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Sinal Menos: Aeroporto de Paris Beauvais

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Tudo tem os seus momentos menos bons, e o universo da viagem não é excepção. Há imensas coisas que despertam sentimentos negativos no viajante. Frustrações, decepções, contratempos. Esta nova rubrica do Cruzamundos é sobre todas estas situações, aquelas que não se podem traduzir pelo já omnipresente “Like”, quando o que queremos mesmo é gritar aos sete ventos… DISLIKE!!!

O primeiro “réu” que vos trago é um famigerado aeroporto de Paris Beauvais, pelo qual passei por duas vezes nos últimos quinze dias. Há umas semanas tinha-vos aqui apresentado um website que contém todas as indicações que os viajantes possam necessitar para pernoitar em aeroportos, incluindo uma base de dados de “reviews” para cada aeroporto. Inclui também um ranking dos melhores e piores aeroportos para passar a noite. Imaginem qual é o nome que lidera o top menos? Pois, isso mesmo: Paris – Beauvais.

Na realidade, não deveria lá estar, porque aqui não se pode mesmo é passar a noite. Ainda antes da meia-noite a segurança põe todos os candidatos à pernoita na rua, e as portas só se abrem lá para o início do dia. E isto descobri-o da pior maneira, na véspera, quando já tinha tudo preparado (aproveito para deixar aqui a solução que encontrei, que implicou abrir os cordões à bolsa, mas que recomendo vivamente. É o Bed & Breakfast da Florence, que fica a uns meros 700 metros do terminal: Au Nid de Tillé).

Portanto, a noite saiu-me dispendiosa mas inesperadamente confortável. O primeiro problema resolvido, aproximava-se o segundo, e sem aviso. Cheguei ao terminal com uma antecedência excepcional, mas fiquei desde logo céptico ao deparar-me com uma fila com cerca de 100 metros para entrar para a área dos passageiros. Ao fim de 20 minutos pacientemente alinhado, tinha andado uns 10 metros. A coisa estava a começar a complicar-se. Perguntou-se ao tipo que aceitava as malas para checkin como é que era, que a hora se aproximava e com uma fila destas certamente não chegaria a tempo à porta de embarque. Pois que não havia problema, foi a resposta. E não houve mesmo. À parte o stress.

Então as coisas passam-se assim: quando o aperto se torna crítico, uma funcionária caminha ao longo da fila chamado os passageiros para o vôo cuja hora de partida se aproxima. Com o seu grupo reunido, vai até ao início da fila e toda a gente passa à frente dos outros. Apesar de legitimado pelo pessoal habilitado, o processo não é simples. Lá à frente o caos é grande. Toda a gente se acotovela, na ânsia de avançar mais um pouco. Nos últimos 15 metros toda a noção de decência é inexistente e aquilo torna-se numa espécie de competição pela sobrevivência. Depois, para o controle de segurança da bagagem, a cena repete-se, talvez de forma mais harmoniosa.

Com tudo isto, quando comecei a subir as escadas para o avião, estava na hora prevista para a descolagem. Ia pensando que com tudo aquilo deveria ser o último a embarcar, mas afinal era exactamente o oposto. Quando entrei na cabina, encontrei-a quase vazia, com os poucos passageiros que por lá estavam ainda nos procedimentos de chegada (a arrumar bagagens e escolher lugares). Por fim, quando descolámos, levávamos um atraso de 45 minutos e muita ansiedade em fase de descompressão. Decididamente este aeroporto não está preparado para as operações aeroportuárias que lhe são solicitadas pelos clientes. No meio de tudo isto, uma nota de louvor para o pessoal, todo ele muito simpático e lidando com as situações (de que não são responsáveis) sempre com um sorriso e uma atitude positiva. Pelo menos os funcionários com que interagi.

Alguns factos:

O aeroporto de Beauvais dista 85 km de Paris e foi utilizado como base áerea pelos ocupantes alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflicto, a Força Aérea dos Estados Unidos instalou-se de armas e bagagens em Beauvais, antes de devolveram a base às autoridades francesas. Durante grande parte da segunda metade do século XX foi utilizado como aérodromo de reserva da NATO e recentemente, como sucedeu com tantas outras bases militares depois do fim da Guerra Fria, foi requalificado e é actualmente utilizado por algumas companhias low-cost, especialmente pela Ryanair e Wizzair. É importante referir que o terminal 2 não apresenta nenhum dos problemas narrados neste texto, para além de, também ele, ser encerrado durante a noite. De referir que a cidadezinha de beauvais, facilmente acessivel (4 km, autocarro com bilhete de 0,90 Eur) é de grande relevância histórica (foi o primeiro munícipio de França) e uma visita é altamente recomendável.

O aeroporto de Beauvais na Wikipedia

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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