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Indochina – Dia 9 – 21 de Março – Hanoi

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Este foi um dia que começou de uma forma diferente. Passo a explicar: existe em Hanoi uma organização académica que reúne voluntários dispostos a usar algum do seu tempo a mostrar a cidade a visitantes estrangeiros. A simbiose é evidente. Os viajantes ganham um guia privado de forma gratuita, e o estudante vietnamita practica o seu inglês, conhece novas realidades, quem sabe, estabelece contactos que podem a ser úteis no futuro. Quando descobri a Hanoi Kids inscrevi-me, mas para as datas em que ia estar na cidade já não havia possibilidade. Mas fiquei numa lista de espera e calhou-me a sorte.

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O nosso voluntário viria ter ao hostel pelas 9:30, e cinco ou dez minutos mais tarde lá estava ele. Sugeriu uma visita à aldeia famosa pelo fabrico de cerâmica, Bat Trang, e lá fomos nós. Um autocarro primeiro, depois, outro, direito à tal aldeia. Detestei o local . Já esperava não gostar, e, aliás, por alguma razão estas aldeias “tradicionais” não estavam incluidas nos meus planos. São sempre locais artificiais, mantidos para sugar dinheiro a turistas, enfim, sítios onde abomino estar. Mas pronto, com o entusiasmo do estudante não tive cara para recusar e submeti-me ao castigo. Não aconselho a ninguém estas visitas, quer à aldeia da cerâmica, quer, já agora, à chamada “aldeia da seda”, dois passeios de dia inteiro que muita gente faz a partir de Hanoi.

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Mas nem tudo foi mau. A conversa com o nosso amigo valeu a manhã. Na realidade, fixei os olhos nele, concentrei-me na conversa, e tentei ignorar o resto. O dia cinzentão também não terá ajudado a apreciar o passeio.

Terminada a volta pela “aldeia”, sentámo-nos numa venda de rua a almoçar e isso sim, foi interessante. Com a ajuda do estudante pudemos interagir com as senhoras que ali vendem, experimentar umas especialidades vietnamitas, com destaque para uns bolos de batata doce, com coco e sei lá que mais, que estavam uma delicia. Regresso a Hanoi. Despedimo-nos dele e preparamos o resto do dia.

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A primeira paragem é a prisão de Hoa Lo, também conhecida por Hanoi Hilton, um nome criado pelos militares norte-americanos no decorrer da guerra do Vietname, por ser o local de detenção para pilotos capturados pelas forças do Norte. A prisão foi originalmente construida pelos franceses nos finais do século XIX e usada como cárcere para os opositores à ocupação, tendo ali sido executadas diversas penas de morte. Aparentemente a prisão não era grande coisa. As fugas sucederam-se, mas, por outro lado, os prisioneiros morriam frequentemente em resultado das condições atrozes em que se encontravam detidos. Depois, muito mais tarde, veio a Guerra do Vietname e muitos dos pilotos norte-americanos abatidos e caturados foram ali encerrados. Após 1975 a prisão continuou a ser usada, agora como local de residência para os opositores ao regime. Em 1990 o governo apercebeu-se da pérola que tinha entre mãos e vendeu a prisão e respectivo terreno. O presídio foi arrasado e deu lugar a um arranha-céus, mas uma parte da prisão foi preservado e transformado em museu.

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É uma visita interessante. O bilhete tem um custo simbólico, cerca de 1 Eur. A História abraça-nos ali, e a qualidade dos conceitos museológicos aplicados ajuda à experiência. O espaço não é muito grande mas está bem aproveitado. Na minha opinião é um dos locais a não perder numa visita a Hanoi.

Um bom bocado e muitsa fotografias depois, saimos para a rua. O tempo continua triste. Cinzento, deprimente. Oh como seria esta bela Hanoi num dia de sol resplandecente. Pois se mesmo assim estou apaixonado por ela! Mas o oposto não se poderá dizer. Hanoi tratou-me mal, nunca me sorriu, sempre escura… e passou-me uma gripe, que por esta altura começou a fazer-se sentir de forma mais intensa. Dor de garganta, um cansaço algo anormal. Mas, como se costuma dizer… “the show must go on”.

