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Indochina – Dia 5 – 17 de Março – Vientiane

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A noite passou-se bem, com dois despertares térmicos, o primeiro para ligar o ar condicionado, o segundo, para o desligar.

Foi-se logo para a rua, caminhar, percorrer as ruas que faltavam, da véspera. Levava em mente visitar dois templos-museu, e o primeiro, Wat Si Saket, foi encontrado sem dificuldade. O bilhete custa 5.000 Kips, ou seja, 0,45 Eur. Trata-se do templo mais antigo de Vientiene, sendo datado de 1818 e um ilustre sobrevivente ao ataque dos burmeses, em 1828. Uma das principais atracções do local é a galeria, onde se encontram alinhados milhares de Budas, de todos os tamanhos e em estado de conservação diverso.

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O segundo foi o Wat Haw Phra Kaew. Também com bilhete pago, de novo, com um valor simbólico (0,45 Eur). O jardim, impecavelmente mantido e irrigado, oferece um verde que vai sendo raro numa cidade em plena época seca. E irradia frescura. É agradável. O templo, enfim, é mais um templo, sempre interessante, mas depois de visitar uns quantos o entusiasmo vai abrandando. Este, foi originalmente construido emmeados do século XVI, destruido e reconstruido vezes sem conta ao longo da História, e finalmente erigido, tal como o vimos hoje, pelo ocupante francês na década de 30. Vale o dinheiro do bilhete.

 

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O objectivo principal do dia era mesmo subir até ao Patuxai e, se fosse caso disso, caminhar até mais à frente, até à zona dos museus militar e da polícia, do templo, da casa-museu dedicada ao presidente… ou, calhando, apanhar um tuk-tuk.

Mas a manhã estava mesmo agradável, a distância não era grande e a subida era muito suave, de forma que se foi por ali acima, nas calmas, com uma paragem, logo cá em baixo, no posto de turismo que por acaso encontrámos. Recolhemos um mapa, gratuito – os badalhocos do hostel queriam cobrar-nos 10.000 Kips por um igual – explicámos onde fica Portugal, aprendemos que em lao se diz Potukhet, e seguimos.

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O Patuxai é um arco de traça oriental, que tem no seu interior quatro andares, um terraço e uma cúpula, onde se pode subir contra o pagamento de 3.000 Kips. Nos andares intermédios existem lojas de “recuerdos” que podem ter interesse. Quanto à vista, bom, era como já suspeitava: Vientiane não tem uma “skyline” atractiva, a sua riqueza está nos detalhes e da atmosfera que as pessoas criam. Vê-la do topo do Patuxai é um exercício trivial que custa uns cêntimos e mais umas gotas de suor. Não vale a pena, sobretudo num dia como o de hoje, característico da época quente, onde uma nébula de verão cobre o céu espalhando uma luz intensa mas filtrada. Em redor, existe um pequeno jardim, felizmente regado e mantido, que mesmo nesta altura do ano está verdinho. Já as fontes, se funcionam, não nos brindaram com uma demonstração das suas possibilidades. Uma estava vazia, a outra, tendo água, encontrava-se parada.

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Prosseguimos, chegámos ao Museu das Forças de Segurança. Fechado. Dizem-nos que estão no período do almoço e que reabrem às 13:30. Este é talvez o único museu de Vientiane que não encerra às Segundas-feiras. Fica mesmo ao pé do Museu Militar – lá está, fechado hoje. Mas fomos até lá, na esperança que nos deixassem espreitar a exposição exterior, espalhada ali pelo terreno fronteiro ao museu propriamente dito.

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Um soldado carrancudo com um uniforme tal e qual como me lembro de ver a Mao Tsé Tung abriu um postigo: “- Fechado!”. OK, fechado, tudo bem, mas será que dá para dar uma vista de olhos cá fora. Aquela alminha hesitou durante uma fracção de tempo mas (felizmente) decidiu a nosso favor. Sim, pode ser, podemos entrar no recinto. Ora isso foi óptimo porque o local é interessante. Temos um carro de combate T-58 de fabrico chinês que viu prolongada acção, devidamente descrita no painel que se encontra junto a ele, e muitos outros elementos… um helicóptero e um avião de fabrico soviético, viaturas e esculturas, de influência socialista, muito peculiares, relativamente exóticas para mim e certamente a merecerem uma mão cheia de fotografias.

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Dali passámos ao grande templo de Vientiene, That Luang, um pouco mais afastado, onde chegámos depois de pedir indicações a uma jovem local. Andámos e andámos, atravessámos um enorme terreiro, onde, em parte ele, tinha havida uma feira… os carrinhos de choque estavam a ser recolhidos e o lixo no chão era muito. Mas dali já se avistavam os cones dourados do templo, e logo de seguida chegámos. Não há muita gente, apesar de ser o edíficio religioso mais importante do país e o símbolo do Laos. Uns quantos vendedores tentam aviar bebidas frescas a quem passa. Duas mulheres propõem gaiolas com um pássaros enclausurados, que o benfeitor libertará, num acto religioso. Há triciclos com gelados, pequenos petiscos. Mas pouca gente.

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Hesitamos e acabamos por não pagar a entrada. Não é pelo dinheiro, mas já tinhamos visitado dois mosteiros-museus e por ora chegava. O bilhete, tal como o dos outros, custa 5.000 Kips, cerca de 0,50 Eur.

O tempo de caminhada, a energia gasta, o calor, as visitas… tudo isto tinha provocado um certo cansaço. Entre a véspera e este dia, havia a sensação clara de que Vientiane tinha sido devidamente visitada, e que mais tempo nesta pequena cidade, só mesmo numa viagem de longa duração. Para o comum dos viajantes, dois dias inteiros na capital do Laos são suficientes para uma visita sem pressas, se existir forma física para caminhar por lá… ou, melhor ainda, não sendo o caso, orçamento para pagar tuk-tuk para todo o lado.

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O pouco que restava do dia foi então gasto em percorrer as poucas ruas que suspeitávamos não ter ainda espreitado, na expectativa de encontrar um pormenor, talvez uma moradia colonial bem conservada. Mas não havia condições para muito mais: calor, cansaço, desidratação, fome. Tinhamos pensado em repetir o passeio pelo “calçadão” mas já era demasiado tarde. Provavelmente a marcha das gentes locais, que tanto tinha encantado, já teria terminado, e apesar de tudo ser perto em Vientiane, ainda eram umas centenas largas de metros para cada lado.

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Acabámos por nos render, procurar o “jardim da cerveja” onde ontem tinhamos passado um bocado agradável ao serão. Tomei uma refeção completa, bebi sumos de fruta. Para terminar o dia, fomos descobrir um outro mercado nocturno. Se o de ontem, apesar da multidão ser maioritariamente lao, estava cheio de estrangeiros, neste, eramos provavelmente os únicos forasteiros. Além disso, aqui basicamente comia-se. Uma espécie de “hall da restauração” de um centro comercial, em versão asiática. Há de tudo para comer. As pessoas vão andando e compram o que lhes apetece. Muito interessante, sem dúvida um dos pontos memoráveis da passagem por Vientiene.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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