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Voar com a British Airways

Vou ser muito sincero: apesar de já ter feito alguns voos com a British Airways, não me considero um passageiro frequente da companhia. No momento em que escrevo estas linhas usei os seus serviços por apenas quatro vezes. É portanto uma opinião formada com uma fina base aquela que aqui se lerá.

Creio que a British Airways, com todo o conservadorismo das coisas britânicas, é uma das companhias aéreas de bandeira (um termo algo obsoleto que se refere às companhias aéreas nacionais, de um tempo em que o universo da aviação civil era bem mais simples: Air France para a França, TAP para Portugal, Iberia para a Espanha, Alitalia para a Itália, Sabena para a Bélgica, KLM para a Holanda, etc) que melhor resistiu à perda de qualidade nos serviços prestados.

Tenho a melhor das impressões da companhia e até ver é com um sorriso que me preparo para um voo com a British Airways. O seu pessoal é do mais profissional que tenho encontrado nas andanças aéreas pelo mundo. Muitas vezes com uma idade que já não é normal ver a bordo,  o que lhes oferece uma experiência e uma respeitabilidade geralmente bem utilizada.

Até agora tenho tido sempre voos a descolar à hora, com excelente comunicação do cockpit para a cabine, actualizações de situações mais complicadas – e o que aconteceu com um dos voos é uma história por si – informações sobre as condições meteorológicas no destino, sobre a rota seguida.

Um dos voos que fiz foi de longa distância, de Hong Kong para Londres, e correu muito bem. Cadeiras confortáveis e um entertainment center de qualidade são essenciais para uma viagem de cerca de dez horas, e encontrei isso com a British Airways, assim como um plano de refeições equilibrado e agradável.

Nunca usei o website da British Airways para efectuar uma reserva, mas as operações de rotina, como o check in online, são simples. A app funciona também bastante bem, dispensando a impressão do cartão de embarque e facilitando muito a vida a quem viaja apenas com bagagem de cabine.

Para quem fala inglês, como acredito ser o caso da maioria do pessoal que viaja com frequência, a facilidade de comunicar com o pessoal de terra e de bordo vem como um bónus.

Ah! Tinha falado numa situação complicada… foi assim… depois de um longo voo de Hong Kong esperava ter uma ligação confortável a Lisboa. Afinal eram só três horas no ar, depois de dois meses de viagem pelo Extremo Oriente. Uma adenda que deveria ser irrelevante, mas que não o foi. As coisas até começaram bem, com um tempo excelente em Londres. Mas à medida que nos aproximávamos de Portugal as condições deterioravam-se e a turbulência surgiu. Com Lisboa à vista o avião era chocalhado violentamente e tremia por todos os lados. À minha frente uma moça entrou em pânico, chorando e gritando, enquanto o comandante tentava a aterragem, que logo abortava com motores a toda a potência. Seguiu directamente para Faro, assumindo a despesa adicional para a companhia sem colocar em risco a segurança e mesmo o conforto dos passageiros. Sempre comunicando para a cabine o que se estava passar e o que se seguiria. As hospedeiras sentaram-se com a rapariga que recuperava aos poucos o equilíbrio, acalmando-a e conversando com ela. Acabei por receber autorização para sair em Faro, o que me poupou muitas horas de espera e grande desconforto. Toda esta situação impressionou-me muito positivamente e sou levado a crer que é um espelho da filosofia de trabalho da British Airways.

Só me desagrada um pouco que nos voos de médio curso e na classe mais económica não seja oferecida aos passageiros sequer uma bebida económica, sei lá, um simples chá.  Além disso os lugares são atribuídos pelo sistema, podendo ser modificados pelo passageiro sem custos mas apenas dentro de limites muito apertados. Uma alteração a gosto do passageiro terá um custo considerável. É que low cost é low cost e a British Airways é outra coisa.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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