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Lisa Klimek: da Áustria a Portugal…. a pé

PTens algum conselho para alguém que vá brevemente para a estrada acompanhado de um cão?

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Que estejas preparado para problemas nas patas no primeiro mês. Alguns cães nunca conseguem fazer muitos quilómetros sem calçado adaptado. È bom saber como transportar a comida para o cão. Não esquecer o peso extra que é preciso para a comida, água, talvez uma capa para a chuva e lã ou até um saco de cama. Depende do cão e do destino. A maioria dos cães consegue habituar-se ao frio lentamente dormindo na rua, por criarem maior protecção na pele. O mesmo se aplica ás patas ao se moverem diariamente. Estojo de primeiros socorros é sempre um bónus especialmente em viagens longas ou perigosas (não só para o cão).

Se o cão tiver algum problema físico – tenta.Muitos problemas resolvem-se após a primeira fase.Não desistas depois da primeira opinião de amigos ou veterinário a dizer que nem deves tentar. Certifica-te de que o cão/cadela está familiarizado/a com o trânsito, chuva e tempestades na rua, disparos, crianças, animais selvagens, dormir na tenda ou ao relento…quanto mais habituado/a estiver mais fácil será.

Quando a Jala era mais nova nas nossas primeiras viagens, também carregava 10-15% do seu peso em mochilas para cães. Também podes tentar isso com o teu cão, quanto mais forte for, mais consegue carregar. Também podes construir um trenó adaptado para levar mais algumas coisas.E cuidado com cães agressivos!

Também cães muitos ágeis e difíceis, ou mesmo de caça, acho que não há nada melhor que fazer tal viagem com eles! Para os tornar física e mentalmente equilibrados.Hoje em dia a maioria dos cães nas cidades não são equilibrados e os problemas comportamentais podem ser resolvidos através de experiências e de uma boa vida ao ar livre. Em alguns países como Espanha e Portugal os cães não são permitidos em muitos sítios, restaurantes, bares, pensões, transportes públicos e por aí fora. Pensa nisso.

Talvez ter um seguro para o caso de o teu cão morder ou se for atropelado por um carro ou alguma coisa, nunca se sabe e depende muito de como lidas com o assunto das seguradoras. Coloca chip no teu cão, prepara todos os documentos e vacinas necessários para atravessar a Europa e planeia com mais tempo se saíres da União Europeia e informa-te muito bem sobre quarentena ou doenças estranhas e sintomas.

E mais importante: diverte-te! E deixa o teu cão divertir-se! Deixa-o familiarizar-se com tudo. Familiariza-te com o teu cão se nunca tiveres estado ao ar livre com ele por tanto tempo. E olha por ele!

Jala, a minha cadela – um Podengo das Canárias Espanhol – saltou da cama no momento que toquei a mochila grande que usámos na Hungria e que também usei desta vez. Estava sentada á frente da mochila, a abanar-se e a olhar para mim, muito excitada. E ela não é e nem nunca foi assim com mais nada.

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PDiz-me por favor, quais as maiores diferenças que distingues entre viajar sozinha, com pessoas e com um cão?

R

Com pessoas nunca procurei muito contacto com aqueles perto de quem dormíamos ou nas suas propriedades. E acampei mais visivelmente e por mais tempo em frente a uma fogueira a falar e a cantar e a fazer música com elas,ou a trocarmos uma mensagem, a desfrutar da vida. Aprofundas mais as relações que tens, depois aproximas-te dos estranhos. Estás mais seguro e na tua zona de conforto.

Com um cão és – dependendo do cão e da personalidade dele – respeitado, ou odiado, ou amado ou bem vindo. Tens de pensar por dois e planear por dois e talvez transportar comida por dois.Mas de certa forma não estás completamente sozinho.Apenas sozinho de pessoas.Mas não completamente sozinho. O acolhimento e amizade estão sempre disponíveis e podem ser muito importantes para atingir uma espiritualidade mais elevada se as coisas se tornarem complicadas. Penso que os animais te fazem crescer como ser humano.

A solidão é uma experiência muito importante. Se sabes estar sozinho, também sabes estar acompanhado. È por isso que fico contente que a Jala não seja um cão típico, mesmo que me desse mais trabalho, também me sentia mais sozinha às vezes.

 

PSe não te importares de responder a esta pergunta – Qual foi o teu orçamento para esta aventura?

R5 euros por dia. Para a Jala e para mim.Só o segundo par de sapatos é que a tornou mais cara.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Um comentário

  1. viagem incrivel, a pe, tem que se ter muita forca de vontade, parabens.

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