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Índia 2019 – Dia 16 – Agra, Orchha

A estadia em Agra não teve grande história. A ideia era dormir, visitar o Taj Mahal, se os astros se alinhassem para isso, e seguir viagem. Os corpos celestes não estiveram pelos ajustes. Ainda estava fraco, da gripe, e sem grande vontade de coisas especiais. No alojamento não havia pequeno-almoço. Ou se havia era fraquito. Nem me lembro. De forma que fomos a um café-restaurante ali próximo, claramente a servir os viajantes estrangeiros que se alojam na zona. Agradável. Bom pequeno-almoço, barato,  tomado numa ampla varanda com vista para aquela avenida cheia de movimento. Aliás, estar ali a observar era por si uma actividade própria. As pessoas, os veículos, as cargas… tudo aquilo era um espectáculo.

Entretanto tinha descoberto que em Agra a Uber oferecia a hipótese de encomendar um carro para um serviço à hora. E era barato. Por 6 Euros teríamos um carro à disposição por uma série de horas. Pareceu-me bem, mas o conduto, apesar de muito simpático, não facilitava as coisas, a comunicação em inglês era quase impossível e um projecto, que na teoria parecia bem, acabou por ser um fiasco.

De casa, depois de nos despedirmos da amável família (há provavelmente milhares de opções para ficar em Agra, mas não me queixo da Anukampa Paying Guest House), fomos ao Taj Mahal. Foi um disparate ter usado o carro para isto. A partir de determinado momento o trânsito automóvel é interdito e sucede que esse momento era para aí a 800 metros da casa. Bem, lá se foi, e de facto não apeteceu entrar no Taj Mahal. A gripe ainda me estava a afectar. Em processo de cura, mas deixando-me num estado de espírito indolente. Demos a volta, por fora, chegámos ao rio. Tive uma perspectiva do palácio, com muita tranquilidade. Não estava ali ninguém, mas via as formiguinhas, os turistas, lá em cima, nos terraços.

Poderia ter ido ainda à fortaleza de Agra. Ao parque que, do outro lado do rio, oferece uma excelente perspectiva do Taj Mahal, nem por isso, pelo que disse o condutor… achou demasiado longe, apesar de eu estar a pagar à hora, sem limites de quilómetros. Enfim, directos para a estação.

Ali foi fazer tempo. Muito tempo. A estação era diabólica. A mais movimentada que usei na Índia (e nem era a única de Agra), mais do que a de Delhi, por estranho que pareça. E a toda a hora, literalmente, como se fosse uma espécie de tortura mental, os anúncios sucediam-se.

Foi um alívio embarcar. O resto do dia foi de viagem, em direcção a Orchha. Ou Oracha. Ou qualquer outra variante. Vi o nome da cidade escrito de mais formas do que me consigo lembrar. E o estranho é que nenhum dos indianos que fui conhecendo, e que invariavelmente tinham curiosidade sobre o meu percurso, conhecia este local.

Orchha foi-me recomendado pela minha amiga Katy Deodato, e foi uma dica em cheia. Acho que se tivesse que escolher uma das cidades que visitei como favorita, seria esta. Não contando com Goa. Não, falo da verdadeira Índia. E não estaria aqui a escrever sobre Orchha se este meu blogue fosse lido por muita gente e tivesse grande impacto. Porque Orchha é um segredo bem escondido, e espero que assim permaneça. Não sei se ao longo dos dois dias completos que lá passei vi mais algum estrangeiro. E contudo, não é uma cidade banal, onde simplesmente vivem pessoas. Existem ali palácios e templos numa densidade louca. E uma vida local pitoresca e genuína.

À chegada, um tuk-tuk para o local onde iríamos ficar, que se revelou de certa forma um fiasco. Desta vez tinha sido reservado no AirBnB. Existe pouquíssima coisa na cidade. Este, era um quarto agradável, não tinha nada a ver com nenhum dos outros onde fiquei na Índia. Tinha padrões europeus. O problema é que eu não tinha reservado um quarto mas sim um apartamento. Que não existia. Da sala de estar, nem sinal… acho que consideravam um espaço no exterior, com um sofá tipo cama, por onde passavam pessoas da família a toda a hora. Existiria também outro quarto, que estava trancado. Enfim, uma experiência muito má. O proprietário não vive no local, é um indiano viajado que vive noutro lado qualquer e tem a irmã e os pais ali. A irmã é super gentil, mas a comunicação é complicada. O pequeno-almoço foi uma caneca de chá e tostas. Secas, sem mais. A casa de banho é no exterior, e estava um frio imenso à noite. A prometida água quente não existe.  Tudo coisas com que não tenho nenhum problema se forem essas coisas que me são apresentadas antes de fazer a reserva.

Bem, seja como for, o péssimo alojamento não ensombrou a estadia. Chegar lá não foi simples, porque o condutor dizia que conhecia mas não conhecia nada. Teve que andar para trás e para a frente a perguntar às pessoas e a bufar, já a ver que o dinheiro combinado não cobria o trabalho. Mas lá se encontrou. Jantámos na casa. No tal quarto fechado que exigimos mesmo que fosse aberto, porque comer no exterior não dava por causa do frio e não queria adormecer com o cheiro do caril.

O dia seguinte seria excelente!

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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