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Os 1001 usos para um “Keffiyeh” ou lenço árabe

Apesar de poucos conhecerem o seu verdadeiro nome, quase todos já viram um Keffiyeh (artigo Wikipedia), aquele lenço de origem árabe que se popularizou em alguns quadrantes do mundo ocidental em finais dos anos 70, quando uma onda de solidariedade para com a situação do povo palestiniano se espalhou sobre a Europa. Talvez tenha sido Yasser Arafat, lídel da Organização para a Lipertação da Palestina (OLP) o grande responsável pela transformação do Keffiyeh num símbolo político. O histórico dirigente palestiniano nunca surgia em público sem o seu Keffiyeh, e as pessoas habituaram-se a associar o objecto à causa.

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O actor norte-americano Collin Farrel envergando um Keffiyeh

Seja como for, desde há muito que se banalizou o uso desta peça de vestuário. Afinal de contas não é assim tão diferente do comum “lenço” ocidental e serve perfeitamente de alternativa com um toque exótico. As tradicionais cores e padrões  tribais já não têm o exlcusivo nos Keffiyehs. Até os militares ocidentais que combatem no Iraque e no Afeganistão os adoptaram, e há muito que as Forças Armadas Britânicas o têm vindo a usar, à revelia dos uniformes regulamentares. Mas é entre aqueles que viajam que se tornou mais popular. Talvez por uma associação no imaginário colectivo entre o Keffiyeh e um maravilhoso mundo de aventuras em terras distantes. Talvez pela utilidade práctica que tem. Ou provavelmente por uma conjugação de ambos.

Como não estou aqui hoje para escrever acerca dos mecanismos de construção de imaginários, será sobre as aplicações prácticas do Keffiyeh que vos quero falar. Não é que tenha nada de genial para vos dizer. Apenas algumas ideias resultantes de uma mão cheia de anos de experiência. Certamente muitas outras aplicações existirão, que nunca me terão ocorrido… porque os suiços têm a fama com o seu canivete, mas o Keffiyeh é muito mais versátil!

  1. Emergência médica! Como torniquete para ajudar a estancar o sangue de um corte grave num membro.
  2. Repouso… é uma óptima fronnha de almofada. Basta enrolar umas quantas peças de roupa sem elementos de metal, envolvê-las com o Keffiyeh, e obté-se uma bela almofada. Se não houver peças de roupa disponíveis, o próprio Keffiyeh bem enroladinho dá para desenrascar.
  3. Conforto… ao pescoço, enroladinho, como é costume, serve de cachecol e aquece quando está vento e frio.
  4. Protecção… à boa maneira árabe, no topo da cabeça, ou atado “à pirata”, é excelente para proteger do sol inclemente.
  5. Desenrascanço… precisamos de um cinto improvisado? Crie-se uma faixa com o Keffiyeh bem enrolado, um nó em vez de fivela e já está!
  6. Protecção… todo enrolado em volta da cabeça, estilo múmia, não há melhor para tempestades de areia e meios extremamente ventosos.
  7. Anonimato… de novo imitar a “múmia” e deixar só os olhos à vista. Fica garantido o anonimato de quem assim o enverga.
  8. Protecção… utilização optimizada se for possível usar mais do que um, mas se apenas um existir, servirá: o sol está quente e é preciso um toldo? Com a ajuda de estacas ou de vegetação natural, cada extremidade do Keffiyeh ata a uma estaca ou tronco e forma-se um toldo.
  9. Higiene. Toalha, pois claro! Sem mais complicações.
  10. Sobrevivência. Precisamos de água e encontramos um poço ou um lago. Sem esquecer a pastilhinha purificadora, é um óptimo filtro para reter impurezas de maior calibre.
  11. Desenrascanço… enrolado finamente serve de corda para muitas das possíveis utilizações de uma corda convencional; amarrar alguém (credo, parece um filme), puxar ou fixar algo, etc.
  12. Refresco… está calor, precisamos de prosseguir… arrefecimento extra é mandatório. Pronto… é questão de empapar o nosso Keffiyeh em água e de seguida envolvê-lo na cabeça ou no corpo (directamente sobre a pele). E que diferença faz!
  13. Protecção… Mosquitos! São às centenas! Não há azar! O Keffiyeh resolve. Mãos dentro das mangas. e a cabeça totalmente envolta no nosso “canivete árabe”. Não há mosquito que pique!
  14. Higiene. Queremos comer qualquer coisa e hoje não nos apetece colocar a merenda directamente no chão. Pronto, o Keffiyeh servirá de toalha, directamente.
  15. Repouso… Queremos dormir mas há imensa luz. Faz-se do Keffiyeh uma venda. Um dos usos mais comuns que lhe dou.
  16. Desenrascanço… queremos transportar uma série de items pequenos e não temos bolsos. Como levar 15 obejctos em duas mãos? Simples… abre-se o  Keffiyeh no chão, colocam-se os objectos lá em cima, fecha-se o  Keffiyeh em forma de figo, dá-se um nó e tem-se uma espécie de saco com tudo lá dentro. E ainda fica a sobrar uma mão para o que der e vier.
  17. Defesa. Estamos com medo, de gentes ou animais. Sem armas. Mas no campo há pedras. E se bem que esses sólidos objectos sejam só por si uma arma, o Keffiyeh potencia-os. Serve de funda para quem sabe manejar uma. Se não, enrole-se uma pedra de dimensões médias no Keffiyeh e use-se como um cacete flexível. Temível!
  18. Conforto. É de noite, queremos dormir, estamos na montanha. Está frio.  Temos um fogão a gaz e um cantil… ferva-se água, derrame-se no cantil. Tem-se uma botija de água quente… mas muitoooo escaldante. Em contacto com a pele queimará. Só se… se criarmos um casaquinho protector com o nosso Keffiyeh, fica o problema resolvido e a temperatura no interior do nosso saco-cama tornar-se-á idílica.
  19. Segurança. Viajamos num comboio ou num autocarro. A nossa mochila pode, em qualquer uma dessas situações, tornar-se atraente para um qualquer amigo do alheio. Há algo que na maioria dos casos resolve o problema: prenda-se a mochila com o Keffiyeh a algo. A angústia de ter a bagagem longe de nós será em  muito atenuada, porque não é qualquer ladrão que terá o sangue-frio para soltar o volume que é nosso.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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3 comentários

  1. Joaquim Safara

    Óptimo post. Na Líbia onde passei quase três semanas com guias árabes no meio de nenhures, deu para observar ao vivo algumas das aplicações que referes.

  2. Parabéns pelo post, eu não sabia que o Keffiyeh tinha tantas utilidades! isso me ajudou muito.

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