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Guias de Viagem: Rough Guides

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Deixem-me esclarecer desde já uma coisa: considerando prós e contras e tendo em conta que de qualquer modo já practicamente não uso guias de viagem, a colecção Rough Guide é mesmo assim a minha favorita. Quanto às razões, já lá vamos, mas por enquanto deixem-me prosseguir com um breve enquadramento histórico.

Talvez na génese do projecto se encontre a verdadeira razão da minha preferência: o primeiro livro da colecção, The Rough Guide to Greece, foi publicado em 1987 por Mark Ellingham, um viajante insatisfeito pelas falta de opções no universo dos guias de viagem. Para ele, as escolhas seriam entre os volumes focados na redução de despesas e algo parcos em verdadeiro sumo informativo (alguém mencionou… Lonely Planet?) e os livros quase enciclopédicos, massudos, de leitura pesada. Apesar disto, os primeiros Rough Guides eram dirigidos a um mercado essencialmente jovem dos backpackers. Do website oficial:

“In the summer of 1981, Mark Ellingham, just graduated from Bristol University, was travelling around Greece and couldn’t find a guidebook that remotely met his needs. It was here that he met Martin Dunford, who was in Greece teaching English at the time. On their return to the UK, in a bid to avoid getting ‘real jobs’, Mark, Martin and a small group of writers set about creating their own guidebook series; a series that aimed to combine a journalistic approach to description with a practical approach to travellers’ needs.

Published in 1982, the first Rough Guide – to Greece – was a student scheme that became a publishing phenomenon. The immediate success of the book spawned a series that rapidly covered dozens of destinations, and acquired a broad readership that relished Rough Guides’ wit and inquisitiveness as much as their enthusiastic, critical approach.”

Ellingham deixou a empresa em 2007, deixando o co-fundandor Martin Dunford ao leme do departamento de guias de viagem. Contudo, desde 2005 que a editora Rough Guides foi adquirida por um dos pesos pesados do mundo editorial britânico, a Penguin Books.

Actualmente existem mais de 200 títulos de guias de viagem Rough Guides (com volumes tão exóticos como o “Rajahstan, Delhi e Agra”), mesmo assim metade da oferta Lonely Planet. Contudo, creio que a Rough Guides será a segunda mais colecção de guias de viagem. Não deixa de ser curioso que os agentes que dominam este mercado são ingleses e não norte-americanos.

Chegou agora o momento de explicar a minha preferência pessoal, apesar do próprio Ellingham o ter feito no momento em que publicou o seu primeiro livro. Os Rough Guides oferecem um bom balanço entre informação práctica e seca e enquadramento histórico e cultural. Não sendo livros ilustrados, desde os finais dos anos 90 que passaram a incluir um pequeno caderno com imagens a cores dos pontos a não perder e da introdução ao destino escolhido. Gosto do grafismo atractivo, das caixas explicativas, da apresentação de materiais adicionais sobre o tema do guia (música, cinema, livros). Aprecio a organização e os mapas, e, sobretudo, a quantidade de informação sobres os locais abordados: podem-se ler quase como um livro comum, submergindo o leitor na história das regiões que serão percorridas, trazendo aqui e acolá uma curiosidade menos conhecida, apresentando ideias alternativas e sugerindo programas como se de um amigo se tratasse.

Reconheço apenas um problema nos Rough Guides: nos primeiros anos do projecto todos os guias eram escritos pelos fundadores (John Fisher, Jack Holland, Martin Dunford e Mark Ellingham) mas actualmente existem uma enorme legião de autores Rough Guide. Ora como esta colecção não se rege por parâmetros rigidos, como sucede com a Lonely Planet, o leitor notará substanciais diferenças de título para título. Alguns são regulares, outros, mais fraquitos. Mas também há livros excelentes. Ainda uso o Rough Guide to Jordan, escrito por Matthew Teller, como o exemplo do guia de viagem perfeito (cheguei a enviar um e-mail ao autor elogiando o trabalho que, educadamente, me respondeu que certamente estaria a exagerar). Durante os oito dias que passei naquele país do Médio Oriente, o guia Rough Guide revelou-se uma autêntica Biblia, oferecendo, à vez, informações factuais, enquadramento histórico, conselhos úteis, ideias… enfim, o que quer que precisasse de encontrar, estava lá.

Por outro lado, foi com o Rough Guide to Bulgaria que tive a minha zanga final com este tipo de livros, depois de pagar um  táxi (quem me conhece sabe quão raro é este acontecimento) para me deslocar a uma aldeia que, segundo o guia, seria a mais interessante de todo o país… e dou com um local sem ponta de interesse.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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