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Indochina – Dia 25 – 7 de Abril – Bangkok

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Acho que tecnicamente o meu dia começou em hora incerta, talvez seis da manhã, quando acordei com a mão do polícia tailandês. Primeiro pensamento: “- Será que estou metido em sarilhos?”. Não estava. O senhor agente apenas se queria certificar que não me tinha deixado dormir e assim ficado em risco de perder o meu voo. Quando lhe disse que não, que tinha chegado tarde na véspera e estava à espera de ser tempo de ir para a cidade,  disse “Ok” e partiu com o mesmo sorriso que vi quando abri os olhos.

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A partir dali já não dormi. Fomos andando, nas calmas, em busca do autocarro para o centro. Sem problemas. Era uma manhã calma quando saimos do autocarro, e demos de caras com um templo Wat Tri Thotsathep Worawihan. Assim mesmo. Ninguém disse que os nomes tailandeses eram simples de soletrar. Entrámos, e a tranquilidade das ruas extendia-se para o interior do Wat. Espreitei para o templo principal e vi que era esperada uma contribuição monetária e que não era permitido tirar fotografias. Ora estava eu a dar meia volta quando o simpático guardião me convidou entusiasticamente a entrar, em termos que não davam espaço para negação. E mais… deixou claro que podia tirar as fotos que desejasse. Pronto, a verdade é que à saída não escapei ao “convite” para a caixa das “esmolas”. Era dinheiro que não queria gastar mas afinal valeu a pena. O local era espectacular.

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Estávamos perto do hostel, mas ainda era cedo. Certamente que não podiamos fazer o check-in mas pensei que pelo menos podiamos deixar as mochilas à guarda até uma hora mais conveniente. E assim foi.

Revisitar o bairro onde o Baan Namptech se localiza soube bem. Já havia saudades daquelas ruas familiares e daquela gente. Claro que nos permitiram largar a bagagem, e iniciou-se uma longa jornada de exploração pedestre pelas ruas de Bangkok.

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Começámos por uma parte importante da cidade que nos tinha escapado nos primeiros dias. Ali, vimos sinais da tensão política, uma avenida bloqueada,com vestígios de batalhas campais recentes – equipamento urbano danificado, pedras arrancadas, barragens. Passámos por outro acampamento de oponentes ao Governo e demos com o Golden Mount, uma colina artificial que em tempos foi o ponto mais alto da cidade e que hoje é “apenas” um santuário religioso de entrada paga. Decidimos largar o dinheiro necessário, que não era muito, e começámos a subida. Encantador. Recomendado. Com o calor que já se fazia sentir aquelas pequenas quedas de água, os jardins frescos de um e outro lado das escadas, trouxeram um certo conforto. Detalhes. Cores. Mais à frente, uma série de sinos de vários tamanhos estavam à disposição para serem experimentados pelos visitantes.

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No topo, o verdadeiro santuário, onde uma pequena multidão de devotos orava, à sua maneira, exótica, para nós. A vista é mesmo espectacular. Gostei. Quando descemos, três equipas de intervenção rápida do exército – dois homens e uma mota cada uma – estavam ali parados. Um camarada tinha ido fazer uma visita ao WC público.

Dali caminhámos para a rua onde a especialidade dos comerciantes são os artigos religiosos. Não será de espantar, considerando a forte presença da igreja naquela parte da cidade. Vimos mais daqueles enormes lagartões que parecem pequenos crocodilos e visitámos um parque que era a principal prisão de Bangkok, contíguo ao museu do sistema prisional, e cujos muros são ainda marcados pelas torres de vigilância intencionalmente ali deixadas.

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O desgaste provocado pelo calor e pelos muitos quilómetros já palmilhados no dia já causava moça. Um belo ananás servido por uma senhora que vendia fruta serviu de paliativo, mas mesmo assim a energia não dava para muito mais.

Fomo-nos aproximando da zona do hostel. Estava a ser um bom dia, inesperadamente. Depois de uma noite no aeroporto não esperava fazer nada de produtivo, mas afinal viveu-se Bangkok em grande. Antes do check-in, tempo para uma visita ao restaurante dos sumos de fruta. Desta vez encomendei uma refeição. A experiência inicial, um par de semanas antes, não tinha corrido bem, mas desta vez acertei em cheio: um arroz de açafrão com caju e frango frito com ananás. Uma verdadeira delícia. A acompanhar não fui menos certeiro: a combinação do sumo de abacaxi e kiwi, num canecão de meio litro. Preço do manjar completo com bebida? Menos de dois Euros!

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Descansámos um pouco no quarto, lemos no terraço, não havia ninguém por ali. Mais para o serão saimos. Fomos à beira da famosa Khe Sanh street, queria beber mais sumo, mas havia agora tanta gente que desisti. Passeámos mais, fomos bater caminho, tirar coordenadas da paragem do autocarro que no dia seguinte nos levaria ao aeroporto. Encontrá-mo-la, mais ou menos onde esperávamos. Foi mais um óptimo passeio. O último em Bangkok.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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