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Voar com a Ethiopian Airways

Voar com a Ethiopian é algo que um viajante comum fará um par de vezes na vida. Se não for etíope, claro. Ou residente na Etiópia. Ou ainda um eterno apaixonado por aquele país africano.

O Cruzamundos visitou a Etiópia e foi cliente da Ethiopian Airways. O primeiro voo fez-se de Madrid a Addis Abeba, a que se seguiram quatro voos domésticos e, para acabar, o regresso à Europa em sentido inverso.

A Reserva e o Website

Diria que a facilidade de utilização do website da Ethiopian Airways e a sua qualidade geral está uns furos acima da média. É fácil ver-se as tarifas para uma série de datas possíveis, o processo de reserva é simples e eficiente e a gestão posterior do booking faz-se sem sobressaltos.

O Suporte

A qualidade do suporte da companhia é algo aleatório, e tive que recorrer a ela uma série de vezes durante a minha viagem e a sua preparação.

As boas notícias: existe um suporte por chat no website, ideal para esclarecer pequenas dúvidas. Por exemplo, quis saber o que sucederia se perdesse o voo em Madrid, e recebi logo a informação exacta sobre os valores que teria que pagar para apanhar o avião seguinte.

As más notícias: o pessoal do suporte por chat tem uma autonomia muito limitada e quase tudo o que for acima do esclarecimento de rotina é redireccionado para o suporte por telefone ou presencial (num dos balcões da companhia). 

Mais más notícias: conseguir suporte por telefone foi uma tarefa hercúlea. Comunicação difícil, ineficiência generalizada e quase sempre uma sequência de espera para ser atendido que na prática inviabilizava o recurso ao suporte.

E ainda mais más notícias: sendo impossível obter apoio por telefone, uma boa parte do último dia na capital etíope foi passada no balcão central da Ethiopian Airways, a tentar resolver um imbróglio que eles provocaram. Uma vez atendido a coisa correu bem, mas a espera é morosa, com poucas pessoas a atender e longos tempos passados com cada cliente.

Voos Internacionais

Nada a apontar à Ethiopian Airways. Ambos os voos internacionais que fiz com a companhia correram bem, com partidas à hora, aviões em boas condições e atendimento aceitável.

O entertainment center podia ser melhor, com uma selecção limitada de filmes, apesar de um relativamente alto número de títulos destinados ao mercado asiático.

A comida foi OK. Mediana. Menu tipicamente de voo, cumpriu o objectivo de saciar a fome sem deliciar.

Para lá o avião ia quase vazio. Depois do jantar servido, já tarde (a partida foi perto da meia-noite), os passageiros distribuíram-se pelas muitas linhas de cadeiras completamente livres e estenderam-se para passar a noite. Na prática a cabine encerrou até ao dia seguinte e com ela apaguei-me também, passando umas boas horas de sono. No regresso estava mais composto e apenas alguns passageiros conseguiram fazer isto.

Destaque: a aterragem em Addis Abeba foi a melhor de sempre e nunca será batida, porque isso é simplesmente impossível. O avião tocou no solo de forma tão suave que não me apercebi, e apenas a ligeira vibração causada pelo rodada no asfalto me indicou que há tínhamos aterrado. Verdadeiramente notável. No regresso a aterragem foi também muito boa.

 Voos Domésticos

A Etiópia é um país amplo onde as deslocações por terra são aventurosas, interessantes e pitorescas, mas também morosas e complicadas. É por isso comum, especialmente para quem necessita de gerir o tempo, recorrer às ligações aéreas domésticas, que cobrem as cidades mais interessantes, por vezes com vários voos diários.

Se pretende voar entre duas cidades tenha em consideração que tirando casos excepcionais é quase sempre necessário fazer ligação em Addis Abeba.

Ao usar os voos domésticos da Ethiopian Airways tenha em conta alguns pontos:

  • Muito frequentemente os voos saem atrasados. No meu caso sucedeu em 50% dos voos. Na minha experiência isso deve-se não tecnicamente a atrasos mas à conjugação de voos. Quando considera que o voo A tem poucos passageiros a companhia cancela-o e toda a gente segue no voo B, por vezes apenas uma hora mais tarde. Portanto, se tem alguma coisa importante a fazer no destino, como apanhar um voo internacional, sugiro que reserva um voo doméstico que lhe ofereça uma margem de segurança confortável.
  • Tente levar prova de voo impressa. A segurança nos aeroportos etíopes inicia-se no exterior e os guardas pedem o papel para verificarem. Consegui sempre passar depois de lhes mostrar os dados no telemóvel, mas fiquei com a impressão que poderá não ser sempre assim.
  • Estude antecipadamente as alternativas de transporte para e sobretudo do aeroporto local. Muitos hotéis, mesmo de baixo custo, oferecem o transfer gratuitamente, por vezes sendo o próprio gerente a assegurá-lo. Se não o fizerem, é provável que possam tratar disso em troca de um valor geralmente razoável.

Tirando os atrasos as minhas experiências nestes voos foram positivas. Aviões em bom estado, tripulações profissionais e atenciosas, passageiros tranquilos e um bom ambiente a bordo. Os aeroportos locais são pequenos, tornando-se fácil fazer o check in e depois à saída abandoná-los rapidamente. É quase como usar um autocarro. Também é normal encontrar restaurantes com preços muito baixos nestes aeroportos.

Importante: Se como eu chegar, ou partir, usando os serviços da Ethiopian Airways terá direito a grandes descontos nas tarifas dos voos domésticos, chegando aos 60%. Na realidade, para o viajante comum esta é a única forma viável de usar voos domésticos, porque sem o desconto os custos são consideráveis, especialmente se necessitar de efectuar mais do que uma viagem. Para usufruir do desconto, no processo de reserva, deverá afirmar que é cliente internacional da companhia (existem outras condições, como ser residente na Etiópia, mas poucos se enquadrarão nessas outras categorias). Mas atenção! Por vezes – pelo menos segundo a minha experiência – a fase onde se declara ser cliente internacional não surge, e os preços apresentados não têm desconto. Insista, repita, se necessário recorra ao chat de suporte.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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