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Sevilha e Marrocos – Fez

Dia 3 em Marrocos. Sexta-feira, dia santo. As artérias principais encontram-se mais desanuviadas do que o costume, com muitos dos fieis a cumprir escrupulosamente os mandamentos. Mais de metade das bancas e pequenas lojas encontram-se encerradas, mas mesmo assim não se perde a impressão de que a medina de Fez é um enorme centro comercial ao ar livre. Excluindo as estreitas ruelas que se perdem de vista a partir das vias comuns, todo o povo se dedica ao comércio. Nalgumas zonas, em regime de mercado, com animais de capoeira vivos, vegetais, frutas, sem qualquer dúvida de que tudo aquilo vem directamente do produtor. Depois, nas vias ligeiramente mais largas, com uns dois ou três metros de largura, alinham-se “lojas” de todos os tipos. É um desfile de mercadorias exóticas. Lustruosos doces fritos cobertos de mel, alguidares repletos de tâmaras, ameixas, figos, nozes e todos os frutos secos que se possam imaginar, casas de artesãos que trabalham no ofício que os alimenta à vista de todos, coloridos stands onde vestidos de casamento se alinham em traços verticais.

Errando pelas ruas de Fez encontramos mesquitas, fontes, muitas fontes, sendo bem conhecida a obsessão que os “fassis” (habitantes de Fez) nutrem pelas suas queridas fontes ricamente decoradas com mosaico colorido. Burricos transportando todo o tipo de mercadoria, pedintes, homens santos. Enfim, uma míriade de côr e exoticismo. Contudo, ao fim de dois dias assim rodeado, começo a sentir alguma exaustão. O panorama pode ser admirável, mas ao contrário de muitos ocidentais que aqui chegaram e ficaram, apaixonados por uma mencionada diversidade, sinto que ao fim de algum tempo tudo se repete e a monotonia domina. Já me encontro saturado das abordagens constantes de jovens que procuram ganhar o seu pé de meia mostrando os cantos à casa. Reconheço que lidar com eles pode ser enriquecedor, tamanha a diversidade de abordagens e as personalidades distintas. Mas todos eles apresentam um intrigante elemento comum: por alguma razão, feitiçaria ou arte divinatória, quase invariavelmente se me dirigem em português. Como diabo conseguem percebem que sou português? Reconheço que alguma perspicácia lhes poderá dizer que provenho da Europa do Sul…mas que diabo, se eu próprio mal consigo distinguir um português de um espanhol, como diabo me saem estes basbaques aos gritos de “Cristiano Ronaldo” ou “Lisboa” e outras coisas assim?

A tarde deste segundo dia de Fez é passada em casa. Doe-me as solas dos pés. O calçado Decathlon, que tão bem me serviu nos últimos anos, tem-me vindo a desapontar nos tempos mais recentes; depois de umas botas que me causaram algum desconforto nos primeiros dias de uso, agora uns sapatos de caminhada que ao fim de vários dias não consecutivos de utilização teimam em me criar bolhas no pé esquerdo. Algo que nunca havia sucedido antes, mesmo com artigos de baixo de gama adquiridos naquelas lojas. Resultado, andar por Marrocos de chinelos, que pode parecer muito bem ao início, mas que após algumas dezenas de quilómetros a calcorrear piso urbano irregular começa a fazer mossa.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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