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Médio Oriente 2015 – Teerão – Dia 18

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Acordo calmamente e pouco depois os meus amigos seguem-me o exemplo. Tomamos o pequeno-almoço. Eu menciono que gostaria de ver a antiga embaixada dos EUA, o cenário da importante “crise dos reféns”, logo após a revolução de 1979, quando uma multidão de estudantes inspirados pelo fervor religioso e nacionalista invadiram a embaixado mantendo cativos os funcionários que encontraram no local. Durante meses.

O Amir disse-me que viriam comigo. Pensei que íamos caminhar – são apenas 3 km – mas ele retirou o carro da garagem e lá fomos. As ruas da cidade estão relativamente tranquilas. As pessoas foram passar o fim-de-semana com as famílias nas suas comunidades de origem.

Lá tiro umas fotos aos murais que decoram as paredes da antiga embaixada, actualmente ocupada por uma qualquer força de segurança. Parece que existe lá dentro um museu, mas o acesso é quase impossível nos dias que correm.

Volto ao carro. O Amir quer-me mostrar a torre da Liberdade, uma estrutura construída pouco tempo antes da revolução, por ocasião da recepção os grandes jogos asiáticos, um evento desportivo do tipo das Olimpíadas. No seu interior existem galerias, um museu, restaurantes. Mas hoje está tudo fechado. Podemos ver apenas por fora. Uma boa parte do dia é passada a percorrer as ruas de Teerão, imensas, longuíssimas. Felizmente sem um trânsito que em dias de trabalho deve ser uma coisa infernal.

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O Amir pergunta se não me importa que vamos passar a noite fora, em casa do seu melhor amigo. Tudo bem, claro. Passamos por casa para tratarem do passarinho e para eu trazer o que precisar para a noite.

A saída de Teerão é pacífica. O trânsito continua ausente. Ele diz-me que em dias normais aquela vasta auto-estrada de cinco faixas de rodagem é manifestamente insuficiente para escoar o trânsito. De tal forma que está a ser construída uma outra, paralela, a pouca distância.

De um lado e de outro da auto-estrada vêem complexos urbanos em construção. É impressionante. É como se construíssem cidades novas como quem joga SimCity. Fazem-nas em bloco, a um só tempo, dezenas ou centenas de torres em construção. Custa-me a perceber como é que existirá mercado para aquela quantidade abismal de fogos, mesmo aceitando que existe ainda um êxodo dos espaços rurais para a grande cidade. Que mesmo assim já conta com algo como 12 ou 15 milhões de habitantes, dependendo da fonte de informação.

Eu nem sei bem para onde vou. Simplesmente deixo-me ir. O Amir disse-me o plano mas perdi o fio à meada, perante os nomes diferentes que não consigo reter na memória.

Afinal a primeira paragem é na sua casa de família, o local onde cresceu. Vimos visitar os seus pais. E a irmã. E o cunhado. E a tia. E o primo. Este último tem uma surpresa para mim. É um artista. Um futebolista freestyle que faz todo o tipo de habilidades com uma bola de futebol e oferece uma performance em minha honra. Sucedem-se os malabarismos. Espectacular.

Eles discutem projectos para o jardim. O Amir explica-me as possibilidades e fala-me das suas memórias de infância e adolescência aqui. “A esta árvore eu subia para escapar da minha irmã, quando lhe fazia traquinices”.

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Depois fomos então para casa dos amigos. Jantámos lá. Vivem num apartamento impecável, super-moderno, bem arranjado. Um casal jovem, como os meus anfitriões. Eles são amigos desde os tempos de escola, o Ali fez-se engenheiro civil, o Amir foi para arquitectura. Agora trabalham juntos.

Depois do jantar pediram para ver as minhas fotografias de viagem. Eles estão todo entusiasmados com a viagem que vão fazer em Março pela zona da Indochina, e sequiosos de ideias e dicas. Passei as imagens para uma Pen USB e vimos na televisão. Excelente ideia. Acabaram por ver todos os álbuns que tinha comigo. São Tomé, Cuba, Laos. Cambodja. Vietname, Tailândia. Gabo-lhes a paciência. As pessoas comums vêem um álbum e chega-lhes.

O Ali retira-se cedo. Tem que acordar às cinco da manhã. Vai escalar. Curiosamente assim que olhei para ele achei que tinha “pinta” de escalador e não é que era mesmo….

Ficamos até tarde. Eu, obcecado por um problema no meu telemóvel, que está a esgotar a bateria a uma velocidade assustadora. O Amir obcecado pela viagem. De tal forma que, como me disse no dia seguinte, até sonhou com o Cambodja. As meninas à conversa, animada, durante horas a fio.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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