenas uma hora e pouco e custa cerca de 4 Eur.

Mas para já havia que encher a manhã, e isso foi feito com uma caminhada até ao museu onde o Martynas e a Victoria trabalham. Um passeio de cerca de 5 km, atravessando uma vez mais os pontos mais característicos da cidade. Chegados à catedral caminhámos junto ao rio maior, porque existem dois cursos de água a cruzar Vilnius. Com as condições climatéricas a ajudar, usufruimos em grande destas últimas horas por cá.


O museu é na realidade uma espécie de extensão do Museu do Genocídio, instalado no edíficio sucessivamente ocupado pelo KGB, depois pela Gestapo, por fim, de novo, pelo KGB. Mas isso é o museu principal. Este, encontra-se numa propriedade apalaçada, também ela ocupada pelos serviços de segurança do Estado após a II Guerra Mundial e o regresso dos soviéticos. Ali foram encontradas valas comums com centenas de corpos de pessoas executadas durante a purga que se seguiu à reintegração da Lituânia na URSS. Resistentes, colaboradores e simplesmente pessoas que podiam representar uma ameaça para a estabilidade do controle comunista.

Os condenados eram abatidos com um tiro na nuca (mas mais vulgarmente à cacetada na cabeça) na sede do KGB de Vilnius, e depois transportados discretamente para esta propriedade onde eram enterrados. Este é portanto o tema central da brilhante exposição do museu, basicamente legendada em inglês e com meios multimedia bem implantados. Claro que usufruimos de uma visita guiada bem personalizada e sem necessidade de ingresso. Ali passámos os últimos minutos livres em Vilnius. Até que tivemos que nos despedir. Já tinhamos bilhetes para o “trolley” que nos levaria de volta a casa, onde a Elena nos esperava para que lhe devolvessemos a chave. Mais uma vez ficou clara a excelente localização do apartamento onde passámos estes dias. Não só é a meia dúzia de minutos a pé do centro como oferece um igualmente fácil acesso às estações de autocarros e comboios. E por causa disso chegámos ao terminal com bastante tempo de avanço. Descobri uma tasca com excelente cerveja Tauras a 2 Litas, que é como quem diz, a 0,60 Eur, e deliciei-me na esplanada rústica, caneca na mão, observando as pessoas atarefadas nas suas vidas do dia a dia.

A viagem foi bastante agradável. O comboio ia semi-vazio, carruagens com um padrão de qualidade muito aceitável, paisagem agradável, cheia de surpresas. Curiosamente sente-se aqui que as duas principais cidades lituanas, mesmo tão próximas, vivem de costas voltadas. Não sei se algum passageiro fez a viagem completa. O que observei foi que os que entraram em Vilnius foram saindo nas cidades próximas, e depois, a meio caminho, o comboio progrediu practicamente vazio, como que atravessando uma terra de ninguém. De seguida, com a aproximação gradual a Kaunas, foi-se enchendo de novo, já na área de influência desta segunda “grande” cidade (360 mil habitantes).


Estava um bocado apreensivo porque o Tomas não tinha respondido ao nosso SMS. Mas afinal lá estava ele, à nossa espera, na plataforma de chegada. Assim que cheguei a Kaunas puseram-me logo a trabalhar: ajudar um inválido, em cadeira de rodas, a atravessar os carris, e, depois, e entrar no comboio. E que pesado ele era!

De carro viemos até casa, bem perto do centro histórico da cidade. Para o pior e para o melhor, trata-se de uma habitação típica de madeira. As condições de vida são muito fracas para os padrões ocidentais, mas adorei ficar num ambiente tão castiço. De imediato fomos dar uma volta na companhia do anfitrião. O castelo, a confluência dos dois rios que se encontram em Kaunas, o centro histórico da cidade.  Depois de um momento de repouso numa esplanada à beira da água, atravessámos uma das pontes e subimos até um morro que oferece uma bela vista. Já não era cedo, e o Tomas deixou-nos a jantar num restaurante típico, algo turístico para o meu gosto, mas mesmo assim de preços acessíveis. Comi bolinhas de queijo fritas e panquecas recheadas com queijo e fiambre, tudo regado com uma bela cerveja, ao que se seguiu uma tarte de cereja acompanhada de gelado. E por tudo isto paguei cerca de 7,50 Euros.


Durante a janta o nosso amigo regressou, petiscou também ele qualquer coisa, e partimos para um périplo após o pôr-do-sol. Nas ruas, muita vida. Talvez sequiosas de uma Primavera acabada de chegar as pessoas invadiam as calçadas e as esplanadas. O passeio, intenso, estendeu-se até quase à meia-noite. Estava na hora de regressar a casa, e, depois de um chá na salinha comum, cama.


About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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