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E o próximo passo prendia-se precisamemte com um “show”: as marionetes de água vietnamitas. Uma forma de arte centenária, agora caida no esquecimento, preservada apenas para turistas e pouco mais. Em Hanoi existem – que eu saiba – dois locais onde se pode assistir a um destes espectáculos, e são perto, em redor do lago central. O mais conhecido é a uns 200 m do hostel e passamos por lá para ver se arranjamos bilhetes para a sessão da noite. Sim, há bilhetes (uma surpresa com que não contava, dado já ser tarde avançada e o show ser muito popular entre os turistas).

A simpatia não é apanágio da vendedora na bilheteira do teatro Thang Long. Mas passou-nos os bilhetes para a mão e isso é que importa. Existem duas categorias, sendo que a única diferença é a distância ao palco. Custam, respectivamente, 60.000 e 100.000 Dongs. Ou seja, o mais caro, cerca de 3,50 Eur. Foi a nossa escolha.

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Armados com os ingressos decidimos aceder a um café que viamos dois prédios ao lado do teatro, lá em cima, na “penthouse” do edíficio. Mas não é fácil. As escadas destes prédios são obscuras e parecem-se com a entrada para a arrecadação das lojas do piso térreo. Já tinhamos tentado umas outras, também para aceder a um café (estava cheio) e apenas com a ajuda e encorajamento dos comerciantes locais conseguimos. E agora foi o mesmo (uma palavra para a simpatia de quem nos apontou o caminho, mesmo sem perguntarmos… e ainda dizem que os de Hanoi são secos e frios…).

A escada era tenebrosa mas lá em cima o café Sketch é uma pérola perdida. Que espaço agradável. Uma vista fenomenal, com uma varanda que dá para o lago. Preços simpáticos, Wi-Fi, pessoal agradável, uma boa seleção no menu, quer para beber quer para petiscar. Foi uma supresa que ficará na memória, um daqueles momentos que pelo inesperado se tornam ainda mais memoráveis. Se for a Hanói, passe pelo Sketch. Ainda por cima, coitados, estavam vazios… incompreensível. Para os mais curiosos, um excelente artigo num blog de um viajante apenas sobre este café, e, já agora, um artigo sobre bons cafés de Hanoi que por acaso não inclui o meu bem-amado Sketch.

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Voltámos ao hostel para um merecido repouso. O dia estava a ser movimentado e a malvada gripe começava a fazer mossa. Descansar, esperar pela hora do espectáculo, sair. Cinco minutos até ao teatro.

As expectativas não eram grandes, e talvez por isso aquele bocadinho se revelou tão agradável. Marionetes de água movimentam-se sobre ou sob uma superfície de água com um cenário por detrás. O espectáculo é intenso, com música tocada ao vivo, uma narração empolgada (em vietnamita, mas pouco importa), muita cor e movimento. Os actos são curtos, como o é a sessão. Pouco menos de uma hora, o que é excelente, porque se revela o tempo certo. Mais, seria, para mim, fastidioso, sobretudo não entendendo o discurso. Assim, foi um excelente “timing” para ter uma ideia do que é aquela arte tradicional e para apreciar o que tem para oferecer.

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Houve ainda energia para um breve passeio no extenso mercado nocturno que acontece ali perto. O chato destes mercados e lojinhas no centro de Hanoi é que a maioria dos vendedores está ali para enganar os turistas. É muito complicado fazer negócio. O primeiro número que mandam é tão absurdo que apetece virar logo as costas. E quando digo absurdo é mesmo absurdo. Talvez haja demasiados “trouxas” a visitar Hanoi e estes vendedores estão convencidos que podem vender apenas a quem lhes pague os valores incriveis que têm em mente. Não funciona comigo.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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