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Dormir no Aeroporto: Dicas e Ideias

Quando despesas são algo a ter em conta e o viajante é aventuroso, uma noite no aeroporto é algo que acontecerá mais cedo ou mais tarde. E existem alguns aspectos a ter em conta, um sem número de pequentas tácticas, de cuidados a ter, de soluções simples. Este artigo pretende ajudar os menos experientes a passar por esta situação.

Uma das principais preocupações é a segurança. Mas convenhamos que num mundo dominado pela paranóia da terrorismo, para o qual um aeroporto é um dos pratos mais apetecidos, a vigilância nos terminais é para valer. Existem câmaras que cobrem cada recanto das vastas salas, agentes da polícia que patrulham, sem cessar, os espaços aeroportuários. Com um sistema montado para contrariar os intentos dos mais organizados movimentos terroristas, sejamos realistas: haverá algum perigo para o viajante necessitado de umas horas sono? Podemos realisticamente imaginar um larápio aproveitar o repouso do passageiro para o aliviar de alguns pertences? Eu acho que não.  O que não significa que o risco seja literalmente 0%. Mas vá… reunindo os bens mais valiosos na mochila pequena que nos servirá de almofada, dormindo com um casaco cujos bolsos albergarão dinheiro, passaporte e outros elementos de valor de menores dimensões, metendo para dentro do saco cama uma bolsa com mais algumas coisas que prezemos… só ficará de fora, com uma vulnerabilidade muito reduzida, a mochila principal, carregada com roupas de viagem e outros tarecos de pouco valor.

Agora atenção: é preciso ter em mente que todos os aeroportos são diferentes e que essas diferenças são determinantes para uma noite passada menos mal. E daqui parto para o primeiro ponto, o que tem de vir antes de todos os outros: se planeia passar a noite no aeroporto é imperioso verificar se ele não encerra durante a noite. Uma vez esqueci-me disto, e criei dificuldades desnecessárias. Em trânsito de Faro para Pula, havia uma noite de permeio entre o voo da noite a a segunda parte, pela manhãzinha. Dois dias antes passou-me pela ideia verificar e…. Paris-Beauvais encerra à noite! Considerei passar a noite ao relento mas a previsão apontava para uma temperatura de -2 graus. Felizmente encontrei no AirBnB um quarto a 600 m do terminal, mas a brincadeira custou 25 Eur. De uma forma geral os aeroportos mais importantes nunca encerram, mas os outros, de terminais mais pequenos, usados sobretudo por companhias low-cost, podem bem fechar durante umas horas.

Uma ferramenta útil para a preparação de uma noite num aeroporto é o website Sleepinginairports.net, que disponibiliza reviews de viajantes, apesar de me parecer desactualizado. De resto, pode-se sempre googlar elementos essenciais para a noite: existem Wi-Fi gratuita nos terminais? Existem lojas abertas toda a noite? Onde se localizam os melhores bancos para uma pessoa se esticar? E fichas eléctricas? Se sim, convém não esquecer um adaptador caso o aeroporto se localize no Reino Unido… afinal passar umas horas a ver uns filmes ou séries de TV no tablet ou computador podem ser óptimas formas de matar tempo. Uma ficha tripla é um pequeno luxo que poderá ser útil  se encontrar a única ficha já ocupada por outro viajante.

