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Índia 2019 – Dia 20 – Khajuraho

Neste dia acordou-se em Khajuraho mas já não se dormiu por lá. A noite iria ser passada a bordo de um comboio com destino a Varanasi, mas a isso logo iremos. Para já havia que visitar os principais templos de Khajuraho, aqueles que formam o coração do complexo classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

O passeio matinal, agradável, como sempre, desta vez mais curto, pois o acesso aos templos fica logo junto à entrada na povoação. Que dia magnífico estava, com um céu muito azul e uma temperatura amistosa. Com gosto paguei a razoável quantia para a visita e os recinto, bem vedado, começou a ser explorado.

Pela escrita não se descreve devidamente o local. Existem um par de templos de maiores dimensões e alguns outros menores. Todo o espaço é ajardinado, como um enorme parque urbano. Aliás, bastante bem arranjado, com canteiros de flores coloridas e relvados amplos, muito verdes.

Os detalhes talhados para sempre, esperamos, na pedra, são soberboso. Claro que os detalhes pornográficos, e esta é mesmo a palavra certa para os descrever, são os que interessam mais os visitantes. E por falar nisso, há-os aos magotes. Não só locais, indianos, mas muitos estrangeiros. Cabeças louras por todo o lado e grupos de asiáticos. Quando mais tarde vejo o cortejo de um casamento, mesmo ao lado da cerca do complexo, há uma matilha de turistas que, vistos por detrás do arame da vedação, deveriam parecer aos do outro lado um grupo verdadeiramente perigoso, que ao invés de arreganhar dentes e eriçar pelos das costas, disparava sem parar as suas máquinas fotográficas, atropelando-se uns aos outros na ânsia de levar aquela imagem que depois faz a diferença para impressionar nas redes sociais.

Eventualmente os templos foram todos visitados. Os últimos com o entusiasmo já quebrado. Mais um. Mais um. E chega. Está visto. Monumentos e turistas, flores e altos-relevos pornográficos, relvados e o céu azul que cobria aquilo tudo. Hora de pensar em sair dali e fazer qualquer outra coisa.

Essa outra coisa era algo que estava na lista de “obrigatórios”: imprimir cartões de embarque, porque tinha-me constado que sem eles impressos não se pode aceder aos aeroportos. Afinal não era verdade, mas nestas coisas mais vale prevenir do que depois mergulhar em sarilhos.

E assim encontrei uma lojinha que me parecia ideal. E era. Missão cumprida num instante e amizade feita com o dono, o filho, o amigo do filho e uns quantos clientes, universitários, que lá se encontravam.

Estava o dia a correr bem. Templos visitados, cartões de embarque no bolso, era hora de relaxar e estava mesmo no lugar certo, porque ali defronte existia um ghat, já visitado na véspera, à saída do jogo de cricket. Ainda por cima, ali seríamos pouco visíveis para quem andasse pela área à procura de turistas para lhes vender qualquer coisa ou serviço.

E foi mesmo assim. Sentar nos degraus, a ler, a apanhar sol. Apenas interrompido por um grupo de três jovens que ali foram fumar uma ganza e que meteram conversa, sem qualquer outra intenção que não fosse conversar um bocado.

Ali em frente um menino lavava afectuosamente a sua bicicleta nas águas do lago e um pouco mais longe duas mulheres tratavam das suas roupas nas mesmas águas. Um bom momento.

 

Hora de comer qualquer coisa. Nova refeição no restaurante “italianos” da véspera que não era do melhor mas pelo menos já estava testado e sabia-se ao que se ia. Depois, um tal lassi do outro lado da estrada.  Por esta altura era necessário ir ao alojamento arrumar as coisas para vazar o quarto. Mais uma caminhada, pelo caminho que entretanto já se tinha tornado muito familiar.

Sinais dos casamentos. Os sempre presentes casamentos indianos, que nesta altura do ano se encontram por todo o lado. Pitorescos, mas por vezes incomodativos. Podem ser engraçados ao principio mas depois de várias noites de barulho até altas horas começa-se a desenvolver uma certa aversão a estas coisas.

E pronto, mochilas preparadas, deixadas à guarda do anfitrião. Era ainda cedo para seguir para a estação. Ficou combinado o transporte com um contacto do anfitrião e saímos de novo, para uma despedida de Khajuraho.

Aquilo lá para baixo já estava bastante visto. Foi mais queimar tempo do que visitar. Mas por um golpe de sorte teve-se um belo momento quando entrei para dentro de um recinto sem saber bem do que se tratava. Podia ser apenas uma estrutura ao abandono onde viviam pessoas desafortunadas ou um templo. Mas acho que na realidade era uma escola, encerrada apenas porque a noite caía.

Um ambiente fantástico. Viviam por ali pessoas, que a estas horas se preparavam para descansar depois de um dia de trabalho. Um “louco” fazia yoga no alto da torre, com posturas ousadas que desafiavam a sorte. As cores estavam douradas, num cenário tingido pelo sol que se punha. Foi inesperado, um fechar com chave de ouro a passagem por Khajuraho.

E de novo para a Home Stay Sun House, fazer um pouco de tempo, esperar pelo transporte e seguir para a estação, algo afastada do centro. O comboio era mais tarde e tinha pensado que esperar por esperar podia ir logo para a gare. Foi um erro, porque estava frio, outra vez, intensificado pela noite. Encontrei uma sala de espera com o chão coberto de corpos que dormitavam e que tresandava de tudo o que é odor corporal. Ali fiquei, pouco confortável, a olhar para o relógio que teimava em não se apressar.

E assim se encerrou o dia. A noite seria passada a caminho de Varanasi e mais uma pouco agradável cama com companheiros de viagem que preferiria não ter.

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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