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Istria e Eslovénia, dia 4

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Saimos de Koper pela manhã, pensando na gestão do tempo: deveriamos chegar a Ljubljana por volta da hora do almoço, quando o nosso anfitrião local nos esperaria em casa. Começámos com um par de visitas ali por perto, antes de nos fazermos verdadeiramente à estrada. E o primeiro ponto chamava-se Crny Kral, um castelo – ou o que dele restava – construido numa “agulha” rochosa, ligado a terra apenas por uma ponte. Uma posição practicamente inexpugnável. Hoje em dia a ponta encontra-se lá, mas é moderna e está fechada aos visitantes. A zona envolvente é, ou era, um parque natural. Junto ao parque de estacionamento recomendado, existe ainda um painel explicativo, mostrando as espécies de aves que ali viviam. Mas tudo foi destruido por um incêndio. Ficaram os cepos negros e vêem-se árvores já prontas para serem removidas e usadas como madeira ou lenha. As vistas são gloriosas. O local é um verdadeiro ninho de águia, e dali pode-se observar Koper e Trieste, tão perto e tão longe, quase ao alcance de uma mão mas em diferentes países.

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Parámos ainda em mais um castelo, agora feito restaurante de luxo, que o Casper nos tinha aconselhado, mas depois foi a partida desta região. A meio caminho chegámos a Predjama, onde duas coisas são famosas: as grutas e o castelo. Quanto às grutas, não obrigado. Está fora de questão pagar uma pequena fortuna para visitar uma gruta. Mas o castelo – onde também custa um bom dinheiro para visitar por dentro – é impressionante mesmo visto à distância. Foi construído encostado a uma parede rochosa, tornando a sua defesa mais fácil. Ainda em Portugal tinha encontrado algumas imagens deste local e tinha-o colocado na lista de coisa a ver, e de facto não me arrependi. É tão diferente e vistoso que passámos ali um bom bocado, a observá-lo sob diferentes ângulos, antes de regressarmos à estrada. Mesmo a tempo de evitar um enorme grupo de jovens – provavelmente estudantes Erasmus – entre os quais não faltavam os incontornáveis portugueses… “- Isto escorrega, carago” foram os últimos sons que escutámos em Predjama.

Depois foi transpôr os cerca de 60 km que ainda nos separavam da capital eslovena. Atravessámos montanhas e tivémos um breve contacto com a ruralidade do país. A paisagem humana é extremamente parecida com a checa. Sinceramente, se me dissessem que estava a atravessar a República Checa no Inverno não teria dificuldade em acreditar. Apenas as chapas de matrícula dos carros denunciavam a real localização. Fora isso, estava tudo ali: o aspecto das pessoas, os nomes dos locais, as aldeias desoladas, os montes de neve que ainda resistiam ao avanço da Primavera.

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Em Planina demos com um vale inundado, felizmente ao nosso lado e não à nossa frente. Em toda aquela mancha se erguiam árvores nuas, como palitos espetados, mostrando que a folha de água era uma invasora temporária, mas, mesmo assim, um adversário a ter em conta. Em alguns pontos a profundidade era já considerável, e aparentemente o nível continuava a subir. Algumas estradas que supostamente atravessariam o vale estavam cortadas, submersas a partir de determinado ponto.

Chegámos a Ljubljana, e a primeira nota positiva que ficou grava na memória foi a facilidade com que ali se conduz. Não que os outros condutores sejam especialmente agradáveis, que não o são. Mas sendo uma cidade pequena não conhece horas de ponta e engarrafamentos. As vias são direitas e com facilidade encontrámos o caminho correcto – com grande ajuda do GPS, claro.

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O Miki aguardava-nos em casa. Eram já duas da tarde. Foi o tempo das apresentações, de desc0ntrair um pouco. Conversa puxa conversa, um pouco de internet e um chá. Quando finalmente saimos, guiados pelo grande Miki, já a tarde chegava ao fim. A primeira paragem foi em Metelkova, um antigo quartel do exército, tomado por ocupantes quando os militares o abandonaram, e desde então transformado no principal centro de diversões de Ljubljana. Ali encontra-se o hostel Celica, prisão de origem, agora transformado num peculiar estabelecimento hoteleiro de baixo custo, com os quartos a localizarem-se nas antigas celas, todos eles enriquecidos com uma decoração criativa e personalizado. Em Metelkova cada palmo de parede se tarnsformou numa tela de arte repleta de graffiti artístico. Um local incontornável para qualquer visitante.

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Mais à frente encontrámos a namorada do nosso novo amigo, e depois foram quilómetros de passeio, sem exagero, não menos do que 20. Andámos durante horas a fio e vimos tudo o que havia a ver em Ljubljana, nalguns casos por mais do que uma vez. Até ao castelo subimos. E esse foi, literal e figurativamente, um dos pontos altos do serão. Numa das torres encontrámos o acesso para os antigos calabouços, que agora se transformaram num pequeno mas interessante museu. Apreciámos as vistas nocturnas da cidade, a perderem-se no horizonte, num imenso oceano de luzinhas de todas as cores e intensidades. Não há dúvida que o castelo de Ljubljana está muito bem aproveitado, num misto equilibrado de espaços culturais, de acesso gratuito e pago, de restaurantes e cafés, de áreas de lazer abertas. Muito bom.

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Mas não foi só o castelo que encheu a vista. Ljubljana é uma cidade pequena onde tudo anda pela mesma escala. Por isso as ruazinhas estreitas e românticas não são muitas nem se estendem por muitos metros. Mas não perdem por isso o encanto. Passámos por ruas pedestres, com comércio abundante. Vimos cafés, casas de chás e bares. Atravessámos uma infinidade de pontes, visitámos praças repletas de história. Tudo isto guiados pelo magnífico Miki. Parámos para comer um pedaço de pizza, muito salgada, mas com a fome que levava, pareceu-me a melhor pizza de todos os tempos.

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Cruzámos parques escuros (não esquecer que era de noite), passagens urbanas cheias de bares e animação nocturna. E, já a caminho de casa, uma enorme alameda ladeada por uma exposição fotográfica monumental que mostrava a Eslovénia no seu melhor. Quando finalmente chegámos a casa o cansaço não podia ser disfarçado. Foi tempo de beber uma cerveja, visitar uma vez mais a Internet e… caminha!

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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