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Newcastle – Amesterdão – Dia 7

Último dia completo em Amesterdão. É tempo de descontrair, o que mesmo assim resulta numa caminhada de pouco menos de 10 km. Nem sei como, nem onde. Limitei-me a andar por ai, comprando algumas coisas de que tinha tomado nota mental. Descobri uns últimos pontos de interesse. Mas comecemos pelo princípio! De manhã, depois do dorminhoco Marco ter decido despertar, já depois das 10 horas, fui finalmente experimentar o barco dele nos canais da cidade. Foi uma voltinha curta, que serviu para tomar o sabor da coisa. Já na volta, foi preciso abastecer o garrafão de gasolina. Encontrar uma parede disponível perto da bomba de gasolina existente junto à estação de autocarros, tratar da amaragem e saltar para terra para uma curta viagem à estação de abastecimento.






Foi então depois desta abertura que o meu dia realmente começou, como disse, sem nada de especial a acontecer.  Comecei pelo Begijnhof, um dos muitos páteos de Amesterdão, que detém uma característica única: desde o século XIV que é habitado por mulheres solitárias. Nessa altura, existia uma via alternativa para as mulheres que se queriam dedicar a Deus sem contudo ingressar num convento. Podiam-se tornar “beguines”. Practicavam as mesmas acções de beneficiência que as freiras, mas sem a austera vida das religiosas. E este espaço começou por ser uma comunidade de “beguines”. O tempo passou, os hábitos evoluiram, mas nos dias de hoje algo da tradição resiste: nos apartamentos de Begijnhof apenas são admitidas mulheres. Podem ser visitadas por elementos masculinos, mas é estritamente proibida a permanência de homens durante a noite.

Cirandei pelo centro, nem sei por onde, que ao fim de cinco dias não consegui ainda adquirir uma noção espacial desta cidade. Sei que atravessei um mercado que me trouxe uma outra dimensão: já tinha comentado com o Marco que achava curiosa a homogeneidade étnica e cultural em Amesterdão; esperava uma salada humana, baseado em relatos e nos números da emigração… algo mais próximo da multi-culturalidade londrina ou parisiense. Mas até este momento, só holandeses de gema. E foi assim, sem saber bem como nem onde, que aterrei num mercado de rua, grande, onde de repente poderia estar em qualquer local do mundo; negros, árabes, asiáticos… e mais asiáticos e toda a gente… menos holandeses.



Passei pelo mercado de flores para trazer um saco de bolbos de túlipas. Não consegui encontrá-lo sem a ajuda telefónica do Marco. Amesterdão tem algo que me desorienta, passei estes dias todos perdido, constantemente à procura de referências espaciais.

Eram umas quatro horas quando regressei a casa. Talvez esteja mal habituado depois de nove dias, entre Inglaterra e Holanda, plenos de sol. Mas hoje havia algumas núvens no céu, a temperatura tinha descido, e soprava um vento fresco. Em suma, estava algo desagradável e pouco convidativo a passeatas longas.

O Marco saiu pouco depois de eu chegar. Trabalhinho, e até tarde. Eu deixei-me estar, e um pouco mais tarde enchi-me de coragem e decidi procurar um cafezinho agradável onde pudesse beber uma última cerveja holandesa e ler e escrever um bocadinho. Vagueei sem rumo durante cerca de uma hora mas não encontrei pouco que me agradasse. Regressei conformado. Amesterdão não é para mim. Até nestes pequenos pormenores se nota.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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