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Leste 2014 – Dia 12 – 11 de Maio – Minsk

11Mai-01

Não tem nada que saber: fui para a cama cedo, acordei ainda era quase madrugada. O hostel em peso estava ainda adormecido. Dei uma volta na cama, olhei lá para fora… wow! Céu azul, azulinho… anichei-me sob o edredon a pensar na vida. Pelas 10 h tinha que me pôr em movimento em direcção a casa do meu anfitrião para os restantes dias de Minsk. Era um Domingo e ele tinha ido passar o fim-de-semana à sua cabana de campo. Contudo, lá em casa, estava um viajante amigo dele, alemão, que me abriria a porta. Eram 7 horas. Tinha pelo menos duas horas livres. Sim! Ia dar uma volta matinal para abrir o dia!

11Mai-02

Comi qualquer coisa, passei pela recepção onde um ensonado guarda da noite me cumprimentou, e pus-me na rua. Que dia maravilhoso para explorar uma cidade, para caminhar…. temperatura amena, a puxar para o frescote, céu azul, ruas vazias. A primeira paragem foi junto aquele pequeno centro comercial com a enorme escultura comunista que me fascina. Ontem não deu para fotografar bem porque estavam dois polícias daqueles latagões de camuflado mesmo na porta do edificio e não lhes quis dar ideias. Mas hoje desforrei-me com um céu de fundo perfeito… foram umas mãos cheias de “chapas”.

11Mai-03

Destino seguinte: a ilha das Lágrimas, como passagem pelo bairro da colina da Trindade. A ilha é na realidade um pequeno ilhéu de rio, ligado a terra por uma ponte, onde existe um monumento dedicado aos mortos da terra tombados na guerra do Afeganistão. Para lá chegar há que passar pelo meio da colina da Trindade, o mais antigo bairro de Minsk, pelo menos que tenha sobrevivido à devastação da Segunda Guerra Mundial. Quer um quer o outro local me descepcionaram. A “ilha” estava fechada, talvez pode ser demasiado cedo. Uma turista – de língua russa – tão intrigada como eu perguntou-me porque estava fechada… ou se eu sabia a que hora abria… ou algo assim. Há uma espécie de atracção fatal… para quase todo o lado onde vá (OK, na Noruega e isso nem por é tanto assim) os locais fazem-me perguntas na rua sobre as coisas da cidade.

11Mai-04

Quanto à colina, não é tão encantadora como esperava. Há poucas casas antigas e as que há não o parecem. Está tudo restaurado, imaculado, a brilhar de “novo” e isso retira o potencial encanto.

A partir dali, depois de caminhar um pouco nas largas avenidas de Minsk (uma porção delas, o segmento mais significativo, esteve à beira de ser classificado como Património Mundial da UNESCO, mas a construção de novos edíficios que não agradaram à organização, inviabilizaram o processo) cheguei aos igualmente míticos parques da cidade. Encontrei o Teatro Bolshoi de Minsk, rodeado de jardins fabulosos, enriquecidos com estátuas que aquela hora e com aquela luz ganhavam um aspecto místico, rodeadas como estavam de um verde intenso, que só na Primavera da Europa de Leste se encontra, e de raios de sol obliquos que entravam pelas copas das árvores envolventes. Demorei-me por ali um pouco, a tomar o gosto daquele ambiente. Passei junto ao edíficio e prossegui pelos parques…. pessoas passeavam os seus cãezitos… encontrei outra estátua, desta vez um monumento militar.

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Fui ter às avenidas e descobri que um edíficio monumental junto ao qual na véspera me tinha abrigado da chuva, é o circo de Minsk. Nunca tinha estado numa cidade com um edíficio exclusivamente dedicado ao circo.

Faziam-se horas de iniciar o regresso ao hostel. Passei por mais prédios monumentais. Um tanque T-34 encontra-se no alto de um monumento em frente a um deles. No momento não  faço ideia do que seja mas mais tarde dizem-me que é o antigo clube de oficiais do Exército Vermelho. Chego à linha de avenidas principais, com as quais já me sinto familiarizado. Ali perto ergue-se um centro cultural cujo design mereceu algumas críticas; muita gente diz que se parece com um mausoléu. Mas para quem vem de fora, enche o olho, com aquele estilo grandioso que já não se encontra no Ocidente.

