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França 2018 – Dia 2

Depois de um glorioso primeiro dia em terras de França, seguiu-se um segundo ao mesmo nível. Acordámos em casa do anfitrião em Saint-Nazaire. Um breve pequeno-almoço e saímos juntos para um passeio pelas redondezas na companhia do Paul. A bem dizer não me apetecia muito, preferia por-me em movimento o mais cedo possível, para ver o máximo de coisas no caminho até Saumur, onde iríamos passar esta segunda noite.

Mas senti no Paul a vontade de partilhar esta terra onde nasceu e cresceu e não tive coragem de me esquivar. Ainda bem, foi um passeio agradável, com uma visita ao mercado local e depois uma breve caminhada junto à costa, sempre com boa conversa com o Paulo, aprendendo, reparando em detalhes, ouvindo histórias. Uma boa forma de me despedir dele e do seu simpático bairro.

Já com tudo no carro, partimos para a cidade propriamente dita. O objectivo era explorar a base de submarinos alemã, construída durante a Segunda Guerra Mundial. Mais uma vez não foi nada complicado encontrar um bom lugar para estacionar, a poucos metros do enorme bloco de betão onde se alojavam os aventurosos submarinos.

Primeiro, espreitar por dentro. Aqui fez-se um aproveitamento parcial do espaço interior da estrutura, com um par de museus, um restaurante, o posto de turismo e mais escritórios e espaços públicos. Tudo fechado. Estranho, acho eu. Mas estava mesmo tudo fechado, num Domingo ao final da manhã.

Deu mesmo assim para tirar uma boa série de fotos, nas calmas. Depois, subir ao telhado. Foi bom ter acesso mas não gostei das alterações feitas lá em cima. Muitas vedações, um bocado paranóico. Existe uma torre principal onde existia uma peça de artilharia anti-aérea, actualmente feita miradouro. Um homem, com ar de quem se tinha materializado directamente de Woodstock tocava música da mesma época, para ninguém. Sim, não andava por ali ninguém.

Há uma exposição com explicações históricas, mostrando o passado, presente e futuro de Saint-Nazaire. O passado, esse, foi obliterado pelos bombardeiros ingleses e norte-americanos que destruíram a cidade e com ela a sua população e ainda os trabalhadores forçados que os alemães ali mantinham. Mais um crime de guerra impune em nome de um bem maior.

Agora uma corrida até ao Carrefour que há ali próximo, porque vai fechar. Abastecimentos comprados, a preços muito agradáveis. Já não se passará fome! Desta road trip em França adorei também a facilidade em encontrar bons supermercados espalhados por todo o lado.

Voltei à base de submarinos para atentar nuns quantos cantos que me tinham escapado inicialmente. E vi algo que me lançou num frenesim: um painel interpretativo da presença de Tintim em Saint Nazaire! Adoro Tintim! Claro que tive que pegar no carro e explorar quase todos aqueles pontos. Especialmente impressionante o primeiro, que na altura em que Hergé desenhou o álbum As Sete Bolas de Cristal era a principal entrada na cidade e hoje é uma rua secundária.

Estava-se na hora de pico de calor e estava mesmo calor. Houve tempo para espreitar algo que trouxe uma recente fama a Saint Nazaire, o estaleiro de construção de grandes navios de cruzeiro, de onde saiu aquele que é actualmente o maior do mundo.

E agora para Guérande, que era suposto ter visitado na véspera. Essa cidade histórica nos arredores de Saint Nazaire. Mais um estacionamento fácil, acho que desta vez a pagantes, não sei, não me lembro… mas mesmo os parquímetros eram a preços acessíveis.

Foi um passeio relativamente breve pelas ruas antigas da cidade. Muito agradável. Um pouco turístico mas mesmo assim uma paragem positiva, que me levou a recantos repletos de história, me proporcionou um momento agradável e uma mão cheia de fotografias para a posteridade.

Entrei mesmo na catedral, espectacular. Assim como o é a porta medieval principal, ladeada de duas impressionantes torres defensivas.

Terminado ali ainda tentei ir a Le Croisic, uma península rodeada de salinas que o Paul muito tinha recomendado. Quer dizer, tentei não. Fui mesmo. Mas não sei, tive um mau vibe, fui e voltei, sem parar, não vi nada de muito interessante do carro e procurava indicações para umas falésias de que ele me tinha falado, mas sem as conseguir encontrar e sem muito tempo para gastar na andança dei meia volta e iniciei o caminho para Saumur.

Pacífico, como sempre foi conduzir nesta semana feita de bom tempo e estradas agradáveis. Por volta das 18:00 chegava a Saumur. Aqui tinha um apartamento AirBnB reservado, que afinal pertencia a uma senhora de origem portuguesa, nascida em Angola. Muito classy, muito bonita e simpática. Correu tudo cinco estrelas!

A localização era fantástica, literalmente vizinhos do famoso chateau de Saumur. Que agradável! Perto de tudo, um apartamento impecável, acolhedor. Só houve contudo tempo para relaxar um pouco porque era lá fora que apetecia mais estar. Ainda por cima estava a decorrer (na realidade, a terminar) um evento que todos os anos se realiza em Saumur, um encontro de ciclistas revivalistas, que usam bicicletas antigas e se vestem em conformidade. E apesar de ser quase o final de Domingo ainda deu para ver muito dos traços do evento e apreciar o ambiente.

O castelo em si já estava fechado, mas pelas críticas que tinha lido também não planeava pagar para ver o seu interior, até porque o acesso ao recinto exterior é livre e foi ali que fomos. Na relva, um grupo de amigos, daqueles ciclistas revivalistas, levou-me a uma viagem no tempo. De repente pensei estar nos anos 40. Soprava uma ligeira brisa refrescante e a luz estava fantástica.

Do castelo vê-se o rio Loire passar, pachorrentamente, lá em baixo, cruzado pelas pontes de Saumur. E os telhados da cidade, e os campos verdes que a envolvem. Um cenário idílico. Um grupo de teatro ensaiava algo, acompanhado por uma música fabulosa que contribuía ainda mais para o grande ambiente.

Vamos então ver a animação. É mais abaixo. Facilmente alcançável desde a nossa rua. De repente desembocamos numa praça. Está cheia de gente, de esplanadas, de animação. E rodeada de edifícios medievais. Já lá regressaremos. Vamos aproveitar este bonito fim de tarde, que entra pela noite, para caminhar mais um pouco e ver mais de Saumur.

À beira do rio a feira associada ao evento começa a ser desmantelada mas há ainda muita festa, muita barraquinha interessante e comes e bebes que me abrem o apetite. Atravessamos duas pontes, andamos pela avenida principal, para estes lados um pouco mortiça com apenas um par de restaurantes aberto. E depois, regressar, refazer o caminho, de volta à praça animada, que assim continua.

Há ali comida para todas os bolsos e podemos simplesmente regressar ao apartamento e comer dos nossos abastecimentos. Mas o ambiente está tão fantástico que não apetece nada deixá-lo para trás.

Uma banda toca swing e há pessoas que dança. Um casal vestido à época dá show. Sentamo-nos num restaurante de kebabs com vista para tudo aquilo e como uma porção generosa de um excelente kebab que me custa apenas 4 Euros.

Mas que deliciosa forma de preparar o encerramento de um dia tão maravilhosamente preenchido.

De volta ao apartamento. O quarto tem vista directa sobre o castelo, mesmo ali em frente. No céu levanta-se uma lua cheia. E quando vem a hora de dormir não posso deixar de reparar no tranquilo silêncio que envolve aquelas paragens.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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