É sempre melhor não estar sozinho nestas pernoitas. Por uma questão muito práctica: os primeiros a chegar ficam com os melhores lugares mas se for sozinho isso pouco adianta, porque mais cedo ou mais tarde terá que ir a algum lado, quanto mais não seja ao xixi da noite, e aí, bye-bye banco corrido almofadado, bye-bye ficha eléctrica. Dito isto, resumirei agora o que faço quando chego: primeiro verifico a situação do Wi-Fi… se há redes gratuitas, ou mesmo pagas ou com roaming gratuito com a TMN/MEO/SAPO; depois, percorro todo o aeroporto (OK, nos enormes, mesmo grandes, é pouco viável, mas tento ver o máximo possível), tomando notas mentais do que me interessa. Os meus olhos sondam o espaço em busca de lugares confortáveis, de fichas eléctricas, da localização dos sanitários, de lojas que mais tarde me poderão dar jeito. Procuro também elementos negativos: sinais de obras, que geralmente decorrem à noite quando o impacto é menor, mas também quando por coincidência estou a tentar dormir… de preferência sem um martelo pneumático em acção à cabeceira; convém fazer uma projecção do que acontecerá no losso local de eleição no espaço de algumas horas; num aeroporto, o espaço de tempo mais sossegado é sensivelmente entre a 1:00 e as 4:00, ou seja, entre a saída dos passageiros do último voo e o início da chegada dos primeiros passageiros para as saídas mais matutinas. Portanto, um cantinho pode parecer ideal à meia-noite, mas pode estar transformado num inferno de barulho e movimento logo pelas quatro da manhã. Não queremos isso. Atenção às lojas que abrirão, aos espaços que se activarão para receber os primeiros passageiros.

Se não encontrar bancos de aspecto confortável ou se quiser dar preferência a longas horas ao computador – especialmente se existir Wi-Fi – procuro um lugar no chão, com fichas eléctricas, onde possa estender o saco cama e aconchegar-me para a noite. Se for Inverno, atenção às zonas junto ao exterior… aeroportos costumam reduzir o ar condicionado de noite, e a temperatura pode tornar-se desagradável, sobretudo no chão.

O local ideal será um banco corrido, almofadado, num extremo do terminal, com fichas eléctricas próximas e casas de banho nas imediações. Não é frequente encontrar a combinação perfeita de factores, mas pode suceder. Recordo-me de uma noite em Stansted (infelizmente esqueci-me da localização exacta e da vez seguinte já não encontrei o meu paraiso) onde me enrolei num recanto do aeroporto onde ninguém ia, com fichas eléctricas, wi-fi e uma casa de banho mesmo em frente. Quase um quarto de hotel! Em Bangkok descobri que o terraço de observação das pistas, no último piso, não era frequentado e tinha casas de banho e espaço amplo… cheguei ao ponto de fechar as luzes do corredor quando me deitei para dormir. Em Geneva descobri que debaixo das escadas rolantes – que se encontravam desactivadas para a noite – estava quentinho e era super-abrigado, como que uma tenda privada.  Mas o cenário ideal encontrei-o em Sabiha Gogkçen, o aeroporto número dois de Istanbul. Ali, pernoitei num banco corrido da área de restauração, com um alcochoado tão fofo que fazia a minha cama parecer um tapete de faquir; e com uma ficha eléctrica atrás das costas, uma mesa para poder montar escritório até dar vontade de dormir, casas-de-banho em frente, à esquerda, e uma loja 24 h em frente à direita.

Uma palavra para a possibilidade de turismo de circunstância; imaginando que a chegada pode ser a meio da  tarde, ou que a partida poderá acontecer ao final da manhã, poderá proceder a uma investigação sumária sobre pontos de interesse a uma distância aceitável do aeroporto. Porque não combinar as coisas, e já que ali está ver um pouco mais do mundo? Tenho passado dias brilhantes no meio destas dormidas. Em Frankfurt-Hahn explorei os vestígios da base aérea americana que ali funcionava nos tempos da Guerra Fria; em Paris-Beauvais visitei a agradável cidade de Beuavais; em Stansted passei pelos bosques envolventes e deliciei-me com um cheirinho da paisagem rural inglesa; conheci a interessante Bristol num destes dias de aeroporto.

Por fim, há que considerar os problemas incontornáveis: nalguns aeroportos há anúncios de segurança (não deixe os seus pertences sozinhos, etc etc) que são emitidos de X em X tempo, e incomoda. Nem mesmo os indispensáveis tampões de ouvidos nos põe a salvo destas inconveniências, dos carros eléctricos de limpeza do soalho, das rodinhas dos trolleys de passageiros e pessoa de bordo. Já o pessoal da segurança não costuma ter problemas com os hóspedes oficiosos. A única vez que fui abordado foi em Bangkok e o bom do polícia estava apenas preocupado com a possibilidade de me ter deixado de dormir e poder perder o voo.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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