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Etiópia. Dia 7. De Bahr Dar a Gondar.

Para Gondar seguimos por estrada, reserva feita numa pensão recomendada pelo amigo do Nile Falls Camping. Foi fácil encontrar a carrinha certa no caos da estação rodoviária mesmo ao virar da esquina, mas não tão simples iniciar efectivamente a jornada. Espera-se por mais passageiros, depois para-se aqui e acolá, e outra vez. Antes de começarmos a rodar a sério o motorista a carrinha é trocada e depois é o próprio condutor que é mudado um par de vezes. Parecem haver mil coisas a fazer antes de deixar Gondar, como se os passageiros mergulhassem na vida privada do condutor que tem todos esses assuntos a tratar nas ruas de Dahr Bar, impreterivelmente na companhia de todos os que iam a bordo.

Finalmente a sair da cidade, passando pela ponte do Nilo Azul que tínhamos cruzado a pé no primeiro dia em Bahr Dar e depois umas três horas e tal para vencer os cerca de 200 km até Gondar. Esta cidade é das mais visitadas da Etiópia, mercê do seu complexo de palácios, datados do século XVII e considerados pela UNESCO como sendo merecedores da inclusão na Lista de Património Mundial da Humanidade.

Foi um dos poucos trajectos na Etiópia que não fiz de avião. Se calhar estou a aburguesar-me, mas com percursos a demorar dias sem fim em autocarros de conforto duvidoso e por estradas mal-tratadas, optei quase sempre por gastar um pouco mais e viajar com a Ethiopian Airways que, para quem usa os seus serviços para chegar ou partir do país, oferece um belo desconto nas ligações domésticas.

A viagem decorreu sem grande história e quando nos aproximámos de Gondar a “tripulação” da carrinha, composta por condutor e ajudante, perguntaram-nos para onde íamos. Tinham-nos dito que não havia distribuição porta a porta mas ao longo do percurso devemos-lhes ter caído no goto porque a verdade é que, como se vê na foto acima (e não, não removi a matrícula, ia mesmo sem matrícula) deixaram-nos mesmo à porta da pensão. Serviço cinco estrelas, e ainda bem, porque nos primeiros dias Gondar pode ser um bocado confusa.

O quarto era simples, como seria de esperar. Barato e simples. Gostei logo. A Sycamore Pension era propriedade de uma jovem mulher etíope, muito dinâmica e, de certa forma, bonita. Escolhemos um quarto no primeiro andar, o mais caro da pensão – 350 Birr, cerca de 11 Euros -, afastado da confusão do piso térreo. Vista para a rua (foto acima), onde iam passando pessoas, sempre pitorescas. Em frente, uma escola, e assim que fui à varanda, logo umas mãozinhas negras se puseram a acenar.

Saímos, com fome, passámos frente a um restaurante que anunciava pizzas e do qual tomámos nota mental, e prosseguimos rumo ao que procurávamos: o Four Sisters. Já tinha lido que era um dos melhores restaurantes da Etiópia e não duvido mesmo nada que o seja. Paga-se algo como 6 Euros para se ter acesso a um buffet fabuloso. De tal forma que enquanto escrevo estas linhas me vem saliva à boca, penso com gula em tudo o que havia naquela mesa. E isto num país que gastronomicamente não me impressionou mesmo nada, para dizer o menos. O Four Sisters é claramente turístico. É onde os “brancos” vêm comer. Mas que se lixe. A comida é deliciosa e muito barata. O local ideal para relaxar depois de explorar Gondar.

Depois de encher – de que maneira – a barriga, fomos ao centro. O complexo de palácios encontrava-se encerrado devido a uma qualquer comemoração religiosa (foto do topo do artigo). Andámos por ali a ver, a sentir o ambiente. Entretanto combinei um encontro com um couchsurfer indiano que não nos podia oferecer hospitalidade porque já a tinha prometido a outro membro da comunidade. Por Whatsapp ficou acertado. Iríamos ter com ele e com a sua hóspede a um hotel localizado no topo de uma colina na margem de Gondar. A T.J., a dona da pensão tinha-me falado disso. E assim fomos, de tuk-tuk, monte acima. Valeu a pena. Lá estava o amigo indiano à nossa espera. O sol estava quase a por-se, foi um fim de tarde fantástico, com cerveja gelada e boa companhia. Já era noite cerrada quando regressámos. Ele tinha um tuk-tuk à espera e lá nos encaixámos todos… cinco pessoas num tuk-tuk, obra suprema de engenharia.

Ficamos a 200 metros da pensão. Um percurso com alguns incidentes, começando logo que pus os pés no chão e se chegou ao pé de mim um tipo bêbado pouco simpático. Mais acima, uma volta forçada por uma matilha de cães que assolou um par de militares que caminhavam à nossa frente. Se eu fosse cão não iria incomodar dois tipos com AK-47’s às costas, mas eles lá saberão da sua vida. Ah! Ainda parámos para comprar umas bananas, para a fome do antes de dormir. E não se passou mais nada.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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