11Mai-09

11Mai-10

Sobre uma das entradas de uma das principais estações de metro da cidade, um mural 100% soviético chama-me a atenção. Andar por Minsk é mesmo viajar no tempo. É uma última oportunidade de espreitar um mundo já extinto, que tanto marcou a minha geração, talvez a penúltima a viver a Guerra Fria.

Chego ao hostel, recolho os meus tarecos. Despeço-me dos meus companheiros de quarto que são, sem mais nem menos, os mesmos três alemães que me deram boleia para o jogo, e faço o checkout.

Agora tenho que refazer o último troço da caminhada da manhã, porque a estação de metro é naquela direcção. O meu anfitrião vive na ponta da cidade, na zona da última paragem de metro. Depois, ainda é quase 1 km a andar. Corre tudo bem. Sorrio com o preço insignificante do bilhete… 0,35 Eur. Ainda se usa ali o antigo sistema soviético: compra-se uma ficha – com aquelas dos carrinhos de choque – numa bilheteira guarnecida de matronas antipáticas (invariável) e insere-se a ficha num posto de controle que abre a cancela para o passageiro aceder ao túnel. A partir dai não há limites de tempo. Pode-se andar para trás e para a frente e enquanto não se sair para o exterior está-se à vontade.

11Mai-11

11Mai-22

Lá estava o Frank, a abrir-me a porta. Tivemos logo uma ligação positiva. Ofereceu-me uma bebida, depois um chocolate com um recheio que é único dali. Conversámos imenso e acabámos por concordar em dar uma volta pela cidade juntos. Foi um passeio que não estava previsto, pelo menos para ele, mas que levou, por assim dizer, o dia inteiro. Durante esta viagem, este foi o dia em que caminhei mais. Foram quase 40 km. Começamos por um parque de diversões com toques de feira. O Frank quis mostrar-me o local. A namorada dele é de Minsk e todos os anos ele visita o país com o qual tem uma ligação, creio, idêntica à que sinto com a República Checa.

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O local é de todo desinteressante para o turista mas a mim até me agrada. É um perfume de vida local. Para ali vão os habitantes de Minsk para sociabilizarem um pouco, para se divertirem, enfim, é a Feira Popular que já não temos, em versão simplificada e de entrada gratuita. Mesmo ao lado, parte do mesmo parque mas devidamente vedado, encontra-se o Jardim Botânico. O bilhete não é tão barato como deveria ser e e de resto está uma fila de gente considerável. Olhamos um para o outro… passamos.

O resto do passeio, pelo menos para já, não tem grande história. Faz-se mais de conversa do que de vistas. A maioria dos locais, entre a véspera e esta manhã, já os conheço. Vamos a um cemitério militar que tinha referenciado, mas não é especialmente interessante e o Franck não é propriamente o tipo de pessoas que se sente bem nestes ambientes… não compreende o meu interesse por estes locais mórbidos, e de resto este não me cativa, de forma que saimos de lá rapidamente.

11Mai-15

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Vamos ao centro, onde se encontra a fan zone, e depois estendemos a caminhada ainda mais, até um monumento que ontem, quando de dentro do táxi me dirigia para o pavilhão, tinha marcado como “a ver”. Ele já conhecia, aliás, sabia que existia. Diz-me que na sua última visita estava ainda em construção. Visto de perto este monumento é de facto espectacular e junto descobrimos que o edíficio anexo se trata do novo lar do Museu da Grande Guerra Patriótica, um dos mais significativos de Minsk e que neste momento se encontra encerrado. Em mudança, portanto.

11Mai-16

Ainda há tempo e energia para procurar (e encontrar) outro ponto que tinha marcado no meu estudo preliminar. Trata-se do monumento de homenagem aos judeus que pereceram durante a Segunda Guerra Mundial. Agora havia ainda uma boa caminhada até ao metro que nos levaria a casa. Estávamos ambos estafados.

Ainda parámos no supermercado local. Os preços são claramente mais baixos aqui. Pronto, regressámos ao lar, onde ficámos, a relaxar, cada um embrenhado nas suas coisas, computadores ligados, em silêncio. Chegou primeiro a Julia, depois o Uladzimir. Uladzimir, e não Vladimir, como faz questão de sublinhar. Que isso de Vladimir é para russos e aqui não são russos. É um tipo acelarado, sempre a 100 à hora em tudo. Uma personagem única, sem dúvida.

Ao serão recebemos visitas. Uma amiga deles, que veio jantar conosco. E pronto… o dia, e que dia, foi mais ou menos isto.

11Mai-27

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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