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França 2018 – Dia 7

Sinceramente não estava muito entusiasmado com a ideia de ir conhecer Bordéus. Algum cansaço acumulado, os problemas com o trânsito à chegada, a opinião dos anfitriões de Limoges. Tudo isto contribuía para um certo desinteresse, mas já que estava ali seria parvo não ir espreitar a cidade.

O pequeno-almoço foi tomado no quarto, que havia abastecimentos, transportados num grande saco desde o aeroporto, na véspera. No hotel o pequeno-almoço era opcional, e nada caro, mas também nada bom.

Ter a paragem de autocarro a uns 100 metros da porta deu um grande jeitão. Logo apareceu um, conduzido por um tipo insuportável… não aceitou o nosso dinheiro, sem explicação. Depois percebemos… só se pode pagar com moedas… não importa que o total a pagar fosse 9 Euros e a nota apresentada fosse de 10 Euros. Uma regra um bocado parva aplicada por um condutor totalmente parvo, não resulta numa grande primeira impressão do dia dedicado a Bordéus.

Saímos do autocarro depois de algumas paragens a olhar para o condutor, que não disse nada… nem para sairmos, nem porquê que não nos dava os bilhetes. Desprezo total. E Saímos porque vi máquinas de venda de bilhetes. Que, ò surpresa das surpresas, também não aceitam notas! Mas a coisa resolveu-se. Não havia moedas para bilhetes de dia inteiro – que custam pouco mais do que dois bilhetes simples, sendo portanto uma opção natural na maior parte dos casos – mas havia para os tais bilhetes normais de uma viagem.

Seguindo o GPS deduzi que estaríamos próximo do centro e pronto, cá para fora, para começar a explorar, levando logo na memória a imagem de um cemitério que pareceu interessante, para aí um quilómetro antes da paragem. Talvez à ida… talvez à ida…

Pronto, devo dizer que Bordéus continuava sem impressionar especialmente, e se hoje, ao percorrer as fotografias tiradas, pareça tudo muito bem, a verdade é não deixou saudades. A ausência de coisas ou momentos extraordinários, a antipatia geral das pessoas, o calor exagerado, os muitos turistas e as muitíssimas pessoas na rua… tudo isto contribuiu para a ideia a puxar para o negativo que ficou. Desta vez não se pode dizer que esta grande viagem tenha sido fechada com chave de ouro.

Andámos por ali um bocado. Uns edifícios imponentes, umas ruas castiças. Bordéus não parece ter sido muito maltratada pela guerra. Logo chegamos junto da catedral. Pago para subir lá acima, ao topo da torre. Arrependo-me. A plataforma não é bem lá em cima e está rodeada de uma rede grossa que perturba, e muito, o usufruto do local. A moço que vendia os bilhetes foi para aí a única pessoa agradável com que interagi em Bordéus.

Tinha preparado uma lista de locais a visitar, adicionando-os no meu Google Maps, e um por um foram sendo verificados. Comprámos os tais bilhetes para um dia num posto de venda dos transportes públicos e com eles fomos à base de submarinos alemã construída em Bordéus durante a Segunda Guerra Mundial. Estas bases foram a principal razão da visita a França, mas depois de ter passado pelas de Lorient e Saint-Nazaire não sentia especial necessidades de ver mais uma. Mas com os bilhetes na mão… porque não….?

E ainda bem, porque foi uma agradável surpresa. Primeiro, apanhámos um eléctrico, mais à frente passámos para um autocarro. Ainda era um bocado longe. E lá estava ela, a base. Tinha informação que estava a ser usada para eventos e exposições e a possibilidade de a visitar dependeria da existência, no momento, de alguma coisa a passar-se por lá. Era tudo verdade, e felizmente havia uma exposição. A entrada para a exposição não era livre, mas para o interior da base era.

É verdade que tal como nas outras a área que pode ser visitada é muito limitada. Mas das três visitadas, talvez por as expectativas estarem baixas, foi a que mais gostei. O seu interior é muito atmosférico, manteve-se inalterado, pode-se imaginar ali as silhuetas dos submarinos, os homens a trabalhar atarefadamente na sua manutenção. Tirei tantas fotografias!

Depois, voltar ao autocarro e no ponto de transição para o eléctrico ir ao Lidl comprar abastecimentos. Não muitos, que teriam que ser carregados, mas alguns, até para o piquenique improvisado ali à porta, junto aos homens de Leste que faziam o mesmo, apesar do deles ser um pouco mais… alcoólico.

De regresso ao centro. Calor e cansaço a apertarem. Vou ainda ver uma praça que constava da minha lista e o famoso espelho de água, que afinal não o é, tal como o conhecemos. Trata-se de uma área rectangular, semeada de aspersores especiais que criam vários efeitos, tornando-se muito refrescantes em dias como o de hoje, como se pode ver na imagem no topo desta página do diário.

O resto do tempo na cidade foi passado a vaguear, limpando mais mas quantas entradas da lista de locais a visitar. Portões medievais, praças… e simplesmente errância, à toa, por vielas, procurando escapar aos locais com maior densidade de pessoas.

Foi com alívio que regressei à paragem de autocarro para regressar ao hotel. Soube-me bem chegar aquele quarto refrescante e confortável e relaxar. Fique um par de horas, antes de sair para um jantar no Burguer King. Bendito bilhete de dia inteiro. Soube-me que nem ginjas!

O dia seguinte seria o último e como o voo de regresso era ao final da tarde, teoricamente ainda haveria tempo para voltar à cidade e explorar mais. Mas o que não havia era vontade, de forma que se ficou pelo hotel até à hora de check-out, espantosamente tardia, e depois, nos jardins, à sombra, na moleza, a fazer tempo. O aeroporto ali tão perto e a paragem de autocarro à esquina tornaram as coisas muito simples.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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