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Leste 2014 – Dia 16 – 15 de Maio – Hrodno, Brest

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Afinal não verei mais o Uladzimir. Ele hoje está atarefado com o trabalho e ontem não surgiu a oportunidade. Paciência. Arranjo as coisas com os meus anfitriões de forma a deixar a mochila no apartamento para voltar mais ao fim do dia para a recolher. O casal de cantores russos ensaia umas melodias. Sento-me um pouco a ouvir e de repente dedicam-me uma canção: “From Russia With Love”. Sorrio. Mas agora fazem-se horas de sair, vou à descoberta de Hrodno, desta vez ao meu ritmo, descansadamente.

Chegado ao centro, à praça onde se encontra aquilo que creio ser a câmara municipal, dirigo-me à zona antiga da cidade, que o Uladzimir me tinha apontado. O dia está resplandecente. Há azáfama na calçada e as pessoas trazem uma nota positiva à atmosfera. Aquela é uma rua pedestre, que percorro de olhos bem abertos. Os meus anfitriões proveram-me com dois ou três mapas da cidade e de súbito noto um mural que mais não é do que um desses mapas em tamanto ultra-gigante. Óptimo. Estudo-o com atenção e os meus olhos procuram o cemitério antigo. Sem sucesso. Está mencionado na legenda, mas no mapa não o encontro. Ainda troco uns SMS com o meu anfitrião mas ele não me sabe esclarecer.

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Ando pelas ruas paralelas e perpendiculares, mas apercebo-me que o bairro antigo, como tal, é reduzido e não vale a pena tentar encontrar outros pontos em redor. Assim sendo deixo-me ir rua abaixo, até chegar a uma outra praça, que marca o fim da velha Hrodno – que, como disse ontem, não é assim tão velha como isso. Nesta segunda praça destaca-se uma estátua do velho amigo Lenine. Do outro lado, um parque, com um monumento militar. Crianças correm em seu redor. Cruzo o espaço verde, que está bem cuidado e tem estatuária interessante.

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Continuo a fluir ao sabor do instinto. Do parque vou ter a uma rua com algums edíficios que me chamam a atenção e sigo por ela. É longa, e sem que me aperceba, levar-me-à à estação de comboios. Antes disso reparo num mural fascinante, de influência socialista, que foi criado na fachada lateral de uma casa de outros tempos. Mais à frente, ainda antes de chegar à estação, encontro o posto de turismo. Hesito mas acabo por entrar. Quero tirar a limpo a questão da localização do cemitério. Quando abro a porta, as três funcionárias olham-me com ar enfastiado e uma delas dirigisse-se-me, em russo. Claro que tenho que lhe perguntar se podemos falar em inglês. O que uma simples pergunta faz… o aspecto maçado desaparece de imediato substituido por um sorriso e uma energia redobrada. Numa fração de segundo deixa de estar à secretária e está a centímetros de mim, num movimento à Matrix. Pergunto-lhe se tem mapas. Claro que sim. Tem e uma enorme variedade deles. Para todos os gostos e bolsas. Desde 0,20 Eur até 1,20 Eur. Que belos preços. Não sinto saudades da Estónia. Pergunto-lhe pelo cemitério e recebo uma explicação ultra-super-detalhada de como lá chegar e mais uma introdução histórica ao espaço. Boa! E então vou andando… ah mas antes disso sou bombardeado com uma série de publicações gratuitas (de verdadeiro interesse, de tal forma que as carrego comigo até chegar a Praga e, depois, a Portugal) e a derradeira pergunta. De onde sou? De Portugal? Melhor ainda. A melhor amiga dela está a viver em Portugal com o namorado luso… não sabe bem aonde, é uma pequena cidade, e sim, a amiga está feliz e adora viver no meu país.

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Já sei que para chegar ao cemitério devo percorrer a relativamente longa avenida que vai da estação de comboios à estação rodoviária e depois prosseguir mais um bom bocado. Já tenho uma ideia geral da localização e de qualquer forma já tenho o cemitério marcado no mapa. Não há que enganar. Mas antes de lá chegar ainda me vou poder entreter com o mercado. Umas centenas de metros antes começa logo, por aqui ainda de rua. Depois há o mercado propriamente dito, o oficial, com um portão e bancas e stands organizados. E o cemitério começa logo a seguir.

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É algo diferente dos padrões que conheço. É um espaço amplo, com um aspecto desmazelado, com ervas altas a crescer, trilhos estreitos apenas mantido pelo passo dos que os cruzam. O terreno é desnivelado, com altos e baixos, mas não existem árvores. Apesar da área considerável avistam-se facilmente os pontos mais chamativos, os três ou quatro monumentos, os túmulos mais imponentes. Este é o cemitério ortodoxo, porque mais à frente, com uma entrada que ainda tenho que descobrir, localiza-se o cemitério católico.

As primeiras tentativas saem goradas. Vou ter a uma ribanceira ingreme, e apesar de saber que não estou longe, como me indica o campanário ali tão próximo, não será por ali que lá chego. Acabo por desistir da abordagem à bruta, saio, contorno o cemitério ortodoxo e, agora sim, encontro o católico, de facto logo a seguir e… havia uma ligação tão óbvia entre os dois que eu consegui não ver.

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Agora que consegui atingir os objectivos do dia, resta-me vaguear pelos pontos que o Uladzimir me mostrou na véspera. Um por um percorro-os todos. Acho especialmente fascinante o quartel de bombeiros, com um aspecto de outros tempos, a sua alta torre que se tornou uma atracção turística da cidade, e o lindo painel de azulejos ilustrando bombeiros de todos os tempos em diversas actividades. Procuro vagamente um café que me foi recomendado pelo anfitrião mas não o encontrando também não me preocupo.

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Pronto, vou apanhar o autocarro para o subúrbio. Visito o grande supermercado que lá existe, compro víveres em abundância para a jornada que me aguarda. Depois chego a casa, como qualquer coisa com eles. Vou ter boleia para o centro, o que me faz sobrar um dos bilhetes pré-comprados que adquiri na véspera com a ajuda do Uladzimir. Quatro bilhetes, 1,10 Eur. Eles vão a uma aula de dança. É uma gente maravilhosa. Toda a família está envolvida em múltiplas actividades culturais. Organizam eventos lá em casa, convidam músicos de renome internacional que, para seu espano inicial, tendem a aceitar o desafio para um encontro mais informal. E lá vamos nós, já atrasados. É tempo de nos despedirmos rapidamente, eles entram para a sua lição, curiosamente numa casa em que tinha reparado durante as minhas deambulações, e eu caminho para a estação de comboios, onde chego com imenso tempo.

O comboio já lá se encontra, mas com as carruagens trancadinhas. Meia-hora antes da partida os assistentes de carruagem chegam, mas ainda tenho que esperar mais um pouco. Finalmente abrem-se as portas e o tipo mostra-me os aposentos. Será que vou ter o luxo de viajar sozinho. Quando a composição arranca ainda tenho o exclusivo do espaço. Passa-se a tarde, o serão… e continuo em paz. Que maravilha! Sigo confortável, recostado, mas minhas actividades. Chega a hora de dormir. A meio da noite o comboio pára, não sei onde, e entre alguém no meu compartimento. Uma “vampe”. Deixo-me estar quietinho, fingindo dormir, e por fim adormeço mesmo… até acordar de manhã, já muito perto de Brest.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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