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Momentos: Uma manhã na Masjid-e Nasir Al-Molk

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Masjid-e Nasir Al-Molk. Um nome enigmático. Mas simplifiquemos: trata-se de uma pequena mesquita na cidade iraniana de Shiraz. Pequena mas com uma enorme particularidade: de manhã, entre determinadas horas, o sol incide num ângulo especial e os vitrais existentes num dos seus lados enchem a sala de oração de luz colorida. Mas isso só descobri quando lá cheguei, foi um choque, um enorme “wow”. Antes, só me tinham dito que tinha uma luz espectacular mas que para usufruir dela era necessário visitar a determinada hora.

Essa conversa tinha ocorrido na véspera, com os meus companheiros de quarto no belo hostel onde estava a ficar. Era uma equipa e pêras, um grupo unido por uma amizade efémera, que durou apenas algumas horas, mas que funcionou com uma excelente dinâmica colectiva. Foi assim que soube da existência desta mesquita, que de outra forma teria concerteza perdido. Foi ao serão que combinámos uma visita em conjunto, logo cedinho, para garantir o usufruto da luz.

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Despertar, pequeno-almoço, reunião das hostes e para a mesquita caminhar. O bilhete custou 100.000 Rials. Uns 2,50 Eur. E foi o dinheiro mais bem empregue daqueles dezanove dias pelo Irão. A entrada para o páteo da mesquita deixou uma impressão de quase indiferença. Mais uma mesquita, muito bem. Mas no momento em que entrei na sala de oração o meu queixo caiu e nunca voltou a subir… a luz que o sol injecta de forma oblíqua passa pelos vitrais que formam a parede a nascente e enchem de côr o espaço. Nunca tinha visto algo assim, um espectáculo baseado em príncipios tão simples, mas mesmo assim tão eficientes.

Mais tarde a sala encher-se-ia de turistas, mas aquela hora ainda mantinha uma mística baseada no intimismo de outros tempos, quando os únicos pés que pisavam aquelas alcatifas eram os dos fiéis que ali procuravam reunir-se com Deus. Ou Allah, conforme se lhe quiser chamar.

Quando se está na Masjid-e Nasir Al-Molk aquela hora é fácil perder a noção de tudo o resto, os sentidos concentrados na orgia de côr projectada nas paredes e no chão alcatifado. Mas a mesquita é mais do que aquela luz. Cada detalhe encerra encantos que merecem ser descobertos, gravados na memória, trazidos para casa. Desde os candeeiros suspensos até à decoração dos tectos onde se encontram fixos, desde os trabalhos na pedra das colunas até aos próprios padrões dos tapetes. E depois há o exterior e ainda um mausoléu anexo cujas paredes são decoradas com complexos trabalhos em vidro. Tudo maravilhas que acabam perdidas, ofuscadas pelo banho de azuis, verdes, amarelos, encarnados.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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2 comentários

  1. Que legal! Eu sou louca para conhecer uma, mas como geralmente viajo sozinha não me senti confortável ainda de viajar para algum país assim. Talvez seja um pouco de medo. Quem sabe um dia! O seu relato me deixou apaixonada e as fotos simplesmente lindas, principalmente quando a luz incide pelos vitrais.

    • Oi Vanessa… paises islâmicos não são todos iguais, assim como países europeus não são todos iguais. Se andar pelo Sul da Itália vai sofrer de algum assédio, mas nenhum se andar pela Dinamarca. No mundo muçulmano a mesma coisa. No Irão conheci um par de moças a viajar sozinhas, uma delas inclusive era minha companheira de dormitório em Shiraz. Sem problemas.

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