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Leste 2014 – Dia 4 – 3 de Maio – Helsinquia, Porvoo

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Despertei mansamente, sem pressas, quando o corpo abdicou do sono. Os meus anfitriões já estavam a pé, com todos os cuidados para me deixarem repousar. Convidaram-me para a mesa do pequeno-almoço e disseram-me que tinham estado a conferenciar e tinham decidido ir passear até Porvoo, porque não….  que gentis!

E ficou decidido. Partiriamos em breve, com duas paragens pelo caminho, que explicarei de seguida. O carro estava guardado numa das garagens que servem o bairro. Há umas três ou quatro, enormes, que cobrem as necessidades dos edíficios daqueles quarteirões. Foi-me dado o lugar de honra, à frente, e pouco depois rolávamos pelo asfalto finlandês. A primeira missão era comprar carne e enchidos num talho especial, onde os meus amigos se deslocavam com requintes de peregrinação. Só ali encontravam os produtos com a qualidade que queriam pelo melhor preço. E de facto o local é especial. Num recanto da província, junto à margem de uma floresta, parece uma pacata casa de quinta. Mas abre-se a porta e entra-se na loja, cheia de bulício. Há empregados e clientes, vindos sabe-se lá de onde. O Oskari inicia as compras e discute detalhadamente cada produto que lhe interessa, e que são muitos. Passado um bocado, com dois sacos cheios de enchidos e carnes, voltamos para o carro.

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A Riita diz-me que cresceu num local assim, mas mil vezes mais remoto, lá para o norte, para a Terra dos Lapões. Por isso agora não pensa noutra coisa do que viver na cidade. Vida rural só mesmo para um passeio durante o dia. Prosseguimos viagem. Segunda paragem, uma fábrica de rebuçados e caramelos. Que maravilha. A fábrica tem uma loja anexa onde dezenas, senão centenas, de produtos diferentes estão ao dispôr dos clientes. Há prateleiras repletas de todo o tipo de doces, devidamente descritos. Até existem alguns para provas, experimento um caramelo de canela e chocolate. Delicioso. Na minha forretice pondero mesmo em comprar um saco daqueles… nem é muito caro, cerca de 3 Eur.

Já estamos perto de Porvoo. Estacionamos estrategicamente, perto do centro, e começamos a explorar. Os meus amigos já aqui estiveram, claro, mas não são especialistas, de forma que muitos recantos são agora genuinamente descobertos em conjunto.  Lá em cima o céu está cinzento mas a chuva dá-nos um bom bocado antes de começar a cair. Passeamos pelas ruas empedradas, visitamos a igreja, vamos até à beira do rio. A cidade é encantadora, mas penso para com os meus botões que se tivesse decidido vir sozinho, teria ficado frustrado. Para mim, não vale a pena. As casas são pictorescas, mas as ruas assim ladeadas não são muitas e ao fim de um bocado fica-se com aquela ideia que simplesmente se está a ver mais do mesmo. Há lojas de antiguidades, que são afamadas, mesmo em Helsinquia, e cafés e casas de chá. O que de repente me desperta para um problema. Então mas… e o almoço? Quer dizer, eu sou eu, e posso estar um dia inteiro practicamente sem comer. Mas o meus amigos não trouxeram farnel e têm a miúda… por outro lado comer fora para mim está fora de questão, seria um suicídio financeiro. Só há uma forma, ir mais ou menos direito ao assunto e dizer-lhes que estejam à vontade para ir almoçar que podemos encontrar-mo-nos posteriormente. Como é evidente foi um momento algo embaraçoso para todos, mas teve que ser e no final arranjou-se uma solução a contento.

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Fomos a um café – que, segundo me disseram, faz parte da tradição das suas vindas a Porvoo – e ali eles comeram qualquer coisa (muito ligeira, demasiado ligeira, diria mesmo) e eu bebi um chocolate quente que me custou um pouco mais do que gostaria, mas vá, não me mandou para a falência: 3 Eur. E de facto o estabelecimento é amoroso… parece uma casa de chá saida do passado, das primeiras décadas dos anos 30. Infelizmente – vá-se lá saber porquê – existem sinais bem claros que indicam a proibição de tirar fotografias no seu interior.

Entretanto lá fora chovia. Quando saímos, fomos para o carro, e para casa. O dia tinha sido positivo, tinha conseguido ir a Porvoo, quando já não o esperava fazer. Mas ainda não tinha acabado. Fomos dar um pequeno passeio junto à água. Bem perto de casa existe um braço de mar, e, aliás, não muito longe há um porto comercial com ferries que saem diariamente para a Alemanha.

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Propus-me fazer arroz doce, mas para isso precisava de uma lata de leite condensado, coisa que não existe no mercado finlandês. Mas espera… não existe no mercado finlandês mas os russos são loucos por leite condensado, e quem diz os russos diz os bálticos, e existe uma loja de produtos estónios no quarteirão seguinte. Missão cumprida.

Quando regressámos a casa, pareceu que o programa do dia tinha terminado. Não podia estar mais enganado. Eu tinha ficado com o bichinho quando passéamos junto ao mar… queria explorar aqueles trilhos da floresta, mas a miúda estava engripada, a chuva ameaçava e foi com naturalidade que então retirámos. Mas agora, já descansado e cheio de energia, com tempo de luz pela frente e com aquela perspectiva, por assim dizer, ao fim da rua, sugeri ao Oskari que se calhar ia aproveitar a oportunidade para fechar em grande a minha estadia na Finlândia. Mas ele não se fez rogado. Ai sim? Então também vou. E mai nada. Acho que quem não gostou nada foi a Riita. Ambos disseram que não, que não havia problema, mas senti que não lhe agradou ser deixada para trás enquanto nos iamos divertir.

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O que se seguiu foi um espectáculo. Apesar de já ser tarde, tinhamos pela frente uma caminhada de 14 km, que foram feitos sempre a abrir. O meu amigo conhece aqueles trilhos como a palma da mão e levou-me por caminhos mágicos, através da floresta finlandesa, por vezes tocando o mar, por vezes mais internados nas profundezas do bosque. Mostrou-me a sua praia “secreta” e mais uma mão cheia de pontos de uma grande beleza. O sol ia caindo, temperando tudo com uma luz cada vez mais dourada. Quando terminámos aquela maratona já era tarde, chegámos a casa quase sem luz do dia.

Entretanto, fui prendado com a oportunidade de me desforrar da sauna falhada na véspera. E não é que eles têm uma sauna anexa à casa de banho? Mas uma sauna mesmo, como deve ser, tamanho a sério. E insistiram para que não me fizesse rogado, de forma que depois de toda aquela aventura, me deliciei com uma sessão inesperada. a minha primeira sauna gratuita. Que bem que soube.

Acabámos o dia sentados à roda da mesa, a conversar. De manhã cedo terei que acordar, a horas impróprias, para apanhar o segundo metro e mover-me para o terminal de ferries internacionais. A Estónia será a próxima paragem.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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